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NOVAS EVIDÊNCIAS DE QUE MARTE FOI UM PLANETA QUENTE E ÚMIDO

Este mapa, produzido pelo Altímetro de Marte Orbiter Laser (MOLA), descreve a topografia da superfície marciana. Hellas Basin, a grande região azul escuro abaixo do centro, tem um diâmetro de 2300 km, e é uma das maiores crateras de impacto identificadas tanto em Marte como no Sistema Solar. Calcula-se que tenha se formado há cerca de 4 bilhões de anos.

Um estudo recente da Mars Express da ESA e da Mars Reconnaissance Orbiter (MRO) da NASA fornecem novas evidências de um Marte jovem e quente que hospedava a água em uma escala de tempo geologicamente longa, em vez de breves períodos episódicos - algo que tem consequências importantes para a habitabilidade e a possibilidade de vidas passadas no planeta.

Embora já se saiba que a água fluiu em Marte, a natureza e o cronograma de como e quando isso ocorreu é uma grande questão em aberto dentro da ciência planetária.
Os resultados seguem uma análise de uma região de terreno relativamente plano, chamado de planícies inter-crateras, ao norte da bacia da Hellas. Com um diâmetro de 2300 km, a bacia da Hellas é uma das maiores crateras de impacto identificadas tanto em Marte quanto no sistema solar, e acredita-se ter se formado há cerca de 4 bilhões de anos.
"Essas planícies na borda norte da Hellas são geralmente interpretadas como sendo vulcânicas, como vemos em superfícies semelhantes na Lua", disse Francesco Salese da IRSPS, Università "Gabriele D'Annunzio", Itália, e autor principal no novo estudo . "No entanto, nosso trabalho indica o contrário, em vez disso, encontramos grossa e extensa faixa de rocha sedimentar."
As rochas sedimentares e vulcânicas (ígneas) se formam de maneiras diferentes - vulcânicas, como o nome sugere, precisam de vulcanismo ativo, impulsionado pela atividade interna de um planeta, enquanto a rocha sedimentar normalmente requer água. A rocha ígnea é criada como depósitos vulcânicos de rochas fundidas frescas e solidificadas, enquanto as sedimentares se acumulam à medida que novos depósitos de sedimentos formam camadas que se compactam e endurecem em escalas de tempo geologicamente longas.
"Para criar o tipo de planícies sedimentares que encontramos na Hellas, acreditamos que um ambiente geralmente aquoso estava presente na região há cerca de 3,8 bilhões de anos", disse Salese. "Importante, deve ter durado por um longo período de tempo - na ordem de centenas de milhões de anos."
Há um par de modelos chaves que se apresentam - ambos envolvem a presença da água líquida, mas de maneiras completamente diferentes.
Alguns estudos sugerem que os primeiros dias de Marte (o período de Noachian, mais de 3,7 bilhões de anos atrás) tiveram um clima constantemente quente, o que permitiu vastas piscinas e riachos de água que existiram em toda a superfície do planeta. Este mundo aquoso então perdeu seu campo magnético e sua atmosfera e esfriou-se, transformando-se no mundo seco e árido que vemos hoje.
A segunda hipótese é que ao invés de acolher um clima quente e superfície carregada de água por longos períodos de tempo, Marte pode ter experimentado apenas períodos curtos e periódicos de calor e umidade que duravam menos de 10 000 anos cada, facilitados por um ciclo de pulverização de vulcanismo que aumentava e diminuía intermitentemente ao longo dos anos.
Ambos os cenários podem ter formado alguns dos elementos químicos dependentes da água e morfologias de rochas que vemos na superfície de Marte, e têm conseqüências significativas, tanto em um sentido geológico - como o planeta se formou e evoluiu, e se seu passado tem algo em comum com a Terra  e a composição e estrutura de sua superfície - e em termos de potencial habitabilidade.
"Compreender se Marte teve um clima mais quente e mais úmido durante um longo período de tempo é uma questão-chave na nossa busca por vidas passadas no Planeta Vermelho", disse o co-autor Nicolas Mangold do CNRS-INSU, Universidade de Nantes, França.

"Se pudermos entender como o clima marciano evoluiu, teremos uma melhor compreensão de se a vida poderia ter florescido, e onde procurá-la. Podemos também aprender muito sobre os planetas rochosos em geral, o que é especialmente emocionante nesta era da ciência exoplanetaria e sobre o nosso próprio planeta - os mesmos processos que pensamos ter sido importantes em um Marte jovem, como processos sedimentares, vulcanismo e impactos, também têm sido cruciais na Terra ".
As formações sendimentares só são possíveis com a presença de água por longos períodos.



EXPLORAÇÃO DE MARTE: NOVAS METAS PARA SONDA OPPORTUNITY


A história deste explorador infatigável segue adiante, agora com novas metas. Recentemente ele abandonou o Marathon Valley, onde se refugiou do pesado inverno marciano. Seu próximo objetivo está longe de sua posição atual. Seguirá avançando rumo ao sul pela borda da  cratera Endeavour  até alcançar um tipo de formação geológica bastante conhecida em Marte, mas nunca explorada in loco: as ravinas ( está em inglês no mapa como GULLY). Essas ravinas são um dos pontos mais discutidos, quando se fala sobre os sinais deixados por épocas passadas, quando Marte era mais quente e humido e com água líquida na superfície. Muitos cientistas consideram que essas ravinas foram escavadas pelo fluxo das águas.
“Estamos certos de que estas ravinas foram talhadas pelo fluir de água”, explica Steve Squyres da Universidade Cornell, Ithaca, investigador chefe da missão. “estas ravinas eram vistas de órbita desde a década de 70 mas agora podemos examiná-la do chão graças ao Opportunity.

Opportunity seguirá costa abaixo, em toda sua extensão seguindo o antigo fluxo das águas até o interior da cratera Endeavour, o que permitirá ter uma visão em conjunto que permita uma interpretação do que ali ocorreu. Ao mesmo tempo permitirá cumprir outro objetivo: comparar rochas dentro da cratera Endeavour com as das planícies que a rodeiam. “Talvez descubramos que as rochas, ricas em sulfato que encontramos fora da cratera não são as mesmas do interior desta. O ambiente líquido do interior da caverna pode ter sido diferente. Talvez em tempos diferentes, talvez com componentes químicos diferentes.”


NOVAS IMAGENS DO CURIOSITY

Nessas fotos recentes enviadas pelo Curiosity da superfície marciana foi incorporado a imagem de um astronauta em escala com a foto, para termos uma idéia da dimensão das áreas fotografadas.

Mais uma self tirada em Setembro (2016) pelo Curiosity Mars Rover mostrando o veiculo no "Quela" local de perfuração em Murray Buttes, área abaixo do Mount Sharp em Marte. A imagem foi montada costurando múltiplas fotos (60 imagens tiradas entre 17 e 20 de setembro) pela câmara Mali, no final do braço do robô. Clique para ampliar. O trabalho do curiosity nas partes mais baixas dessa formação indicaram que há bilhões de anos, a área hospedou um sistema de lagos que durou um longo tempo - talvez dezenas de milhões de anos.
Curiosity concluiu que a área perto de seu local de pouso abrigou um sistema de lagos potencialmente habitáveis no passado distante, cumprindo o objetivo principal de sua missão. Em setembro de 2014, após uma viagem de 14 meses, a sonda atingiu o sopé da imponente Monte Sharp, cujas muitas camadas sustentam uma história de transição de Marte de um mundo relativamente quente e úmido para o planeta frio e seco que é hoje.



MISSÃO ESPACIAL - O PROGRAMA AURORA



Planeta Marte - Ao centro a cratera Schiaparelli
A sonda ExoMars (oficialmente ExoMars Trace Gas Orbiter) é uma missão não tripulada da Agência Espacial Européia (ESA) em parceria com a Agencia Espacial Russa (Roscosmo), destinada a explorar o planeta Marte. É a primeira missão do assim denominado Programa Aurora.
Esta missão tem um orbitador de Marte (TGO) e um módulo de descida com um veículo explorador chamado Schiaparelli EDM. Ou seja, o orbitador deverá ser capaz de chegar a Marte e se colocar em órbita e de lançar um módulo de descida. O módulo é denominado Schiaparelli em homenagem a Giovanni Virginio Schiaparelli, um astrônomo italiano, (1835-1910) que (inadvertidamente) popularizou a falsa idéia de canais artificiais na superfície de Marte. Foi o primeiro a criar um mapa daquele planeta. Schiaparelli também é o nome que foi dado a uma grande cratera de 461 km de extensão na superfície marciana.
Módulo de aterrizagem Schiaparelli

O módulo deverá pousar na superfície de Marte dia 19 de outubro para validar a tecnologia de aterrissagem para a segunda e mais complexa parte do programa, ExoMars 2018. Esse é um módulo de 600 Kg que atravessará a atmosfera marciana, se desprenderá de seus escudos de proteção e pousará na superfície de maneira controlada, ajudado por um pára-quedas e um sistema de propulsão líquida.Se conseguir pousar com sucesso em solo marciano e enviar informação aos centros de controle terrestre, Schiaparelli validará parte da complexa tecnologia de aterrissagem, que servirá para que a missão ExoMars 2018 mande a Marte um veículo "rover" capaz de se deslocar vários quilômetros e de escavar até dois metros sob terra para coletar e analisar mostras.Schiaparelli terá uma vida útil de entre dois e oito dias marcianos (um dia marciano tem 24 horas e 37 minutos) e seu blecaute marcará o início da missão de seu companheiro de viagem, o TGO. Esse orbitador sobrevoará Marte a 400 quilômetros de altitude durante quatro anos, com o objetivo de estudar a presença de metano e outros gases na atmosfera marciana, esclarecer se sua origem é geoquímica, vulcânica ou biológica e quais são suas fontes de emissão.O TGO se dedicará também a elaborar mapas do hidrogênio presente no subsolo de Marte "que podem ajudar a escolher os lugares de aterrissagem de futuras missões, pois podem indicar reservas ocultas de gelo de água", explicaram os responsáveis da ESA.
Sonda EXOMARS (TGO)




A DESCOBERTA DE ÁGUA EM MARTE



Confirmado. O Diretor de ciência planetária da NASA, Jim Green, anunciou numa coletiva de imprensa e publicou na revista Nature Geoscience que existem evidências de água salgada em Marte e que essa líquido é o responsável pelos sulcos lineares descobertos nos declives das crateras durante as estações mais quentes do planeta. Esta água líquida sob a superfície aumenta as possibilidades do planeta ter alguma forma de vida.
A descoberta foi possível graças as imagens da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) que utiliza um instrumento chamado CRISM, um espectrômetro de imagem que permite identificar tanto os minerais como outros tipos de compostos da superfície marciana. Os resultados revelaram evidências de sais hidratados em quatro lugares diferentes de Marte. Esses lugares conhecidos como Sulcos lineares (RSL, linhas de inclinação) que medem uns 5 metros de largura e que são estudados a anos, se devem à atividade da água salgada, confirmam os especialistas.
Fluxo da água
A cada verão marciano surgem esses misteriosos fluxos lineares, quando as temperaturas estão na casa dos 20 graus negativos, que parecem avançar pelas encostas nas latitudes médias do hemisfério sul; esses sulcos desaparecem ao chegar o frio. Os dados recentes indicam que o fato de que essas rachaduras não permanecem durante todo o ano marciano é uma evidência de um fluxo de água líquida que graças às temperaturas mais quentes, se estende costa abaixo através das colinas e ladeiras. Quando chegam as estações frias desaparecem.
Graças aos dados espectrométricos de CRISM, uma equipe de cientistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia (EUA) confirmou a presença de sais hidratados como percloratos e cloratos muito abundantes nesse planeta (até 10.000 vezes mais que na Terra) e que reduzem o ponto de congelamento da água de  O a – 70 graus Celsius circunstancia que torna possível a água líquida.
Em geral, na superfície de Marte as condições são muito hostis para a vida (especialmente devido a radiação UV) mas estes novos dados sobre a existência de água líquida subsuperficial indicam que a habitabilidade é muito mais favorável no subsolo marciano que é onde deverá se concentrar os esforços futuros na busca de vida.