A FOME E OS TRILHÕES

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De repente surgem bilhões, trilhões de dólares despejados no mercado financeiro para socorrer bolsas e bancos. Como disse Lya Luft em um artigo para a revista Veja, até pouco tempo atrás “bilhões e trilhões serviam para contar estrelas”.
Não há dinheiro para socorrer populações flageladas por guerras genocidas e desastres ecológicos. Para isso são precisas campanhas de doações, shows, apelos....criança esperança. A África sucumbe em guerras de extermínio, doenças fatais...fome. Boa parte de Ásia, Américas e Oceania idem. Nunca há dinheiro suficiente para saúde, educação, não há empregos suficientes, nem terras para todos. Milhões e milhões vivem abaixo da linha da pobreza, com menos de um dólar por dia e de repente surgem trilhões para socorrer financistas em apuros que aprontaram molecagens sonhando com lucros fáceis e gigantescos.


Se esses trilhões de dólares fossem usados para a educação, pesquisa e saneamento básico, que mundo maravilhoso teríamos. Mas seria dinheiro a fundo perdido dirão eles. O mais engraçado é que se isso ocorresse haveria um crescimento econômico sem precedentes na história da humanidade. Bilhões de seres humanos deixariam a margem da história e se tornariam produtivos e consumidores ampliando os mercados, bilhões de dólares deixariam de ser aplicados em aparatos policiais, guerras, tratamentos de epidemias e doenças. Os complexos penitenciários se reduziriam drasticamente, reservados apenas aos incorrigíveis. Pesquisas científicas se multiplicariam e haveria um gigantesco avanço tecnológico. A raça humana se reproduziria menos e com mais qualidade e haveria o tão sonhado progresso sustentável. Tudo isso dentro das regras do capitalismo, sem recorrer a ideologias ilusórias.

Mas a ganância e a mesquinhez limitam a visão humana. Somos todos vítimas de um sistema maquiavélico que nos sufoca. O mais impressionante é que temos consciência disso. Por que será que ignoramos uma imensa parcela da população do planeta, e quando a olhamos é para externar um pré-conceito que justifique o mundo como está? Por que será que achamos mais fácil e proveitoso o caminho da desigualdade, da extrema concentração de riqueza e da exploração selvagem do homem pelo homem?
Não é esse um tema interessante para analisar e discutir? Abro com este texto o espaço para essa discussão. Coloquem suas considerações em comentários abaixo.
BERNARDO UCHÔA
Diego Rivera – La Noche de los Pobres


NÃO É A FOME QUE MATA
É O TEMPO DA FOME QUE NOS VAI MATANDO
É O SILÊNCIO NA DESCULPA, DOS OUTROS
É A PELE DISTANTE, DOS OUTROS
A OUTRA VIDA QUE NÃO NOS PERTENCE

NÃO É A FOME QUE (NOS) MATA
À DISTÂNCIA DO SOFRIMENTO, DOS OUTROS
SÃO OS OUTROS, AQUELES QUE CARREGAM A FOME
A NECESSIDADE, DOS OUTROS
AQUELES QUE SÃO, OS OUTROS COM FOME
PEDINDO
OUTROS
OUTRO
OUTR
OUT
OU, OS (OUTROS)
(AQUILO DA FOME…)
poema de Eduardo Nascimento
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