BUSCAMOS UM MUNDO MELHOR




Brexit. Trump. Mudança climática. O sistema financeiro. Autoritarismo. Pode continuar a lista, todos os itens darão angústia e ansiedade. A situação do mundo te incomoda, mas o que poderá você, um indivíduo minúsculo e irrelevante perdido no poderoso sistema, fazer para mudar qualquer coisa? Como você pode fazer a diferença?
Bem, acontece que há muitas maneiras de se engajar politicamente — se você quiser, todo santo dia. Aqui estão quatro delas.

1. SEJA UM PRODUTOR REFLEXIVO
Nosso emprego acaba sendo nossa maior contribuição à sociedade em termos de capacidade produtiva. Nós passamos décadas trabalhando em um setor específico para empregadores específicos, e produzimos um determinado resultado. Alguns desses empregos são neutros, outros são danosos, e vários deles são benéficos.
ue tal parar para pensar se o seu trabalho é dedicado à coisas éticas, tanto do ponto de vista político quanto do econômico? Seu potencial criativo é absorvido pela propaganda? Sua engenhosidade é usada para projetar armas? Sua oratória está vendida ao lance mais alto de um leilão? O processo produtivo com que você contribui é dedicado à justiça? Ao conhecimento? Ou ao lucro puro e simples? Quem se beneficia do seu trabalho?

2. SEJA UM CONSUMIDOR CONSIENTE
Ao longo de nossa vida nós damos muito dinheiro para muitas pessoas por meio das nossas compras. Alguns produtos que nos alcançam foram feitos por trabalhadores em boas condições de vida, ou por empresas de baixo impacto ambiental.
Nós estamos em dívida com os responsáveis por celulares. Eles contém minerais que podem vir de áreas de conflito como o Congo, onde o estupro é arma de guerra e a mineração é controlada por milícias que usam crianças de soldados.
Partes da indústria da moda usam trabalho infantil, e não podemos nos esquecer que boa parte do plástico que consumimos vem do petróleo, uma indústria que ajuda a abastecer conflitos armados no Oriente Médio. Tudo que nós compramos tem uma história e um custo social, ambiental e político. Isso vai muito além do preço.

3. SEJA UM CIDADÃO ATIVO
É óbvio que podemos usar os canais políticos abertos oficialmente para sermos cidadãos ativos. De petições a eleições, estão ao nosso alcance campanhas políticas, sindicatos e até cartas para nossos representantes. Alguns irão até considerar como tática a desobediência civil. Tanto Gandhi quanto as sufragistas foram reconhecidos como heróis por políticos estabelecidos anos depois.
Mas nós também podemos nos tornar receptores mais conscientes de mensagens políticas. Entender os princípios da comunicação política para não cair em truques. Há a teoria do estabelecimento de pautas (agenda setting), da espiral do silêncio e a teoria do cultivo, entre outras. As táticas do marketing político são eficientes para ganhar votos — afinal, Trump é uma marca. E não é difícil identificá-las depois que nós descobrimos como elas funcionam.

4. SEJA UMA PESSOA DE PRINCÍPIOS
Pense na conversa que ouviu na rua, ou no que o seu tio disse em um almoço de família, ou no insulto racista ou misógino que você flagrou no ônibus. Você pode deixar por isso mesmo ou pode intervir. É claro, uma intervenção frutífera precisa ser sensível e cuidadosa. Mas se alguém diz algo que te incomoda, quem sai ganhando se você não reage? Se alguém é movido por medos, porque não ouvir e discutir, se mantendo fiel a seus princípios?
Nós vivemos em comunidades. A maior parte das pessoas é bem normal. Algumas terão visões políticas opostas às suas. Porque não conversar com eles sobre o assunto educada e respeitosamente, criando empatia e considerando soluções conjuntas? Isso te ajudará a desenvolver seu próprio pensamento.

Texto extraído da Revista Galileu. 

A FASCINANTE VARIEDADE DOS "MUNDOS OCEANO"




A água é fundamental para a vida. Hoje sabemos que existem milhões de planetas com enormes oceanos, tanto na superfície como em seu interior. Possivelmente sejam o maior refúgio para a vida, mas não são todos iguais.
Em nosso sistema solar existem vários mundos com oceanos internos, mas só a Terra possui oceanos superficiais.
Para entender a diversidade da água nos diferentes mundos devemos definir o que entendemos por mundos oceânicos. A Terra, por exemplo, tem muita pouca água em proporção a sua massa enquanto Europa e Ganimedes são mundos com oceanos internos muito diferentes entre si. Para por ordem a esse caos se criaram vários sistemas de classificação sendo o mais conhecido do astrônomo Helmut Lammer. Lammer considera que a Terra é um planeta de classe 1, ou seja, um planeta habitável dotado de um oceano de água líquida em sua superfície de forma estável (esta é a definição de habitabilidade em astronomia). Vênus e Marte são planetas de classe 2, ou seja, mundos que no passado foram habitáveis e que talvez hoje apresentem áreas habitáveis (quando dizemos habitáveis dizemos organismos simples ou micro-organismos) especialmente no caso de Marte, embora não podemos duvidar da atmosfera superior de Vênus.
Logo temos mundos que podem estar situados fora da zona habitável tradicional de sua estrela, mas possuem oceanos subterrâneos. Neste caso nem todos são iguais e o tamanho da crosta é importante. Os mundos de classe 3 são aqueles em que existe um fluxo contínuo de material entre a crosta de gelo e o interior rochoso do planeta e, portanto, é possível que desfrutem de fontes hidrotermais, um paraíso para a vida. Em nosso sistema solar temos 2 desses mundos: Europa e Encelado. Devido seu tamanho, Europa tem um potencial de habitabilidade  muito maior que Encelado, mas os gêiseres deste último nos dão a oportunidade de estudar seu interior sem necessidade de posarmos em sua superfície.
A classificação não para aí, ainda existem os mundos de classe 4, aqueles que tem oceanos internos isolados por uma grossa crosta exterior de gelo onde não existe um fluxo constante de material com a superfície. No sistema solar há muitos exemplos de mundos classe 4, os mais famosos são Ganimedes, Calisto e Titan.

Mas a essas 4 classes de mundos, ainda pode-se acrescentar mais uma, a classe 5 um tipo de mundo ausente de nosso sistema solar. A classe 5 seriam verdadeiros mundos oceânicos que estariam cobertos com dezenas, centenas ou mesmo milhares de km de profundidade (para diferenciá-los dos mundos oceânicos superficiais relativamente rasos, como a Terra, há quem use o termo “mundo aquático” quando se refere a nosso planeta.

QUE AMBIENTE FUTUROS COLONIZADORES ENCONTRARÃO EM MARTE




Com as novas descobertas sobre a possível existência de água e portanto possibilidade da existência de vida mesmo que micro-orgânica, cresce nossa curiosidade sobre o nosso planeta vizinho.
Um ano em Marte equivale a 22 meses e meio do ano terrestre. O dia em Marte é pouco maior que o nosso para ser mais exato 24 horas e 40 minutos.
Como na Terra, Marte tem as 4 estações devido à inclinação de seu eixo, porém as estações diferentemente da Terra são de  períodos desiguais: sete meses de primavera, seis meses de verão, cinco meses e meio de outono, quatro meses de inverno. Há ainda uma grande diferença entre os hemisférios norte e sul, sendo o sul de temperaturas mais intensas tanto no verão como no inverno.
Embora o planeta tenha uma atmosfera, é tênue se comparada à terrestre e composta quase que exclusivamente de CO2 por isso necessitaremos de um traje espacial. As diferenças de temperatura entre dia e noite e verão e inverno são extremas apesar de sua atmosfera ainda ser capaz de captar e repartir o calor com alguma uniformidade amortecendo as diferenças mais agudas. Ainda assim temos temperaturas que vão de – 126 graus nos pólos a agradáveis + 20 graus no equador, mas que podem mudar drasticamente em uma semana.


Essas grandes variações de temperaturas provocam gigantescas tormentas de pó que em certas ocasiões podem ser globais e cobrir todo o planeta. Embora provavelmente não nos fariam danos físicos o pó poderia ser uma ameaça ao sistema eletrônico de nosso veiculo assim como a produção de energia de nossos painéis solares. Apesar de ter só 1% da densidade terrestre a atmosfera marciana ainda é suficiente para vaporizar meteoritos até certo tamanho. A atividade vulcânica e tectônica também não seriam ameaça. Há vulcões e Marte, alguns colossais, mas não há indícios de que estejam ativos. Apenas a radiação poderia ser um problema, já que existe um campo magnético global, mas é  administrável com o equipamento adequado. Fora disso, na parte meteorológica não haveria mais grandes novidades. Observaríamos finas nuvens cruzando o céu e alguma geada pela manhã, como observou a nave Viking. Mas não encontraríamos nuvens de chuva, e menos ainda chuva, embora a Phoenix descobriu que podem ocorrer nevadas esporádicas nas regiões dos Pólos. Com este céu claro e este ar tênue as noites de Marte são maravilhosas, cheias de estrelas e ainda observamos a dança de suas 2 pequenas luas, Fobos e Deimos. Ainda que não sejam como nossa enorme Lua tem seu próprio encanto, especialmente Fobos que surge e se põe três vezes no mesmo dia.
O céu diurno nos cobre com um manto alaranjado, que não tem nada a ver com a composição da atmosfera mas sim com o eterno pó em suspensão que está sempre presente o que torna Marte o pesadelo para os obcecados por limpeza.  E, possivelmente, teremos ao pôr do sol um pouco de nostalgia, como ele é assustadoramente semelhante ao da Terra, mas neste caso com cores invertidas, com o sol, rodeado por um halo azul.

Marte é sem dúvida um bom lugar para viver. Hostil à vida tal como a conhecemos, seguiríamos dependendo de trajes e sistemas de suporte vitais. Os sinais de antigos vales fluviais, as tênues nuvens, as trocas de estações, os por de sol azulados as nevadas matinais e também as tormentas de pó, semelhantes as dos desertos terrestres, nos oferecem um cenário que embora sendo desértico, segue de certa maneira sendo dinâmico e em alguns pontos até quase terrestre. Não é estranho que seja o objetivo prioritário em uma futura colonização humana fora da Terra.


MOMENTO DE REFLEXÃO SOBRE ESSÊNCIA E APARÊNCIA




Nietzsche dizia que as aparências são a realidade, enquanto a nossa essência é apenas uma ilusão que criamos para podermos encarar a efemeridade da vida e a constante mutação da realidade.
Em contrapartida, José Saramago diz que a visão nos cega, fazendo que prestemos atenção apenas às aparências nos distanciando da essência, dizendo que o que não vemos é a realidade.
Não importa onde minha vida me leva, é melhor eu acabar em algum lugar onde eu possa olhar para as estrelas e nunca ficar entediado.
Sei que o que estarei vendo é algo muito diminuto da realidade que passa por detrás desses mundos e astros, mas assim é a vida e temos que nos conformar com nossas limitações.
Aquelas luzes são apenas reflexo de um passado, muitas nem mais existem. Minha vida também é resultado de um passado e, se olhar pela ciência, também resultado dos meus antepassados.
Mas é muito bom olhar as aparências também. Através delas e do conhecimento chegamos mais perto da essência .

Em tudo está um rasgo de realidade. Olhando as estrelas à noite, ou uma multidão durante o dia, temos aparência e realidade se completando para nos apresentar o significado dessa coisa chamada vida.

TRIBO ISOLADA DA AMAZÔNIA PODE SER EXTERMINADA




Novas fotos aéreas extraordinárias mostram uma comunidade indígena isolada contemporânea na Amazônia, lar para cerca de 100 pessoas.
A aldeia fica na Terra Indígena Yanomami em Roraima. Cerca de 22,000 Yanomami vivem no lado brasileiro da fronteira, e pelo menos três grupos deles não possuem contato com pessoas de fora. Eles são extremamente vulneráveis à violência e a doenças trazidas por forasteiros.
Quando suas terras são protegidas, tribos isoladas podem prosperar. No entanto, essa área está sendo atualmente invadida por mais de 5,000 garimpeiros ilegais, o que tem criado preocupações sérias que algumas das pessoas mais vulneráveis do planeta possam ser exterminadas.
Garimpeiros trouxeram doenças como malária à região e poluíram as fontes de alimento e água dos Yanomami com mercúrio, levando à uma grave crise sanitária.
O xamã e ativista Yanomami, Davi Kopenawa Yanomami disse: “Os lugares onde os índios isolados vivem, pescam, caçam e plantam devem ser protegidos. O mundo inteiro precisa saber que eles estão em sua floresta e que as autoridades devem respeitar seu direito de viver ali.” Davi é o presidente da Hutukara Associação Yanomami e é conhecido como o “Dalai Lama da Floresta.”
Davi também disse: “Os garimpeiros estão espalhados. Eles são como cupim – eles sempre voltam e não nos deixam em paz..”

A FUNAI (Fundação Nacional do Índio), responsável pela proteção de territórios como esse, está enfrentando graves cortes orçamentários. Receia-se que seis das 12 Frentes de Proteção Etnoambiental para indígenas isolados possam ser fechadas – inclusive aquela dedicada a proteger os Yanomami.
- Indígenas Yanomami isolados indicaram claramente seu desejo de se manter isolados – fugindo de forasteiros e evitando membros contatados da tribo.
Os indígenas isolados não são atrasados ou relíquias primitivas de um passado remoto. Eles são nossos contemporâneos e parte vital da diversidade humana. Onde seus direitos são respeitados, eles continuam a prosperar.

Seu conhecimento é insubstituível e foi desenvolvido ao longo de milhares de anos. Os indígenas isolados são os melhores guardiões de seu ambiente. E evidências provam que territórios indígenas são as melhores barreiras ao desmatamento.


CHINA INAUGURA MAIOR RADIOTELESCÓPIO DO MUNDO



O maior radiotelescópio do mundo o chinês “Eye of Heaven” já está em operação.
O telescópio tem o tamanho de 30 campos de futebol (500 metros de diâmetro) e sua construção custou 180 milhões de dólares.
Os cientistas estão no processo de testes para detectar e corrigir possíveis problemas o que levará ainda de dois a três anos. Embora seu diâmetro seja muito maior que o telescópio de Arecibo (200 metros de diâmetro) sua área de recepção ativa é de apenas cerca de 30 metros maior. No entanto o FAST pode apontar em qualquer posição até 40° do zênite que é mais que o dobro do Arecibo. Eye of Heaven está localizado a mais de 2.000 Km a sudoeste de Pequim, na província de Guizhou, uma área pouco povoada. Mesmo sendo pouco povoada, cerca de 8 a 10 mil pessoas foram deslocadas da região para conseguir silêncio de rádio ideal. Além disso o relevo dos arredores do radiotelescópio o protegem naturalmente de perturbações eletromagnéticas.
O Fast será usado para tentar descobrir a existência de hidrogênio neutro em galáxias distantes e também pulsares distantes ("bolas" de nêutrons muito magnetizadas).
Além disso, o radiotelescópio também aumenta a possibilidade de detectar ondas gravitacionais de baixa frequência.
Sua construção ocorreu em tempo record, 5 anos.

O programa espacial do país se transformou em uma das prioridades do governo chinês. Em 2018 o país deve lançar um "módulo central" para sua primeira estação espacial.

SATÉLITE METEOROLÓGICO SERIE GOES INAUGURA NOVA ERA.



A primeira espaçonave de uma nova série de satélites meteorológicos avançados da NASA será lançado sábado 19 de novembro, a bordo de um foguete United Launch Alliance Atlas V no Cabo Canaveral, Florida.

Uma vez em órbita geoestacionária, o GOES-R será conhecido como GOES-16 e fornecerá imagens de padrões meteorológicos e tempestades severas tão regularmente quanto a cada cinco minutos ou tão freqüentemente quanto a cada 30 segundos. Estas imagens podem ser usadas para auxiliar nas previsões meteorológicas, previsões de tempo severo, relógios e avisos, condições de raio, previsões marítimas e previsões de aviação. Ele também irá auxiliar na previsão a mais longo prazo, como nas previsões sazonais e perspectivas de seca. Além disso, as condições meteorológicas espaciais serão monitoradas constantemente, incluindo os efeitos das chamas solares para fornecer aviso prévio de potencial falha de comunicação e interrupções de navegação. Também ajudará os pesquisadores a compreender as interações entre a terra, os oceanos, a atmosfera e o clima. O satélite meteorológico GOES-R foi construído por Lockheed Martin. 

United Launch Alliance Atlas V 

2016 SUPERARÁ OS 5 ANOS MAIS QUENTES DA HISTÓRIA


O NÍVEL DO MAR AUMENTA, E A EXTENSÃO DA CAMADA DE GELO MARINHO DO ÁRTICO DIMINUI. ESSE É O BALANÇO DOS ÚLTIMOS 5 ANOS, OS MAIS QUENTES DESDE QUE SE TEM REGISTROS.

Os resultados do informe “The Global Climate em 211-2015” apresentados pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) na Cúpula do Clima de Marrakech (Marrocos)  não deixam dúvidas, as conseqüências a longo prazo das mudanças climáticas são devastadoras para a Terra e seus habitantes.
Desde que contamos com registros, o período de 2011 a 2015 é o mais quente da história. Nestes 5 anos o nível do mar subiu, a extensão de gelo do Ártico diminuiu assim como também as áreas glaciais continentais e a cobertura de neve do hemisfério norte. Pelos dados obtidos até agora a temperatura continua subindo. O fato é que já faz um ano que essa história se repete. De abril do ano passado até abril deste ano, todos os meses foram os mais quentes já registrados. E, assim, 2016 já é candidato fácil a superar 2015, que recebeu o título do ano mais quente da história.

OS EFEITOS DEVASTADORES


Pelo menos 260.000 pessoas morreram devido as secas a mudança do clima entre 2010 e 2012 a oeste da África e entre 2013 e 2015 ao sul do continente. Inundações e ondas de calor também sacrificaram muitas vidas.
Quanto a perdas econômicas, o furacão Sandy causou perdas de 67 bilhões de dólares nos EUA e as inundações da Ásia em 2011 ocasionaram perdas de 40 bilhões de dólares.
Segundo especialistas, as emissões de gases de efeito estufa são os principais responsáveis (em 2015 alcançaram pela primeira vez 400 partes por milhão).
Os efeitos das mudanças climáticas tem sido visíveis desde a década de 80: aumento global da temperatura, do nível do mar e do degelo. Isto tem incrementado acontecimentos como ondas extremas de calor, secas e inundações, comenta Petteri Taalas, secretário geral da OMM.

O período de 2011 a 2015 foi Record na escala mundial, sendo 2015 seguido de 2014 o mais quente, onde as temperaturas superaram em 0,76° C o período anterior de referencia (1961-1990) e as temperaturas globais foram em média 1°C mais elevadas em relação à era pré-industrial. 


CURIOSIDADES FOTOGRÁFICAS DO IMPÉRIO

As últimas imagens da família imperial brasileira

Em 15 de novembro de 1889 o Império brasileiro foi derrubado. Acima a última fotografia da herdeira do trono brasileiro Princesa Isabel, tirada em Paris em 1920.
Muitas pessoas acreditam que não haveria retrato de Dom Pedro II, ainda Jovem. Mas, uma possível primeira "Sefie" da história do Brasil, não poderia partir de ninguém menos que nosso Imperador. Um auto-retrato de si mesmo. Ele posicionou sua câmera fotográfica em cima da mesa e com uma cordinha amarrada a ela, puxou o dispositivo para tirar a foto. Dom Pedro, em uma carta, revelou o segredo do ato: a corda passava por dentro de suas roupas e a mão dentro do seu paletó a puxou.

Possível auto-retrato feito no Palácio de São Cristóvão, Rio de Janeiro, aproximadamente em 1860, Dom Pedro II, com aproximadamente 35 anos.

Mais uma belíssima foto do Magnânimo Dom Pedro II do Brasil e Dnª Thereza Cristina com as filhas e genros Dnª Isabel e Conde D'Eu + Dnª Leopoldina e Duque de Saxe.

                            O imperador e a imperatriz nos jardins do Palácio de Petrópolis em 1888.


Uma das últimas e poucas fotografias tirada da Família Imperial Brasileira, com todos seus integrantes juntos e unidos em 1889. A família posa em Petrópolis (Dona Teresa Cristina, sentada, e, de pé, Isabel, dom Pedro II, o neto Pedro Augusto, e o conde d’Eu): no diário, o sofrimento ao partir, deposto pela então República recém criada. (Foto Museu Imperial)

15 DE NOVEMBRO: PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA OU GOLPE?



POR QUE PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA E NÃO GOLPE?
Pressionado por setores do Exército e pelos republicanos a liderar a deposição da monarquia, o marechal Deodoro da Fonseca hesitava. Não queria bater de frente com “o velho”, o imperador dom Pedro 2°, que respeitava. Falava em um dia poder acompanhar o caixão do monarca.
Mas Deodoro acabou cedendo às pressões e em 15 de novembro de 1889, derrubou o regime, virou o primeiro presidente e o feriado da Proclamação da República está aí.

                                  Detalhe de “Proclamação da República”, de Benedito Calixto
Agora, por que o senso comum fala de “proclamação” e não de golpe?
Afinal, o Exército derrubou o imperador e o governo constitucional, que ali estava de acordo com a Carta de 1824. Gestado pelas elite econômico-militar insatisfeita com os rumos do país, o movimento não teve participação popular que o legitimasse.
A família Bragança foi tirada do país de madrugada, para evitar reações populares. Sob os protestos de dom Pedro, que teria protestado: “Não sou negro fugido. Não embarco nessa hora. Os senhores são uns doidos!”
Segundo o cientista político e historiador José Murilo de Carvalho, autor de “Os bestializados: o Rio de Janeiro e a República que não foi”, foi um movimento “ilegal e ilegítimo”.
“O movimento republicano existia, mas sem condições de chegar ao poder por via legal. Uma alternativa discutida era uma constituinte para decidir a forma de governo, mas o movimento se precipitou, não houve tempo. Então, golpe ou proclamação da república?
"À vista da proclamação que me foi entregue hoje às 3 horas da tarde, resolvo, partindo ao império das circunstancias, partir com minha família para a Europa, deixando a pátria que durante quase meio século governei como chefe de estado."
Últimas palavras de despedida escritas após proclamação e/ou golpe de 1889, fazendo assim cair um dos maiores impérios do Mundo. Sem direito alguma de defesa!
O Imperador Dom Pedro II, um dos homens mais respeitado como chefe de estado, foi expulso e deportado com toda sua família, sem dó nem piedade por pessoas sem noção da Asneira que estavam fazendo. Não poderiam imaginar que estariam hoje colhendo frutos podres plantado em 15 de Novembro de 1889.

Texto extraído de HISTORIA DO TEMPO.

UM PONTO DE LUZ CHAMADO LAR.


Curiosity fotografa a Terra durante amanhecer marciano

Olhe bem para aquele pontinho branco no firmamento cinza do céu marciano. Ele é aqui. Sim, ele é nossa casa. Ali estamos nós. A Terra nos chama uma e outra vez, seja onde quer que nos encontremos, e sempre, como se cada uma fosse a primeira, nos emociona cada vez que conseguimos vê-la, mesmo que ali perdida na obscuridade. Curiosity, por exemplo, não poderia ser uma exceção e seu reencontro com seu mundo de origem ocorreu em 31 de janeiro de 2014, nesta imagem.
Brilhando nas primeiras luzes do amanhecer marciano, de forma semelhante a como olhamos Vênus no céu terrestre. A Terra aparece como uma brilhante estrela matutina sobre as distantes paredes da cratera Galé.
Embora imagens com maior resolução devam ser publicadas no futuro, as disponíveis são já suficientemente lindas. Desde esse ponto de luz Curiosity iniciou sua viagem, desde esse ponto de luz todos nós seguimos ansiosos seu trajeto. Um ponto de luz chamado lar.

Fico a imaginar-me no lugar do rover, não uma máquina sem sentimentos, mas eu, um humano sentado sobre uma rocha marciana olhando para esse pálido pontinho brilhante, meu lar, meu planeta... agora tão distante na imensidão do céu, que sentimentos me despertariam?

BELEZA E MISTÉRIOS NA GALAXIA DO REDEMOINHO



No dia 13 de outubro de 1773, o astrônomo Charles Messier, descobriu a galáxia do Redemoinho, primeira a ser classificada como uma galáxia espiral que se liga a uma galáxia satélite. É atualmente uma das mais conhecidas do firmamento.
Também chamada Objeto Messier 51, M51 ou NGC 5194 ou ainda Galáxia Torbellino, esta galáxia atua com um núcleo galáctico ativo NGC 5195 na constelação Canes Venatici  (cachorro caçador).
Recentemente se estimou sua localização a 23 milhões de anos luz da Via Láctea, mas diferentes métodos dão sua localização entre 15 e 35 milhões de anos luz. Apesar dessa distância, Messier 51 e sua companheira NGC 5195 podem ser vistas facilmente pelos astrônomos, inclusive através de binóculos potentes.

A Galáxia do Redemoinho é também objeto de estudos pelos astrônomos profissionais que buscam entender mais sobre a estrutura das galáxias (em particular com a estrutura associada com os braços em espiral) e suas interações.


ESTAMOS EM NOITES DE SUPER LUA



Super lua foi um termo inventado por um astrólogo americano, Richard Nolle em 1979. Em um artigo publicado na revista Horóscopo chamou assim a uma lua nova e cheia que ocorre quando a Lua está em sua maior aproximação com a Terra em uma determinada órbita. Em suma, quando Terra, Lua e Sol estão alinhados,  e a  Terra está no centro do alinhamento, ocorre a chamada super lua. Na verdade a Lua está cheia e no perigeu. A órbita da Lua em torno da Terra é ligeiramente elíptica e suas duas extremidades são chamadas de apogeu e perigeu, quando está mais longe e mais perto de nosso planeta.
A distância média da Terra à Lua é de 384.400 Km mas quando a Lua está no apogeu é de 406.000 Km e quando está no perigeu é de 356.000 Km

A Lua cheia no perigeu ocorre a cada 13 meses e 18 dias por isso não é tão incomum. A Lua cheia de perigeu parece maior até 14% do tamanho que costumamos vê-la por por estar mais próxima da Terra.


A VERDADEIRA FACE DE SÊNECA


O verdadeiro busto de sêneca, descoberto em escavações arqueológicas com o nome escrito em mármore

Nascido em Córdoba entre os anos 4 e 1 a.C., Lucius Annaeus Sêneca era a própria imagem de sua época. Segundo filho de Sêneca, o Orador, e por isso também conhecido como Sêneca, o Jovem, mudou-se cedo para Roma. Tinha um vivo interesse pela filosofia dos mestres, como o estóico Átalo, ou o pitagórico Sótio. Para eles, a moral tinha prioridade absoluta. Sêneca conseguiu se destacar em uma sociedade cuja elite valorizava um mesmo ideal: ser orador. Em torno da eloqüência organizavam-se reuniões de salão e leituras públicas. Sêneca fez parte da Corte romana, e se comprazia em uma vida requintada que não combinava com seus ensinamentos. Não se deixar corromper, não ser tentado pelo luxo e pela luxúria, levar uma vida simples e honesta: essa era a sua filosofia. Mas não sua vida. Foi mais retórico que estóico, mais trapaceiro que honesto e mais ligado ao artifício que à verdade.
Entre seus famosos textos que são muitos destaca-se “Cartas a Lucilio” do qual tiro esse breve texto que nos leva a um momento de reflexão:

SABER DESFRUTAR TODOS OS TEMPOS

Nós mostramo-nos ingratos em relação ao que nos foi dado por esperarmos sempre no futuro, como se o futuro (na hipótese de lá chegarmos) não se transformasse rapidamente em passado. Quem goza apenas do presente não sabe dar o correcto valor aos benefícios da existência; quer o futuro quer o passado nos podem proporcionar satisfação, o primeiro pela expectativa, o segundo pela recordação; só que enquanto um é incerto e pode não se realizar, o outro nunca pode deixar de ter acontecido. Que loucura é esta que nos faz não dar importância ao que temos de mais certo? Mostremo-nos satisfeitos por tudo o que nos foi dado gozar, a não ser que o nosso espírito seja um cesto roto onde o que entra por um lado vai logo sair pelo outro!


Séneca, in 'Cartas a Lucílio'

Sêneca e Pompéia Paulina, sendo separados na hora do suicídio: o filósofo morreu sem saber que sua mulher, poupada por Nero, fora salva da morte. Pompéia jamais se casaria novamente e viveu uma vida de recolhimento após a morte do marido

AS BONECAS DE CHANCAY - PERU


O vocábulo “chancay” vem do quechua Chanka Ayllu, que significa clan familiar. Ao chegarem ao Peru, a população que encontraram os espanhóis neste lugar a 70 Km de Lima eram famílias provenientes de Ayacucho, de origem chanca.

A cultura chancay  vai de 1200 a 1450 d.c. e tinha como área a parte baixa do Rio Chillon, devia ser uma sociedade densamente povoada, a julgar pelos grandes sítios arqueológicos e numerosos cemitérios. De sua arte se destacam as bonecas e cenas de bonecas feitas de telas.







OS CACHORROS CHINOS

Se trata de cães que viviam na costa do Perú. Sua aparência é muito especial pois só tem pelos na cabeça. Lendas contam que os Chancay enterravam esses cães na entrada das tumbas para que eles guiassem os mortos pelos caminhos.


DONALD JOHANSON: AINDA SOMOS NÔMADES, PRESOS ENTRE PAREDES E ROTINAS

” DONALD JOHANSON, paleoantropologo, descobridor da australopithecus Lucy.
“Idade? Vivo aqui e agora. Lucy também vivia assim. Cresci em Connecticut, onde um antropólogo judeu, fugido de Hitler, me fez descobrir o antepassado do homem. Nosso cérebro ainda é caçador e coletor, por isso viver fechados nos causa angustia.

Ainda escuta os Beatles?
Me encantam. E muitas vezes também me coloquei como Lucy no céu entre diamantes. A musica tocava dia e noite no acampamento onde descobrimos a Australopithecus, em Afar, Etiópia.
Como vivia Lucy?
Supomos que não tinha mais que 13 anos quando morreu. Suas condições de vida não eram nada invejáveis, mas gostaria de esquecer o passado – é irremediável – e o futuro – é imprevisível – sem temer a morte – é irremediável e imprevisível – para apreciar o aqui e agora, o presente é tudo que realmente temos. É o kit imprescindível para que nós, sapiens, entendamos que nossas vidas valem a pena. E não creia que é fácil.
Por que?
Porque nosso cérebro e nosso corpo ainda evolui a um ritmo glacial, como descreveu Darwin, muito lentamente...
Mas nossa tecnologia vai muito depressa.
Sim, a evolução cultural humana avançou mais nos últimos cem anos do que em 3 milhões de anos que se passaram desde o período em que Lucy viveu, e continua acelerando.
O progresso causa um desajuste?
Isso causa um alvoroço entre a evolução genética de nossos cérebros e nossos corpos e a evolução cultural que criamos. Estamos impressionados com a aceleração tecnológica que nos separa do ambiente e do tempo e nos causam problemas.
A tecnologia não é obrigatória?
Uma vez que se consegue um avanço tecnológico, é impossível abandoná-lo, como aconteceu com a agricultura, que empobreceu a vida dos humanos – é só olhar os fósseis – mas não havia retorno.
Agricultura e cidades tem apenas 12.000 anos de existência, por isso nosso cérebro ainda é nômade, caçador e coletor e não teve tempo para adaptar-se ao trabalho trancado, obedecendo a rotinas.
Nossos corpos foram criados para a vida ao ar livre, mas nos encerramos entre paredes lamentando o passado perdido e temendo o futuro.
Assim, quando tiveres problemas na vida, de um passeio pelo bosque e seu cérebro se conectará com o entorno e num instante, como o primata que ainda está em você, verá como ficaram distantes os problemas de seu trabalho.
Qual a principal mensagem que Lucy te transmitiu?
Foram dúvidas. Não sabemos porque se interrompeu a cadeia evolutiva entre nós e os australopitecos. Parece que uma grande mudança climática os exterminou. Eles eram um ponto de ramificação em nossa evolução.
Mal Presságio?
Temo que nossa espécie, que já perdeu muito de sua conexão com a natureza, acabe como os dinossauros, depois de destruir o planeta.
Nós somos primatas e, portanto gregários. Há muitos poucos lideres e muitas vezes o são apenas pelas circunstâncias. Cabe aos cientistas mais lúcidos agir agora, explicando a ciência para melhor conhecermos nosso planeta para que possamos amá-lo, porque não destruiremos o que amamos.


ÁRTICO PODERÁ NÃO TER MAIS GELO NO VERÃO DE 2050



Cada tonelada de dióxido de carbono (CO2) que é lançada na atmosfera provoca o desaparecimento de 3 metros quadrados de gelo no Ártico durante o verão. Este é o cálculo que apresentou a revista SCIENCE na primeira semana do novembro (2016) em estudo liderado pelo professor Dirk Notz, diretor do grupo de investigação sobre gelo marinho no Instituto Max Planck de Meteorologia (Alemanha) e a professora Juliene Stroeve, do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo em Boulder (EUA).
O estudo oferece um sistema de cálculo muito mais exato sobre a relação entre emissões de CO2 e perda de gelo. Aponta também que se a emissão deste tipo de gás de efeito estufa provoca um aumento da temperatura média de 2 graus Celsius (em relação à temperatura pré industrial) o Ártico perderá todo o seu gelo em épocas de verão.
O Estudo aponta também que mesmo a temperatura não atingindo o aumento de 2 graus  mas manter o atual ritmo de crescimento da concentração de CO2 na atmosfera, o Ártico estará sem gelo em meados de 2050.
As mudanças climáticas aceleradas pelas atividades humanas são aprincipal causa do degelo do Ártico, mas os autores deste novo estudo reconhecem que é praticamente impossível calcular exatamente a data em que o Ártico deixará de ter gelo permanente durante o verão por haverem fatores locais e meteorológicos que também afetam esse processo.
Mas quanto é uma tonelada de CO2? Para se ter uma idéia um carro a gasolina que percorre 20.000 km em um ano emite 3,8 toneladas de CO2. Assim, só com nosso carro somos responsáveis a cada ano pelo desaparecimento de 11,4 metros quadrados de gelo. (se rodarmos apenas 20.000 Km por ano.)


O rápido desaparecimento do gelo marinho do Ártico é um dos indicadores mais diretos das mudanças climáticas em nosso planeta. Nos últimos 40 anos a cobertura de gelo no verão perdeu mais da metade de sua superfície.
A pesquisadora Julienne Stroeve detalha que até agora as mudanças climáticas são sentidas de forma abstrata, deixando as pessoas de perceber seu real peso. Para dar um exemplo a professora Stroeve detalha que em função das emissões de CO2 que produzem os aviões, para cada assento em um vôo de ida e volta de Londres a S. Francisco desaparecem 5 metros quadrados de gelo marinho do Ártico.
O estudo conclui que o objetivo de aquecimento global acordado a nível internacional pelo Acordo de Paris poderá ser insuficiente para assegurar que o Ártico continue tendo gelo no verão.

Somente se as emissões de dióxido de carbono se mantiverem a níveis que permitam assegurar que o aquecimento global será inferior a 1,5 ºC,como se propõem no Acordo de Paris, o gelo marinho do verão no Ártico tem a possibilidade real de sobreviver para além de 2050.


ARTIGO CIENTÍFICO DE REFERÊNCIA:
Observed Arctic sea-ice loss directly follows anthropogenic CO2 emission. Notz, D. y J. Stroeve. Science, 4 nov. 2016 doi: 10.1126/science.aag2345.

CHINA LANÇA O LONGA MARCHA CZ-5 E ENTRA NA CORRIDA ESPACIAL




Lançamento de foguetes, satélites e módulos tem sido muito freqüentes nos últimos tempos e às vezes nem despertam interesse da mídia e do público. Mas o lançamento da base de Wenchang, China, no dia 3 de novembro do foguete Longa Marcha CZ 5,  torna-se um marco importante na corrida espacial pois coloca a China como uma potência espacial e talvez o ponto de partida de uma nova era.
O que há de tão importante no Longa Marcha CZ 5? É que com ele a China adota um lançador capaz de colocar em órbita bases de até 23 toneladas e 14 toneladas em órbita geoestacionária, ou seja, a China se coloca ao nível de EUA, URSS e ESA que até agora eram os únicos que tinham lançadores com tal capacidade.
O CZ 5 está no mesmo nível de capacidade do Delta IV Heavy (EUA), Falcon 9, o Angara A5 e Proton M (URSS) ou o Ariane 5.  O CZ 5 é fundamental para os futuros planos chineses.
O êxito de seu lançamento deixa o caminho livre para os 3 eixos principais do programa espacial chinês. O CZ 5 é o lançador de foguetes (3 fases, a primeira das quais com motores criogênicos) escolhido para colocar em órbita o Tianhe, Wentian e os módulos Mengtian, que irão constituir a base espacial permanente Tiangong no início da próxima década. Também deverá  lançar as sondas lunares Chang e 4 e Chang e 5 (2017/18) para estudar a face oculta da Lua, e ainda o mais notável: deverá impulsionar a primeira e ambiciosa missão a Marte (2020) que inclui uma sonda orbital e um rover de superfície. Todos esses ambiciosos projetos tiveram sua largada inicial com esse lançamento teste de 03 de novembro.

E a China não para por aí, já há estudos para um futuro Longa Marcha CZ 9, um equivalente ao igualmente colossal US SLS.



O QUE PODE SUBSTITUIR O CAPITALISMO VIGENTE?



Uma reflexão do filósofo Slavoj Žižek durante a Occupy Wall Street

Não se apaixonem por si mesmos, nem pelo momento agradável que estamos tendo aqui.
Carnavais custam muito pouco – o verdadeiro teste de seu valor é o que permanece no dia seguinte, ou a maneira como nossa vida normal e cotidiana será modificada. Apaixone-se pelo trabalho duro e paciente – somos o início, não o fim. Nossa mensagem básica é: o tabu já foi rompido, não vivemos no melhor mundo possível, temos a permissão e a obrigação de pensar em alternativas. Há um longo caminho pela frente, e em pouco tempo teremos de enfrentar questões realmente difíceis – questões não sobre aquilo que não queremos, mas sobre aquilo que QUEREMOS. Qual organização social pode substituir o capitalismo vigente? De quais tipos de líderes nós precisamos? As alternativas do século XX obviamente não servem.
Então não culpe o povo e suas atitudes: o problema não é a corrupção ou a ganância, mas o sistema que nos incita a sermos corruptos. A solução não é o lema “Main Street, not Wall Street”, mas sim mudar o sistema em que a Main Street não funciona sem o Wall Street. Tenham cuidado não só com os inimigos, mas também com falsos amigos que fingem nos apoiar e já fazem de tudo para diluir nosso protesto. Da mesma maneira que compramos café sem cafeína, cerveja sem álcool e sorvete sem gordura, eles tentarão transformar isto aqui em um protesto moral inofensivo. Mas a razão de estarmos reunidos é o fato de já termos tido o bastante de um mundo onde reciclar latas de Coca-Cola, dar alguns dólares para a caridade ou comprar um cappuccino da Starbucks que tem 1% da renda revertida para problemas do Terceiro Mundo é o suficiente para nos fazer sentir bem. Depois de terceirizar o trabalho, depois de terceirizar a tortura, depois que as agências matrimoniais começaram a terceirizar até nossos encontros, é que percebemos que, há muito tempo, também permitimos que nossos engajamentos políticos sejam terceirizados – mas agora nós os queremos de volta.
Dirão que somos “não americanos”. Mas quando fundamentalistas conservadores nos disserem que os Estados Unidos são uma nação cristã, lembrem-se do que é o Cristianismo: o Espírito Santo, a comunidade livre e igualitária de fiéis unidos pelo amor. Nós, aqui, somos o Espírito Santo, enquanto em Wall Street eles são pagãos que adoram falsos ídolos.
Dirão que somos violentos, que nossa linguagem é violenta, referindo-se à ocupação e assim por diante. Sim, somos violentos, mas somente no mesmo sentido em que Mahatma Gandhi foi violento. Somos violentos porque queremos dar um basta no modo como as coisas andam – mas o que significa essa violência puramente simbólica quando comparada à violência necessária para sustentar o funcionamento constante do sistema capitalista global?
Seremos chamados de perdedores – mas os verdadeiros perdedores não estariam lá em Wall Street, os que se safaram com a ajuda de centenas de bilhões do nosso dinheiro? Vocês são chamados de socialistas, mas nos Estados Unidos já existe o socialismo para os ricos. Eles dirão que vocês não respeitam a propriedade privada, mas as especulações de Wall Street que levaram à queda de 2008 foram mais responsáveis pela extinção de propriedades privadas obtidas a duras penas do que se estivéssemos destruindo-as agora, dia e noite – pense nas centenas de casas hipotecadas…
Nós não somos comunistas, se o comunismo significa o sistema que merecidamente entrou em colapso em 1990 – e lembrem-se de que os comunistas que ainda detêm o poder atualmente governam o mais implacável dos capitalismos (na China). O sucesso do capitalismo chinês liderado pelo comunismo é um sinal abominável de que o casamento entre o capitalismo e a democracia está próximo do divórcio. Nós somos comunistas em um sentido apenas: nós nos importamos com os bens comuns – os da natureza, do conhecimento – que estão ameaçados pelo sistema.
Eles dirão que vocês estão sonhando, mas os verdadeiros sonhadores são os que pensam que as coisas podem continuar sendo o que são por um tempo indefinido, assim como ocorre com as mudanças cosméticas. Nós não estamos sonhando; nós acordamos de um sonho que está se transformando em pesadelo. Não estamos destruindo nada; somos apenas testemunhas de como o sistema está gradualmente destruindo a si próprio. Todos nós conhecemos a cena clássica dos desenhos animados: o gato chega à beira do precipício e continua caminhando, ignorando o fato de que não há chão sob suas patas; ele só começa a cair quando olha para baixo e vê o abismo. O que estamos fazendo é simplesmente levar os que estão no poder a olhar para baixo…
Então, a mudança é realmente possível? Hoje, o possível e o impossível são dispostos de maneira estranha. Nos domínios da liberdade pessoal e da tecnologia científica, o impossível está se tornando cada vez mais possível (ou pelo menos é o que nos dizem): “nada é impossível”, podemos ter sexo em suas mais perversas variações; arquivos inteiros de músicas, filmes e seriados de TV estão disponíveis para download; a viagem espacial está à venda para quem tiver dinheiro; podemos melhorar nossas habilidades físicas e psíquicas por meio de intervenções no genoma, e até mesmo realizar o sonho tecnognóstico de atingir a imortalidade transformando nossa identidade em um programa de computador. Por outro lado, no domínio das relações econômicas e sociais, somos bombardeados o tempo todo por um discurso do “você não pode” se envolver em atos políticos coletivos (que necessariamente terminam no terror totalitário), ou aderir ao antigo Estado de bem-estar social (ele nos transforma em não competitivos e leva à crise econômica), ou se isolar do mercado global etc. Quando medidas de austeridade são impostas, dizem-nos repetidas vezes que se trata apenas do que tem de ser feito. Quem sabe não chegou a hora de inverter as coordenadas do que é possível e impossível? Quem sabe não podemos ter mais solidariedade e assistência médica, já que não somos imortais?
Em meados de abril de 2011, a mídia revelou que o governo chinês havia proibido a exibição, em cinemas e na TV, de filmes que falassem de viagens no tempo e histórias paralelas, argumentando que elas trazem frivolidade para questões históricas sérias – até mesmo a fuga fictícia para uma realidade alternativa é considerada perigosa demais. Nós, do mundo Ocidental liberal, não precisamos de uma proibição tão explícita: a ideologia exerce poder material suficiente para evitar que narrativas históricas alternativas sejam interpretadas com o mínimo de seriedade. Para nós é fácil imaginar o fim do mundo – vide os inúmeros filmes apocalípticos –, mas não o fim do capitalismo.

Em uma velha piada da antiga República Democrática Alemã, um trabalhador alemão consegue um emprego na Sibéria; sabendo que todas as suas correspondências serão lidas pelos censores, ele diz para os amigos: “Vamos combinar um código: se vocês receberem uma carta minha escrita com tinta azul, ela é verdadeira; se a tinta for vermelha, é falsa”. Depois de um mês, os amigos receberam a primeira carta, escrita em azul: “Tudo é uma maravilha por aqui: os estoques estão cheios, a comida é abundante, os apartamentos são amplos e aquecidos, os cinemas exibem filmes ocidentais, há mulheres lindas prontas para um romance – a única coisa que não temos é tinta vermelha.” E essa situação, não é a mesma que vivemos até hoje? Temos toda a liberdade que desejamos – a única coisa que falta é a “tinta vermelha”: nós nos “sentimos livres” porque somos desprovidos da linguagem para articular nossa falta de liberdade. O que a falta de tinta vermelha significa é que, hoje, todos os principais termos que usamos para designar o conflito atual – “guerra ao terror”, “democracia e liberdade”, “direitos humanos” etc. etc. – são termos FALSOS que mistificam nossa percepção da situação em vez de permitir que pensemos nela. Você, que está aqui presente, está dando a todos nós tinta vermelha.

QUE HUMANIDADE É ESTA?

Em nossos momentos de reflexão vamos dar um momento a José Saramago



Que Humanidade é Esta?
Se o homem não for capaz de organizar a economia mundial de forma a satisfazer as necessidades de uma humanidade que está a morrer de fome e de tudo, que humanidade é esta? Nós, que enchemos a boca com a palavra humanidade, acho que ainda não chegámos a isso, não somos seres humanos. Talvez cheguemos um dia a sê-lo, mas não somos, falta-nos mesmo muito. Temos aí o espectáculo do mundo e é uma coisa arrepiante. Vivemos ao lado de tudo o que é negativo como se não tivesse qualquer importância, a banalização do horror, a banalização da violência, da morte, sobretudo se for a morte dos outros, claro. Tanto nos faz que esteja a morrer gente em Sarajevo, e também não devemos falar desta cidade, porque o mundo é um imenso Sarajevo. E enquanto a consciência das pessoas não despertar isto continuará igual. Porque muito do que se faz, faz-se para nos manter a todos na abulia, na carência de vontade, para diminuir a nossa capacidade de intervenção cívica. 


José Saramago in “Canárias”.

NA CONTRA MÃO DO MUNDO BRASIL INVESTIRÁ NA ENERGIA SUJA DO CARVÃO





O Acordo de Paris, importante ferramenta para enfrentar o desafio das mudanças climáticas, passa a valer nesta sexta-feira, 4 de novembro. Assinado por 192 países-membros da ONU, une governos de todo o mundo em torno do compromisso de evitar um aquecimento global superior a 1,5 º. É um objetivo tão ambicioso quanto urgente, tendo em vista que já vivemos em um planeta 0,8 º mais quente do que o medido antes da Revolução Industrial.
Barrar esse aquecimento exige rápidos cortes nas emissões dos chamados gases de efeito estufa, que se acumulam na atmosfera. Eles emanam de atividades em diversos setores, com destaque para o energético, o agropecuário e o de mudanças no uso do solo (especialmente desmatamento). Dentre todas as fontes, uma se destaca: a geração de energia pela queima do carvão mineral. Sozinha, a atividade corresponde a quase um terço do total desses gases emitido em todo o mundo.Surpreende, então, que o nosso Congresso Nacional queira destinar incentivos justamente para o carvão. Isso se pretende por meio do artigo 20 da Medida Provisória 735/16, aprovada em 19 de outubro. Ela agora está nas mãos do presidente Michel Temer para sanção ou veto.
O Acordo de Paris exige o fim do uso de combustíveis fósseis até 2050 se estivermos levando a sério a meta de ficar abaixo dos 1,5º. Ultrapassar esse limite significaria enfrentar consequências drásticas. Entre elas, o desaparecimento de países-ilhas devido à elevação do nível do mar. No mundo todo se intensifica o desinvestimento nessas fontes de energia, um movimento endossado pela ONU. Da China à Noruega, o carvão deverá ser o primeiro a sair da cena em diversos países. No Brasil, o ano de 2014 registrou apenas 3% da nossa eletricidade vinda do carvão. Mas a fonte respondeu por assombrosos 22% das emissões da matriz elétrica.
Queimar carvão também gera uma poluição que está associada a graves problemas de saúde, levando a mais de 800 mil mortes prematuras por ano ao redor do mundo. E além de tudo isso, o carvão é uma fonte cara. Os preços das contas de luz sobem cada vez que o governo opta por ligar usinas térmicas para compensar baixos níveis de reservatórios nas hidrelétricas. Ao mesmo tempo, ao redor do mundo alternativas verdadeiramente sustentáveis como a energia eólica e a energia solar já apresentam preços mais baixos.
O uso do carvão, portanto, é um desastre climático, um mau negócio e um golpe na saúde de muitos brasileiros. Ampliar o apoio a essa fonte –como proposto na Medida Provisória 735/16, aprovada por nossos deputados e senadores– significaria negar promessas que fizemos para o mundo e impactar diretamente cidadãos, beneficiando apenas aqueles que produzem essa energia suja.
O texto da Medida Provisória até tenta parecer comprometido com o combate às mudanças climáticas ao propor um corte de 10% nas emissões de termelétricas a carvão. Mas isso é pouco significativo dado o tamanho do problema, funcionando como distração e não como solução. Precisamos seguir rumo ao fim do carvão e a 100% energias renováveis, como pede o Acordo de Paris e como o Greenpeace mostra que é possível na nova edição de seu relatório Revolução Energética.

No início de outubro, o governo federal apontou na direção certa quando o BNDES anunciou que não vai mais financiar carvão, uma notícia que reverberou positivamente por todo o mundo. Cabe a Temer manter a coerência e vetar o artigo da Medida Provisória que oferece incentivos a essa fonte energética do passado.

ENTRA EM VIGOR ACORDO DE PARIS

Entra oficialmente em vigor nesta sexta-feira (4/11/2016) o Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas. O tratado, adotado pelos líderes mundiais em dezembro de 2015 na capital francesa, estabelece mecanismos para que todos os países limitem o aumento da temperatura global e fortaleçam a defesa contra os impactos inevitáveis da mudança climática.

Estabelecido em dezembro do ano passado, o acordo foi assinado por representantes de 195 países, que se comprometeram na Conferência na capital francesa a deter o aumento da temperatura do planeta a, pelo menos, 1,5 graus Celsius e a ajudar os países economicamente vulneráveis a deter o aquecimento.

Um total de 92 países já ratificaram o Acordo. O limite mínimo era de 55 países, que representam 55% das emissões mundiais de gases do efeito estufa, ratificassem para que entrasse em vigor.

O Brasil foi um dos primeiros países a confirmar a participação no Acordo de Paris. O Senado Federal aprovou, em agosto, o projeto que valida a adesão brasileira ao pacto.

Com a ratificação, o País assumiu como objetivo cortar as emissões de gases de efeito estufa em 37% até 2025, com o indicativo de redução de 43% até 2030 – ambos em comparação aos níveis de 2005.


Entre as políticas para alcançar essas metas, o país terá, por exemplo, que aumentar a participação de fontes renováveis na matriz energética, e recuperar e reflorestar áreas desmatadas. O País ainda se comprometeu a zerar o desmatamento da Amazônia Legal e a restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030.