A ESCULTURA DE MADEIRA MAIS ANTIGA DO MUNDO: 11.000 ANOS



O notável Idolo de Shigir é coberto em código criptografado que podem ser mensagens dos homens primitivos. Esta é de longe a mais antiga escultura de madeira do mundo.
O acelerador de espectrometria de massa (AMS) é o culpado por esta escultura em madeira, de repente, com idade entre 1500 anos. Cientistas alemães usaram a técnica de medição de datação por radiocarbono da estátua, encontrado em 1890 em um Shigir turfeiras, no extremo leste da Sibéria. Dos cerca de 9500 anos de idade passou de 11.000, mais do dobro as pirâmides egípcias.
Shigir ídolo, já a mais antiga estátua conhecido de madeira, esculpido no início do Holoceno, época em que os humanos começaram a dominar o planeta. Os peritos pensam que a escultura foi criada por motivos religiosos ou espirituais, e demonstrando que os caçadores-coletores dos Urais eram tão avançados quanto os primeiros agricultores do Oriente Médio. Na verdade, é tão antiga quanto a estelas ou pilares antropomórfico Göbekli Tepe (sudeste da Turquia), considerado o mais antigo local de adoração no mundo.


A figura, que permanece em Yekaterinburg History Museum, mostra ao longo do corpo várias faces, símbolos e pictogramas que são objecto de especulação. Professor Mikhail Zhilin, do Instituto de Arqueologia da Academia de Ciências da Rússia, argumenta que os ornamentos que cobrem esse ídolo do Mesolítico são "informações criptografadas, uma forma de transmitir conhecimento".
O ídolo construído em larício e bem preservado na turfa, mede 5,3 metros de altura, mas a negligência de conservação o fragmentou até deixá-lo com 2.8 metros.
Mikhail Zhilin, pesquisador-chefe da Academia de Ciências da Rússia, do Instituto de Arqueologia, ficou entusiasmado com a possibilidade de analisar o ídolo. “O ornamento é coberto com nada além de informações criptografadas. As pessoas estavam passando conhecimento para o futuro, com a ajuda do ídolo. Enquanto as mensagens permanecem ‘um mistério absoluto para o homem moderno’, ficou claro que os criadores da figura viviam em total harmonia com o mundo, com desenvolvimento intelectual avançado, e um mundo espiritual complicado”, disse ele.
As marcas e hieróglifos poderiam ter vários significados para os antigos, que deram ao ídolo sete faces, das quais apenas uma é tridimensional, dizem acadêmicos.

“Se estas são imagens de espíritos que habitavam o mundo humano em tempos antigos, a posição vertical das figuras (um acima do outro) provavelmente se relacionam com a sua hierarquia”, disse o autor Petr Zolin, citando o trabalho científico feito por Svetlana Savchenko, mantenedor chefe do Shigir Idol, e Zhilin. “Imagens nos planos frontal e traseiro do ídolo, possivelmente indicam que eles pertencem a mundos diferentes. Se houver mitos sobre a origem do homem e do mundo retratado, o arranjo vertical das imagens pode refletir a sequência de eventos. Ornamentos podem ser sinais especiais que marcam algo significativo”, complementa.


COMPREENDER NOSSA ATMOSFERA...EM MARTE



“Entender o que aconteceu com a atmosfera de Marte vai informar nosso conhecimento sobre a dinâmica e evolução de qualquer atmosfera planetária”, afirmou John Grunsfeld, astronauta e administrador associado do Diretório de Missões Científicas da Nasa. A sonda MAVEN que começou suas atividades científicas há cerca de um ano também está estudando o assunto e em Marte.
Se os humanos existissem na Terra há alguns bilhões de anos, nós definitivamente não chamaríamos Marte de “planeta vermelho”. Sua cor predominante não era composta pelas tonalidades desérticas que vemos hoje, muito pelo contrário. Evidências observadas por várias sondas indicam que, naquela época distante, a água fluía abundantemente na superfície, formando rios, lagos e talvez até oceanos. A temperatura era mais amena e todo o ambiente era mais úmido - podendo, inclusive, abrigar vida.
O principal palpite dos cientistas é que essas condições climáticas quase terráqueas só foram possíveis graças à existência de uma atmosfera mais espessa, só que ela foi se perdendo ao longo das eras. Marte se tornava um lugar cada vez mais frio e seco conforme seu ar atmosférico ia escapando para o espaço. Até esta quinta-feira (5/11), as causas dessa perda gradual não eram bem compreendidas. Mas a Nasa anunciou que tem novidades sobre o processo que mudou a cara do planeta (que virou) vermelho.
Dados coletados pela sonda MAVEN, lançada em novembro de 2013 justamente para estudar a atmosfera marciana e entender o que aconteceu com ela no passado, confirmaram que o grande responsável pela dissipação da atmosfera de Marte é o vento solar. Composto por prótons e elétrons carregados que se desprendem do Sol e viajam pelo espaço a cerca de 1,6 milhão de quilômetros por hora, essas partículas que carregam campos magnéticos podem gerar campo elétrico ao passar pelo planeta vermelho. Isso acaba acelerando os íons da atmosfera superior e os lança para o espaço.

Mais do que definir o processo, a Nasa também revelou informações mais específicas sobre ele: a ação do vento solar faz com que 100 gramas de gás sejam perdidos por segundo. “Como o roubo diário de algumas moedas de um caixa, a perda se torna significativa com o tempo”, disse em comunicado Bruce Jakosky, investigador principal da missão e pesquisador da Universidade do Colorado. As medições da sonda também revelaram que a dissipação é significativamente mais intensa durante tempestades solares, o que leva a crer que a taxa era bem maior há bilhões de anos, quando o Sol era mais jovem e mais ativo. A teoria explica o porquê de o clima marciano ter mudado tão radicalmente.


A MAIORIA DOS PLANETAS HABITÁVEIS AINDA NÃO NASCERAM


A Terra chegou cedo, na evolução do Universo.
De acordo com um novo estudo teórico, publicado a 20 de outubro na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, quando o Sistema Solar surgiu, há 4,6 mil milhões de anos, apenas existiam 8% dos planetas potencialmente habitáveis que se irão formar no Universo. E a formação planetária não terá ainda terminado quando o Sol tiver terminado a sua vida, dentro de 6 mil milhões de anos.

Esta conclusão baseia-se numa estimativa de dados recolhidos pelo Telescópio Espacial Hubble e pelo observatório espacial Kepler - o prolífico caçador de planetas.

"A nossa principal motivação foi compreender o lugar da Terra no contexto do resto do Universo", disse Peter Behroozi, do Space Telescope Science Institute (STScI), em Baltimore, Maryland, autor do estudo. “Em comparação com todos os planetas que se irão formar no Universo, a Terra chegou realmente muito cedo.”

Olhando bem longe e para trás no tempo, o Hubble tem oferecido aos astrônomos um "álbum de família" de observações de galáxias que conta a história da formação estelar no Universo à medida que as galáxias foram crescendo. Os dados mostram que, há 10 mil milhões de anos, o Universo estava a fabricar estrelas a um ritmo veloz, mas a fração de hidrogênio e hélio que estava envolvida era muito baixa. Hoje, o nascimento de estrelas está a acontecer a um ritmo muito mais lento, mas há tanto gás disponível que o Universo irá continuar a fabricar estrelas e planetas durante um longo período de tempo.

"O material remanescente do Big Bang é suficiente para produzir ainda mais planetas no futuro, na Via Láctea e para lá dela", acrescentou Molly Peeples do STScI, que também participou na investigação.

A pesquisa planetária realizada pelo Kepler indica que os planetas do tamanho da Terra na zona habitável de uma estrela estão por todo o lado na nossa galáxia. Tendo por base a pesquisa, os cientistas prevêem que deve haver, no presente, mil milhões de mundos do tamanho da Terra na Via Láctea, e presumem que uma boa parte deles seja de tipo rochoso. Esta estimativa dispara quando se incluem as 100 mil milhões de galáxias do Universo observável.

Há assim imensas possibilidades de surgirem no futuro mais planetas do tamanho da Terra na zona habitável. A última estrela só deverá "morrer" daqui a 100 bilhões de anos, o que é muito tempo para literalmente poder acontecer qualquer coisa no panorama planetário.

Os investigadores dizem que as Terras futuras terão mais tendência a surgir dentro de enxames de galáxias gigantes e também em galáxias anãs, que ainda têm todo o gás disponível para fabricar estrelas e os receptivos sistemas planetários. Por outro lado, a Via Láctea já usou uma grande parte do gás disponível para a formação de estrelas no futuro.


A grande vantagem de termos chegado cedo na evolução do Universo é a capacidade que a nossa civilização já tem de utilizar telescópios potentes como o Hubble para traçar a nossa história desde o Big Bang e através da evolução das galáxias. A evidência observacional para o Big Bang e para a evolução cósmica, codificada na luz e na radiação eletromagnética em geral, será apagada dentro de 1 bilhão de anos, devido à expansão acelerada do Universo. Grande parte das civilizações futuras que porventura surjam, não terão estas provas de como o Universo surgiu e evoluiu. 

ROBO CURIOSITY DESCOBRE MAIS EVIDÊNCIAS DE ANTIGOS LAGOS EM MARTE


Cratera Gale com 154 Km de diâmetro vista do espaço.
Observações realizadas pelo robot Curiosity indicam que o monte Sharp foi formado por sedimentos depositados no leito de um grande lago no interior da cratera Gale, ao longo de dezenas de milhões de anos. Esta interpretação sugere que Marte terá mantido no passado um clima suficientemente quente e húmido para albergar lagos perenes em diversos locais do planeta vermelho.
“Se a nossa hipótese para o monte Sharp estiver correta, irá desafiar a noção de que as condições de calor e humidade em Marte eram transitórias,locais ou apenas subsuperficiais”, afirmou Ashwin Vasavada, membro da equipa científica da missão Curiosity. “Uma explicação mais radical é a de que a antiga atmosfera marciana terá elevado as temperaturas acima do ponto de congelamento a nível global, mas até agora não sabemos como terá feito isso.”
Continua a ser intrigante a razão pela qual esta enorme montanha estratificada se eleva no interior de uma cratera. Com cerca de 5,5 quilómetros de altura, Monte Sharp (oficialmente conhecido por Aeolis Mons) exibe nas suas faldas centenas de camadas de rochas sedimentares. Estas camadas guardam os vestígios de sucessivos ciclos de formação e evaporação de um lago marciano com um tamanho e duração muito superiores aos de qualquer outra antiga massa de água previamente detetada na superfície do planeta vermelho como ilustra a imagem abaixo

“Estamos a abrir caminho na resolução do mistério do monte Sharp”, disse John Grotzinger, investigador principal da missão Curiosity.  “Onde agora existe uma montanha, deverá ter existido antes uma série de lagos.”
Neste momento, o Curiosity encontra-se a explorar as camadas inferiores do monte Sharp – uma secção de rocha com 150 metros de altura, denominada formação de Murray. No passado, rios provenientes da orla da cratera Gale arrastaram areia e cascalho para o interior do lago, depositando sedimentos na foz, que formaram deltas semelhantes aos encontrados na foz de rios terrestres. Este ciclo repetiu-se inúmeras vezes ao longo de dezenas de milhões de anos.
“O que é interessante acerca de um lago que ocorre repetidamente, uma e outra vez, é que, de cada vez que se forma, temos um novo conjunto de condições que nos dizem como funciona o ambiente”, explica Grotzinger. “À medida que o Curiosity for subindo pelas encostas do monte Sharp, teremos uma série de condições que irão mostrar padrões de como interagiram a atmosfera, a água e os sedimentos. Esta é uma hipótese suportada pelo que observámos até agora, o que nos dá uma base de trabalho para testarmos no próximo ano.”

Depois da cratera ter acumulado sucessivas camadas de sedimentos, e destes se terem transformado em rocha dura, os ventos marcianos encarregaram-se de esculpir os estratos sedimentares junto à orla da cratera, dando forma, ao longo do tempo, à estrutura montanhosa que hoje se ergue no centro de Gale. Na sua longa viagem pela planície que separa o monte Sharp da orla montanhosa da cratera, o Curiosity desvendou importantes pistas acerca das sucessivas mudanças de forma do chão da cratera durante a era dos lagos.
“Encontrámos rochas sedimentares sugestivas de antigos pequenos deltas, empilhados uns em cima dos outros”, disse Sanjeev Gupta, investigadora do Colégio Imperial, em Londres, no Reino Unido, e membro da equipa científica da missão. “O Curiosity passou uma fronteira que separa um ambiente dominado por rios de um ambiente dominado por lagos.”

São várias as evidências de que Marte teve outrora um clima muito mais húmido. Porém, os cientistas não conseguiram identificar ainda as condições que poderiam ter produzido períodos de calor suficientemente longos para permitirem a presença de massas de água líquida estáveis na superfície do planeta.
A NASA tem usado o Curiosity para avaliar não só a potencial habitabilidade de antigos ambientes no interior da cratera Gale, mas também as alterações climáticas ocorridas no planeta, ao longo de milhões de anos. O projeto é ainda um elemento fundamental na preparação de uma missão tripulada a Marte, na década de 2030. “O conhecimento da evolução do ambiente marciano, adquirido através da compreensão de como se formou o monte Sharp, irá também ajudar-nos a planejar futuras missões para procurar sinais de vida marciana”, afirmou Michael Meyer, investigador principal do Programa de Exploração de Marte da NASA.

CONDIÇÃO IMUNOLÓGICA DOS YANOMAMIS ASSOMBRA CIENTÍSTAS



Em um rincão remoto da Amazônia venezuelana, um grupo de cientistas descobriu que membros de uma aldeia isolada de Yanomâmis carregam consigo as colônias mais diversas de bactérias jamais encontradas dentro do organismo humano. O microbioma – os bilhões de bactérias benéficas que convivem com os humanos – desempenham um papel crítico na manutenção da saúde. O estudo publicado em abril levanta questões surpreendentes sobre a diversidade microbiana de nossos antepassados, como se a dieta e o estilo de vida ocidentais estão nos privando de alguns microorganismos que nos seriam benéficos.
O mais assombroso é que este grupo de indígenas yanomani têm em seu organismo gens com a capacidade de resistir ao tratamento com antibióticos, embora os indígenas provavelmente nunca foram expostos a medicamentos modernos.
Esta população isolada oferece uma oportunidade única de expreitar com o microscópio o nosso passado microbiano, disse o professor José Clemente, professor adjunto de Genética na Escola de Medicina Icahn no Hospital Monte Sinai em Nova York.
Os resultados reforçam uma teoria de que a diminuição da diversidade microbiana se associa a enfermidades imunológicas e metabólicas, como alergias, asmas e diabetes, que estão aumentando.
O desafio é determinar quais são as bactérias importantes cujas funções necessitamos para estarmos saudáveis.
Todo ser humano é portador de um grupo personalizado de micróbios que vivem no nariz, na boca, na pele e nos intestinos. Este zoológico biológico começa a formar-se a partir do nascimento e varia de indivíduo para indivíduo, dependendo de onde vive, sua dieta, veio ao mundo por cesariana ou não e também pela exposição de antibióticos.
A maior parte do que os cientistas conhecem sobre o microbioma humano provem de estudos sobre norte-americanos, como o Projeto de Microbioma Humano dos governos dos EUA e europeus. Porém, cada vez mais os cientistas tratam de compara-los com populações não ocidentais, em especial os que mantem estilos de vida tradicionais, como os isolados yanomamis.
Os yanomamis seguem vivendo como caçadores e coletores em bosques e montanhas na fronteira entre Venezuela e Brasil e como grupo são bastante conhecidos. Mas a investigação tratada na revista Science Advances se baseou em uma população yanomami pouco conhecida que vive nas montanhas do sul da Venezuela. Os investigadores dizem que não revelam o nome do grupo por motivos de privacidade mas indicam que foi visitado pela primeira vez por uma expedição médica venezuelana em 2009 que coletou mostras fecais, histológicas e de saliva de 34 habitantes.
Os cientistas compararam o DNA bacterial dos indígenas com amostras de cidadãos norte-americanos e concluíram que  os microbiomas destes últimos são 40% menos diversos. Os microbiomas dos yanomamis foram também mais diversos que as amostras de outras populações indígenas com maior exposição à cultura ocidental como os guahibos da Venezuela e comunidades rurais de Malaui no sudeste da África.

Os yanomamis possuem algumas bactérias únicas com efeitos benéficos para a saúde, como por exemplo para combater a formação de cálculos renais e outras enfermidades como concluíram os especialistas.
Se já perdemos quase 40% dessa carga de microbioma do bem, o que esperar para as futuras gerações daqui mais algumas centenas de anos. A humanidade corre o risco de ficar tão enfraquecida que poderá perder definitivamente a batalha pela vida.

IMAGENS DE MARTE

Confira algumas imagens capturadas pela missão "Mars Science Laboratory -Curiosity", que foram transmitidas da superfície de Marte para a Terra. Todas em alta resolução clique para amplia-las.















NEUTRINOS COM MASSA PODEM REVOLUCIONAR A FÍSICA


Super-Kamiokande, está encravado no fundo de uma mina de zinco em Kamioka,


Qual o destino do universo? Essa talvez seja a mais inquietante das perguntas que intrigam os cosmologistas. Ele continuará a se expandir infinitamente, para em algum momento se estabilizar, ou seu destino será contrair-se e terminar como uma gigantesca bola de fogo? A resposta depende da quantidade de matéria - e, portanto, da força de atração gravitacional - existente no universo. Se não houver matéria suficiente, ele seguirá em uma expansão sem fim. Se, ao contrário, houver matéria demais, ele se contrairá e acabará entrando em colapso.

Quanto é "matéria demais"? A resposta não está, ainda, ao alcance dos estudiosos. A quantidade de matéria visível não basta para explicar certos fenômenos, como a velocidade de rotação de algumas galáxias; além disso, muitos cálculos indicam que até 90% da massa existente no universo pode estar "escondida" - ela existe mas não é percebida porque não emite luz. Para detectar e medir essa massa oculta, os cientistas criaram as mais estranhas hipóteses, imaginando novas partículas - mas nenhuma delas chegou a ser detectada.

É aí que o neutrino entra em cena. A partícula foi imaginada e proposta em 1930 por Wolfgang Pauli, para explicar uma certa forma de decaimento radioativo. O cientista italiano Enrico Fermi chamou-a, então, de "pequeno nêutron" (neutrino), mas foi só 26 anos depois, em 1956, que Frederick Reines e Clyde Cowan Jr. a detectaram. Para enquadrar-se nas leis da mecânica quântica, o neutrino deveria ser eletricamente neutro e totalmente sem massa - uma espécie de partícula-fantasma. No entanto, teorias recentes sugeriram que os neutrinos poderiam ter alguma massa - quem sabe, a matéria não visível. Para testar a idéia foram construídos detectores - enormes tanques de aço instalados em profundas minas no Canadá, Itália, Japão, Rússia e EUA, e até um no pólo Sul, sob centenas de metros de gelo.

Alguns experimentos já haviam indicado que os neutrinos têm mesmo massa, mas eram observações ainda pouco confiáveis. Até junho passado. Nesse mês, numa pequena cidade do interior do Japão, um gigantesco detector de neutrinos produziu uma prova bem mais concreta de que essa massa realmente existe.

O aparelho, chamado de Super-Kamiokande, está encravado no fundo de uma mina de zinco em Kamioka, a 200 km de Tóquio. É um colossal tanque de aço inoxidável, com 40 metros de altura e 36 de diâmetro, contendo 47,2 milhões de litros de água ultrapurificada e rodeada por 11.146 amplificadores de luz. Controlado por um time de 120 físicos de 23 instituições japonesas e americanas, esse é o maior detector de neutrinos já construído, e o que oferece maiores chances de capturá-los.

Para entender como se chegou à descoberta, é preciso saber um pouco sobre os neutrinos. Eletricamente neutros e virtualmente sem massa, eles raramente interagem com a matéria. Podem vir do sol, de interações entre raios cósmicos, das supernovas (explosões estelares) ou de outras violentas ocorrên-cias astrofísicas, e atravessam a Terra em alta velocidade. Na prática, pode-se dizer que são invisíveis. A cada segundo, trilhões deles passam por nossos corpos sem causar qualquer efeito. Mas, nas raras ocasiões em que um neutrino colide com o próton ou nêutron de uma molécula de água, dentro do Super-Kamiokande, uma pequena faísca azul é captada pelos amplificadores de luz. Se os pesquisadores contarem menos faíscas que o esperado, é porque há neutrinos mudando de forma antes de passarem pelo detector. E esse fenômeno só pode acontecer se eles tiverem massa.

Enfim, a prova
No dia 5 de junho último, os cientistas do projeto divulgaram essa constatação  ainda indireta, mas impressionante: os neutrinos realmente têm massa. É muito pequena, talvez da ordem de um décimo-milionésimo da massa de um elétron, ele próprio uma ínfima parte do átomo. "Os físicos perseguiram ansiosamente essa descoberta por décadas", garante John H. Bahcall, um dos "caçadores de neutrinos" do Instituto Princeton para Estudos Avançados, nos Estados Unidos.

Os físicos acreditam que os neutrinos existam em três formas diferentes: neutrino-elétron - associado com o elétron -, neutrino-múon e o neutrino-tau, ligados com esses dois "elétrons pesados", o múon e o tau. Recorrendo-se mais uma vez às leis da mecânica quântica: se os neutrinos tiverem massa, devem poder oscilar, ou seja, mudar de um tipo para o outro como num passe de mágica. Foi exatamente essa oscilação dos neutrinos-múon que o experimento japonês do Super-Kamiokande registrou.

O detector funciona da seguinte maneira: uma colisão de um neutrino-elétron dentro do experimento libera um elétron; uma colisão de um neutrino-múon produz um múon. Essas duas partículas se movem na água a uma veloci
dade maior do que a da luz na água. Com isso, cada múon e cada elétron geram um cone de luz - conhecido como radiação de Cerenkov - interceptado pelos amplificadores de luz. Analisando a geometria espacial e a energia das faíscas de luz, os físicos conseguem diferenciar as colisões de neutrinos-elétron das de neutrinos-múon.

Quando as colisões foram contabilizadas no Super-Kamiokande, constatou-se uma escassez de neutrinos-múon. A conclusão inescapável: um grande número deles se havia transformado em neutrinos-tau, os que não são detectados pelo aparelho. Portanto, existem neutrinos, e existe massa no universo, não detectados. "Temos fortes evidências da oscilação dos neutrinos-múon", assegura Takaaki Kajita, físico do Instituto para a Pesquisa de Raios Cósmicos, na Universidade de Tóquio.

Novo desafio
A descoberta, além de ajudar a elucidar o mistério da matéria oculta, obrigará os estudiosos a repensar dois grandes pilares da física moderna: o "modelo padrão" e o modelo de como o Sol brilha.

O primeiro deles é hoje a teoria mais aceita no campo da física de partículas. Ele descreve o funcionamento de uma série de partículas subatômicas, incluindo os "blocos de construção" fundamentais da matéria - elétrons, neutrinos e quarks (que constituem, por exemplo, os prótons e os nêutrons). Esse modelo teve grande sucesso na previsão de resultados experimentais, mas a teoria quântica diz que, se os neutrinos tiverem massa, ainda que infinitesimal, ele não pode estar correto. Alguns estudiosos acreditam que esse aparente obstáculo pode apressar o desenvolvimento do maior sonho da física - a elaboração de uma grande teoria unificadora, que abarcaria todas as partículas e forças da natureza, incluindo a gravidade.

O segundo pilar, o modelo de como o Sol brilha, também pode ser afetado. Uma dificuldade sempre presente nas teorias solares é o chamado déficit solar de neutrinos. Baseados no modelo do Sol, foram feitos cálculos de quantos neutrinos solares deveriam estar chegando à Terra. De acordo com experimentos realizados até agora, o número detectado corresponde a apenas um terço ou metade do previsto.

A busca pode avançar quando estiver pronto um novo detector de neutrinos, que está sendo construído em Sudburry, no Canadá. Projetado para detectar neutrinos do Sol e de supernovas, ele será preenchido com 1.000 toneladas de óxido de deutério, também conhecido como água pesada. Os átomos de deutério podem interagir com os três tipos de neutrinos - o elétron, o múon e o tau. Físicos e teóricos esperam que os resultados do observatório canadense de Sudburry possam ampliar a nossa compreensão do universo, e assim fazer coro com uma imagem poética do gênio inglês John Milton: "Nenhuma luz, mas escuridão visível".

Artigo escrito pelo fisico alemão Arthur Fisher para a revista Galileu.

PROJETO DE COLONIZAÇÃO DE MARTE




A NASA tem planos para colocar seres humanos em Marte até 2025, e a empresa privada Mars One já está entrevistando candidatos para uma viagem ao planeta vermelho.  A seleção começou em 2013. Mas, em meio a esta ousada missão, há um mar de dúvidas. Uma delas é, como é que vamos chegar lá? E, caso isso ocorra, como iremos sobreviver às condições inóspitas de Marte?

Com as naves espaciais existentes atualmente, estima-se que as primeiras viagens a Marte deverão durar seis meses de ida e dois anos e meio de regresso. A mecânica celeste é a responsável por este longo intervalo de tempo. Com efeito, na ida o veículo ganha tempo em virtude da velocidade da Terra em sua órbita ao redor do Sol ser duas vezes mais rápida que a de Marte. Assim, durante a volta a nave será obrigada a percorrer uma revolução e meia ao redor do Sol para alcançar a Terra. Por isso essa diferença de 5 vezes entre a ida e a volta. Como o projeto de colonização é só de ida, seriam 6 meses de viagem até o planeta vermelho. A primeira nave, ou veículo interplanetário, será constituída de três módulos idênticos, montados como os raios de uma estrela. Esse conjunto ao girar em torno de seu eixo vai criar uma gravidade artificial, um terço da terrestre. Nas proximidades do planeta, essas três naves se separam, acionando seus pára-quedas, ao penetrar na atmosfera marciana. Durante o pouso, os motores serão usados como retrofoguetes.

Em Marte não há oxigênio, os níveis de radiação são elevados, ocorrem tempestades de poeira e as temperaturas são hostis aos humanos. Ao longo dos anos, a NASA testou alguns projetos de habitação em Marte e, neste ano, a agência espacial norte-americana se uniu ao MakerBot para encontrar uma solução criativa que possa driblar as grandes dificuldades que terão que ser vencidas para que seja possível estabelecer uma colonização humana em Marte.

A primeira base em Marte deverá ser constituída de módulos semelhantes ao laboratório espacial (space-lab), que servirão de alojamento; uma central de energia solar fornecerá a eletricidade para a eletrólise da atmosfera, com o objetivo de produzir o combustível necessário ao regresso das naves; um módulo de desumidificação da atmosfera, instalado junto à base, produzirá água necessária à vida; e uma unidade de hidrocultura permitirá o cultivo de plantas. O planejamento das etapas da colonização do planeta vermelho já está bem detalhado.

O processo terminará com a seleção de 24 a 40 pessoas que serão treinadas para a missão que quer enviar ao Planeta Vermelho 24 colonos de diferentes nacionalidades.

A idéia é que viajem seis grupos de quatro pessoas cada, a cada dois anos. O primeiro grupo faria a viagem de seis meses em 2025 para chegar a Marte no ano seguinte.

O custo do programa espacial, estimado em 6 bilhões de dólares, será totalmente financiado pela iniciativa privada, por meio de patrocinadores e sócios, contribuições voluntárias e conteúdo midiático gerado pela missão com a venda dos direitos de transmissão.

O projeto é apoiado por cientistas como o holandês Gerard 't Hooft, ganhador do Nobel de Física em 1999, embora tenha despertado muitas dúvidas sobre sua viabilidade.

Até agora, nenhum voo tripulado chegou a Marte, aonde os Estados Unidos conseguiram mandar robôs. O último deles, o Curiosity, chegou ao Planeta Vermelho em agosto de 2012.

O veículo interplanetário será construído em órbita terrestre, na estação espacial internacional. Simultaneamente, uma nave cargueira não tripulada será lançada em direção a Marte com equipamentos necessários para a instalação da primeira base marciana. Quando a nave tripulada estiver a caminho, uma segunda estará sendo montada na estação espacial para que haja um revezamento do pessoal que partiu primeiro. Assim, oito dos doze astronautas que haviam permanecido em Marte durante dois anos embarcam nas naves cujos reservatórios de combustível foram recarregados no próprio planeta, e voltam para a Terra.

Os quatro que ficaram em Marte deverão preparar a ampliação da base marciana com a segunda equipe. Desse modo, de dois em dois anos, a instalação original será ampliada até que veículos maiores desembarquem no planeta para deixar um maior contingente de homens, mulheres e material. Desse momento em diante, poderá se falar de uma colonização humana de Marte.

CARONTE: UMA DAS 5 LUAS DE PLUTÃO

Caronte tem metade do tamanho de Plutão
Terça feira postei aqui uma impressionante foto feita pela New Horizons de Plutão, o planeta anão, que está a quase 5 bilhões de distancia da Terra. Agora a NASA divulga imagem não menos surpreendente de uma de suas Luas: Caronte
Segundo a Nasa, é possível perceber montanhas, cânions, deslizamentos de terra e variações de cor na superfície do satélite. Uma das características mais marcantes observada pelos cientistas foi a existência de um cinturão de cânions e fraturas ao norte do equador da lua.
Essa imagem de Caronte foi feita no dia 13 de julho a uma distância de 466 mil km do satélite. Podemos ver uma série de colinas da esquerda para a direita, sugerindo que processos internos podem ter alterado o relevo da crosta. No topo direito, próximo da curva da lua, existe um cânion que deve ter de 7 a 9 km de profundidade.
Assim como em uma cordilheira de montanhas em Plutão, Caronte tem poucas crateras - o que surpreende cientistas e sugere uma superfície jovem, que mudou com a atividade geológica recente.

Na região polar norte existe uma mancha mais escura, que pode se tratar de um depósito de algum material escuro - imagens em maior resolução da New Horizons devem ajudar os cientistas a compreender este enigma. Afinal, apesar de ter uma grande resolução para nossas telas, a imagem foi comprimida para ser transmitida para a Terra - as versões completas devem ser transmitidas em alguns dias e poderão ser analisadas com mais precisão pelos cientistas. 
Plutão apesar de ser um planeta anão, possue 5 luas, sendo que duas NIX e Hidra foram descobertas recentemente em 2005. Caronte, a maior das Luas é também a maior Lua do sistema solar, tem metade do tamanho de Plutão. As outras duas luas, pouco conhecidas são Cerbero e  Estige.

Caronte a maior Lua de Plutão

ESTAS ESFERAS REÚNEM TODA A ÁGUA E AR DA TERRA.



Esta imagem é uma representação em duas esferas de toda a água e ar da Terra. Uma esfera reúne toda a água do planeta, a outra, cinza reúne todo o ar disponível. Uma visualização incrível criada pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).  A imagem nos dá uma ideia perfeita de como o nosso planeta é frágil.

O ar é representado aqui em sua densidade ao nível do mar (uma atmosfera). São 5,14 trilhões de toneladas, em uma esfera com 1.999 km de diâmetro.

A esfera de água, por sua vez, tem aproximadamente 1,386 bilhão de quilômetros cúbicos (km³) e cerca de 1.385 km de diâmetro. Isso inclui todos os oceanos, lagos, rios, águas subterrâneas e gelo.

Por sua vez, ampliando a imagem, você perceberá uma pequenina esfera dentro da esfera de água, ela representa a água doce no planeta, que segundo o USGS, corresponde a apenas 10,6 milhões de km³ em volume. E boa parte dessa água não está disponível para humanos, pois fica no subterrâneo.

Esta imagem foi feita por Félix Pharand-Deschênes, do Globaïa. Ela é baseada em um conceito que Adam Nieman criou para o Rio+10, realizado em 2002. Esta cúpula mundial das Nações Unidas tinha como objetivo implementar medidas para proteger o meio ambiente.

Percebe-se aí, claramente a fragilidade dos dois elementos essenciais que mantem o planeta vivo, lembrando ainda que esses dois elementos, água e ar também dependem de outro elemento vital e que está sendo devastado, a vegetação.

ENCONTRADAS DUAS CÂMARAS OCULTAS NA TUMBA DE TUTANCAMÓN

Câmara mortuária de Tutankamón

Tutancamon, faraó pertencente à dinastia 18° do Egito antigo, morreu bastante jovem, após um breve reinado entre 1332 e 1323 a.c. aproximadamente. O encontro de novos detalhes sobre sua tumba e seus misteriosos tesouros no Vala dos Reis na cidade de Luxor tem levado a grande excitação no mundo arqueológico. E assim, após inspeção preliminar do túmulo de Tutancâmon, a teoria apresentada recentemente pelo britânico Nicholas Reeves egiptólogo de que havia um outro túmulo dentro da tumba principal, e que este poderia ser o túmulo de Nefertiti (rainha da dinastia XVIII do Egito e esposa de Akhenaton, pai de Tutancamon), está ganhando força.
A primeira visita do especialista à tumba culminou com o descobrimento de marcas em ambos os muros, marcas semelhantes às que foram achadas na porta de entrada da tumba de Tutancamón quando o arqueólogo Howard Carter a descobriu em 1922. Isto indica que os muros oeste e norte da tumba podem ocultar outras duas câmaras mortuárias.
O estudo da cripta do chamado “Faraó Menino” se completara em novembro com a
utilização de um radar japonês assim como outros equipamentos para resolver o mistério.
O ministro de antiguidades egpcias Mamduh el Damati crê que antes de Nefertiti é possível que quem esteja sepultada ali seja Kiya, a mãe de Tutancamón. Para Reeves porém são os: “"Certas características estilísticas na decoração da parede norte, que dataria o enterro original e seriam anteriores ao resto das pinturas murais são uma reminiscência de Nefertiti. Estou bastante confiante de que uma descoberta muito importante terá lugar logo no túmulo de Tutancamun ", disse Reeves.

Busto de Nefertiti no Museu Arqueológico de Berlin
Há um grande problema nesse trabalho arqueológico: Mesmo que as câmaras existam, não vamos necessariamente descobrir o que tem dentro delas, porque a parede da tumba de Tutancâmon é coberta por uma pintura de valor inestimável. Uma permissão para escavá-la não será fácil de se obter. Qualquer escavação mesmo que por outros caminhos podem danificar a tumba.
Outro problema: ainda que houver câmaras secretas no túmulo, que abriguem outros corpos, em última análise, não há garantias de que o corpo alí enterrado seja de Nefertiti, para justificar todo um trabalho arriscado de abertura das câmaras.

Mascara mortuária de Tutankamón

IMPRESSIONANTE IMAGEM DE PLUTÃO

A poucos dias atrás, a equipe da sonda New Horizons nos deixou sem palavras pela enésima vez com algumas imagens incríveis de Plutão, mas sim, em estrito preto e branco. Talvez para compensar esta deficiência da cor, a NASA publicou várias imagens coloridas do planeta anão. Vamos ver essa fotografia impressionante- de todo o disco de Plutão em cores, e impressionante  alta resolução  que foi enviado à Terra em 19 de Setembro, clique para amplia-la. Detalhe: a sonda New Horizons está a "apenas" 5 bilhões de Kms da Terra, para chegar lá viajou por 9 anos,
 A sonda foi lançada em 2006, dos Estados Unidos, a bordo do foguete Atlas. Ela viajou até Júpiter e usou a gravidade desse planeta como um estilingue para acelerar sua velocidade. Desde então, a sonda ficou adormecida e viajou pelo espaço até ser reativada, em dezembro do ano passado.
Sete instrumentos que estão a bordo da sonda vão captar essas imagens, que serão transmitidas para a Terra. O tempo de transmissão dos dados de Plutão até a Nasa, nos Estados Unidos, é de quatro horas e meia. Quatro horas e meia para percorrer 5 bilhões de Kms e chegar à Terra com essa qualidade. Que ninguém ouse duvidar da capacidade humana, pena que nem sempre é usada para o bem.

NASA MOSTRA EM MAPA QUE REGIÃO SUDESTE E SUL DO BRASIL TIVERAM AS TEMPERATURAS MAIS ALTAS DA HISTÓRIA



O Sistema de Analises da temperatura da Terra do Instituto Goddard da NASA (GISTEMP) divulgou através de sua conta no Twitter (NASAGISS) um mapa de temperaturas para os três meses junho-julho-agosto deste ano. Os dados provisórios apresentados neste gráfico confirmam que o conjunto do planeta registrou recordes mundiais nos últimos meses (verão no caso do hemisfério norte e inverno no sul) das temperaturas mais altas da história deste tipo de dados (130 anos).
O gráfico do GISTEMP assinala em especial as regiões do planeta em cor vermelho com uma maior diferença entre a temperatura média para esta época do ano e a temperatura média acumulada durante os meses de Junho, Julho e Agosto. Pode ser visto claramente que em quase toda a Europa, o leste dos Estados Unidos e grande parte do Oriente Médio como áreas que tiveram este ano uma temperatura mais quente do que a média histórica (anomalia em relação ao período de referência 1.951-1.980) do verão. Na zona central do Pacífico e na costa oeste da América se observa também uma temperatura média mais elevada, provavelmente ligado ao El Nino.
Pode-se observar também que as regiões sul, sudeste e centro-oeste do Brasil destacadas com a cor vermelha também apresentaram temperaturas muito acima da média para o período de inverno.
Os gráficos produzidos pelo GISTEMP são baseados em estações de dados Atmospheric Administration e Oceanos (NOAA), ERSST e SCAR; e, geralmente, muito em linha com os dados oficiais publicados pela Organização Meteorológica Mundial (OMM).

O SEMESTRE MAIS QUENTE DESDE 1880

Os dados do NOAA divulgados pela OMM em 25 de agosto mostram que o período de janeiro a julho 2015 foi o mais quente da história deste tipo de registos sistemáticos (de 1880 até o presente). A temperatura média global para superfícies terrestres e oceânicas combinadas 1 de Janeiro a 31 de julho de 2015 foi de 0,85 ° C acima da temperatura média do século XX.
A temperatura em julho de 2015 foi de 0,81 ° C acima da média histórica para esta época do ano. Visto que julho é climatológicamente o mes mais quente do ano no hemisfério norte, NOAA também acredita que julho 2015 é o mês mais quente desde registadas sistematicamente este tipo de dados, com uma média global de 16, 61 ° C.
No hemisfério sul ocorre que julho é o mês mais frio do ano, fato que não ocorreu este ano
sendo registrado na região sudeste do Brasil temperaturas bastante elevadas. O Rio Grande do Sul que deveria ter média de 10 graus registrou temperaturas de 35 graus, as mais altas desde 1909.


EL NINHO SERÁ DEVASTADOR EM 2015/2016



O aquecimento do Pacifico oriental trará conseqüências globais. Este ano pode ser o mais forte desde o início dos registros a 65 anos.

Astronautas dizem que a cada órbita ao redor da Terra, a metade do tempo passam voando sobre o Pacífico. São 45 minutos sobre o oceano dos 90 que levam para dar a volta ao redor do mundo a bordo da estação espacial. A enormidade do Pacífico é melhor vista do espaço que a partir da superfície, onde os mapasmundi dão mais importância para os continentes e jogam o grande oceano para a periferia. Mas, com 46% de toda a água da superfície da Terra, não é de estranhar que qualquer grande perturbação no clima do Pacífico trará conseqüências em escala global. Às vezes conseqüências trágicas, como a seca em algumas regiões e inundações em outras, e não são apenas meteorológicas.
Mudanças de humor do Pacífico também têm conseqüências econômicas e sociais, afetando o abastecimento de água, colheitas, aos recursos pesqueiros, aos preços dos alimentos e da inflação em alguns países. Isto é o que vai acontecer nos próximos meses se as previsões da Organização Meteorológica Mundial (WMO) e da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos forem confirmadas.
A grande perturbação que está tomando forma no Pacífico é o fenômeno EL NINHO. Por razões que não são conhecidos com precisão, o oceano como um pêndulo gigante oscila com um aumento na temperatura da superfície, aumento que ocorre de leste e oeste. O ciclo é repetido de cinco em cinco anos, em média, embora seja irregular e a sua duração pode variar de dois a sete anos.
El Niño ocorre quando a temperatura aumenta nas águas superficiais das latitudes tropicais e equatoriais do Pacífico Oriental. A sua intensidade, como sua periodicidade é irregular. O aquecimento em agosto foi localizado "entre 1,3 e 2 graus acima do normal", a OMM informou esta semana. Em algumas áreas, o aumento atingiu 3 graus, como mostrado nos mapas de temperatura divulgados pela NOAA.
"Esses registros indicam que a intensidade da corrente El Niño é muito significativo", diz a OMM. Pode superar o episódio de 1997-98, o mais forte desde que os registros começaram na década de 50 em que 21.000 mortes e perdas foram registradas ao valor de 32 bilhões de euros.
As consequências ainda são incertas, chegarão nos próximos meses. Na medida em que os eventos acima podem servir como um guia, a intensidade máxima de El Ninho irá ocorrer entre outubro e janeiro e os seus efeitos irão persistir em 2016.
No entanto, "os modelos de previsão estão longe de serem perfeitos", diz Ken Takahashi, climatologista da Universidade de Washington em Seattle, em um blog da NOAA. "El Ninho não tem os mesmos efeitos nos mesmos lugares o tempo todo."
Há poucas dúvidas sobre alguns dos seus efeitos. No Pacífico oriental, a chegada de água morna pobre em nutrientes na zona equatorial levará os peixes a procurar  águas mais frias e afetará a pesca como ocorre em todos os episódios de El Ninho. Na verdade, foram os pescadores locais que deram o nome ao fenômeno de El Nino, no final do século XXI ao perceberem que a escassez de peixes costumava ocorrer em dezembro  quando o nascimento de Jesus é celebrado. Os acontecimentos de 1972 e 1982 a 1983 afetaram gravemente as populações do Peru que viviam da pesca da anchova, da sardinha da merluza e da cabala.
Na atmosfera, o aquecimento das águas da superfície do Pacífico oriental provocarão correntes ascendentes de ar quente e a formação de tempestades. Mas onde exatamente a chuva vai cair e com que intensidade não se  pode prever com precisão.
Na extremidade ocidental do oceano, o fenômeno oposto ocorre: as águas rasas e com baixas temperaturas, provocará uma situação anticiclónica e precipitação reduzida.
Como regra geral, El Ninho costuma causar inundações no Equador e no Peru, as chuvas generosas na Argentina, Califórnia e África Oriental e secas na Austrália, Índia e Indonésia. Enquanto algumas regiões são afetadas, outras estão se beneficiando.
Assim, a falta de chuvas muitas vezes prejudica lavouras de café na Indonésia, Austrália trigo e arroz na China. As chuvas de 1997 e 1998 na África Oriental favoreceram a proliferação de mosquitos e um aumento dos casos de malária. Outra vítima colateral foi em 2010 na cidade de Vancouver (Canadá), que organizou os Jogos Olímpicos de Inverno e encontrou temperaturas excepcionalmente quentes.

Em contraste, as economias dos Estados Unidos, Canadá, México e Argentina costumam beneficiar-se com El Ninho, de acordo com um estudo publicado no ano passado por economistas da Universidade de Cambridge (Reino Unido) e do Fundo Monetário Internacional. Nos Estados Unidos, por exemplo, o episódio 1997-1998 forneceu um benefício para a economia de 13.500 milhões de euros graças a boas colheitas no Centro-Oeste e El Ninho freou a formação de furacões no Atlântico.

GELO DO ÁRTICO DESAPARECE MAIS A CADA ANO

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A redução da camada de gelo que cobre o Oceano Ártico é um dos processos que melhor ilustra o impacto da mudança climática. Espalha a cada ano, entre muitos outros dados, medições da superfície máxima e mínima coberta pelo gelo nessas águas perto do Pólo Norte. A NASA recriou este processo com os dados de 2015, em uma transmissão de vídeo composto muito ilustrativo através da Internet.
O nível mais alto do ano foi estabelecido no último 25 de fevereiro, enquanto o registro mais baixo de gelo no Oceano Ártico ocorreu em 11 de setembro, quando as águas que cercam o Pólo Norte tiveram cerca de  4,41 milhões de quilômetros quadrados superfície coberta por gelo, de acordo com a análise pela NASA e do Centro de Neve e Gelo de Dados (NSIDC), da Universidade do Colorado em Boulder (EUA).
Para você perceber o valor dessa figura deve ser lembrado que a média registrada entre 1980 e 2001 colocou o nível mínimo de gelo no Ártico em 6,22 milhões de quilômetros quadrados. Ou seja, este ano, o Ártico tem uma superfície de gelo de 29% menos do que pode ser considerado normal.
No lado positivo dessa análise comparativa, especialistas apontam que houve três anos no degelo do Ártico que foram ainda pior do que durante a última década de 2015. O recorde absoluto para a perda de gelo no Ártico permanece com  2012. O nível mínimo de 2014 foi de 5,03 milhões de quilômetros quadrados, o sétimo menor nível já registrado.

REGULADOR DE TEMPERATURA DO PLANETA

"A capa de gelo na água do mar congelado do Ártico flutuando em cima do oceano ajuda a regular a temperatura do planeta ao refletir a energia solar de volta ao espaço", recordam uma vez mais especialistas da NASA no lançamento oficial dos dados deste ano.
A calota de gelo do Ártico cresce e diminui ciclicamente a cada ano. O comprimento mínimo que ocorre no final da temporada de derretimento no verão do hemisfério norte tem vindo a diminuir desde o final da década de 1970, coincidindo com o aumento global das temperaturas associadas à mudança climática.
"Este ano, estabeleceu-se o quarto mais baixo nível de gelo no Ártico desde que tais estudos começaram, e nós não vimos qualquer grande fator meteorológico importante ou padrão persistente no Ártico para ajudar a impulsionar a recuperação ", disse Walt Meier, um dos pesquisadores do gelo marinho no Instituto NASA Goddard.
Walt Meier assinala que um dos fatores mais importantes no atual processo de fusão é que "o gelo do Ártico está se tornando cada vez menos resistente e a cada ano é necessário menos calor para que o degelo ocorra." Na verdade, dez anos, com níveis de gelo mínimos estão concentrados no século XXI.

"Boa parte do gelo do Ártico, que costumava ser uma camada sólida, agora está fragmentado em icebergs menores que estão mais expostos ao aquecimento das águas do mar aberto. No passado, o gelo do mar Ártico era como uma fortaleza que só poderia ser atacado pelos lados. Agora é como se os invasores tivessem cavado túneis por baixo e que o gelo está derretendo agora por dentro ", disse Walt Meier ilustrativamente.

COMO SERÁ VIVER EM MARTE?



Com as novas descobertas sobre a possível existência de água e portanto possibilidade da existência de vida mesmo que microrgânica, cresce nossa curiosidade sobre o nosso planeta vizinho.
Um ano em Marte equivale a 22 meses e meio do ano terrestre. O dia em Marte é pouco maior que o nosso para ser mais exato 24 horas e 40 minutos.
Como na Terra, Marte tem as 4 estações devido à inclinação de seu eixo, porém as estações diferentemente da Terra são de  períodos desiguais: sete meses de primavera, seis meses de verão, cinco meses e meio de outono, quatro meses de inverno. Há ainda uma grande diferença entre os hemisférios norte e sul, sendo o sul de temperaturas mais intensas tanto no verão como no inverno.
Embora o planeta tenha uma atmosfera, é tênue se comparada à terrestre e composta quase que exclusivamente de CO2 por isso necessitaremos de um traje espacial. As diferenças de temperatura entre dia e noite e verão e inverno são extremas apesar de sua atmosfera ainda ser capaz de captar e repartir o calor com alguma uniformidade amortecendo as diferenças mais agudas. Ainda assim temos temperaturas que vão de – 126 graus nos pólos a agradáveis + 20 graus no equador, mas que podem mudar drasticamente em uma semana.


Essas grandes variações de temperaturas provocam gigantescas tormentas de pó que em certas ocasiões podem ser globais e cobrir todo o planeta. Embora provavelmente não nos fariam danos físicos o pó poderia ser uma ameaça ao sistema eletrônico de nosso veiculo assim como a produção de energia de nossos painéis solares. Apesar de ter só 1% da densidade terrestre a atmosfera marciana ainda é suficiente para vaporizar meteoritos até certo tamanho. A atividade vulcânica e tectônica também não seriam ameaça. Há vulcões e Marte, alguns colossais, mas não há indícios de que estejam ativos. Apenas a radiação poderia ser um problema, já que existe um campo magnético global, mas é  administrável com o equipamento adequado. Fora disso, na parte meteorológica não haveria mais grandes novidades. Observaríamos finas nuvens cruzando o céu e alguma geada pela manhã, como observou a nave Viking. Mas não encontraríamos nuvens de chuva, e menos ainda chuva, embora a Phoenix descobriu que podem ocorrer nevadas esporádicas nas regiões dos Pólos. Com este céu claro e este ar tênue as noites de Marte são maravilhosas, cheias de estrelas e ainda observamos a dança de suas 2 pequenas luas, Fobos e Deimos. Ainda que não sejam como nossa enorme Lua tem seu próprio encanto, especialmente Fobos que surge e se põe três vezes no mesmo dia.
O céu diurno nos cobre com um manto alaranjado, que não tem nada a ver com a composição da atmosfera mas sim com o eterno pó em suspensão que está sempre presente o que torna Marte o pesadelo para os obcecados por limpeza.  E, possivelmente, teremos ao pôr do sol um pouco de nostalgia, como ele é assustadoramente semelhante ao da Terra, mas neste caso com cores invertidas, com o sol, rodeado por um halo azul.
Uma foto é da Terra a outra de Marte. Qual é qual?


Marte é sem dúvida um bom lugar para viver. Hostil à vida tal como a conhecemos, seguiríamos dependendo de trajes e sistemas de suporte vitais. Os sinais de antigos vales fluviais, as tênues nuvens, as trocas de estações, os por de sol azulados as nevadas matinais e também as tormentas de pó, semelhantes as dos desertos terrestres, nos oferecem um cenário que embora sendo desértico, segue de certa maneira sendo dinâmico e em alguns pontos até quase terrestre. Não é estranho que seja o objetivo prioritário em uma futura colonização humana fora da Terra.

A DESCOBERTA DE ÁGUA EM MARTE



Confirmado. O Diretor de ciência planetária da NASA, Jim Green, anunciou numa coletiva de imprensa e publicou na revista Nature Geoscience que existem evidências de água salgada em Marte e que essa líquido é o responsável pelos sulcos lineares descobertos nos declives das crateras durante as estações mais quentes do planeta. Esta água líquida sob a superfície aumenta as possibilidades do planeta ter alguma forma de vida.
A descoberta foi possível graças as imagens da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) que utiliza um instrumento chamado CRISM, um espectrômetro de imagem que permite identificar tanto os minerais como outros tipos de compostos da superfície marciana. Os resultados revelaram evidências de sais hidratados em quatro lugares diferentes de Marte. Esses lugares conhecidos como Sulcos lineares (RSL, linhas de inclinação) que medem uns 5 metros de largura e que são estudados a anos, se devem à atividade da água salgada, confirmam os especialistas.
Fluxo da água
A cada verão marciano surgem esses misteriosos fluxos lineares, quando as temperaturas estão na casa dos 20 graus negativos, que parecem avançar pelas encostas nas latitudes médias do hemisfério sul; esses sulcos desaparecem ao chegar o frio. Os dados recentes indicam que o fato de que essas rachaduras não permanecem durante todo o ano marciano é uma evidência de um fluxo de água líquida que graças às temperaturas mais quentes, se estende costa abaixo através das colinas e ladeiras. Quando chegam as estações frias desaparecem.
Graças aos dados espectrométricos de CRISM, uma equipe de cientistas do Instituto de Tecnologia da Geórgia (EUA) confirmou a presença de sais hidratados como percloratos e cloratos muito abundantes nesse planeta (até 10.000 vezes mais que na Terra) e que reduzem o ponto de congelamento da água de  O a – 70 graus Celsius circunstancia que torna possível a água líquida.
Em geral, na superfície de Marte as condições são muito hostis para a vida (especialmente devido a radiação UV) mas estes novos dados sobre a existência de água líquida subsuperficial indicam que a habitabilidade é muito mais favorável no subsolo marciano que é onde deverá se concentrar os esforços futuros na busca de vida.

AS PRIMEIRAS 63 HORAS DE PHILAE SOBRE O COMETA 67P


 
 
Em 12 de Novembro de 2014 o módulo de aterrissagem Philae da ESA pousou na superfície do cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, quase 30 anos após os primeiros sobrevôos pioneiros ao cometa 1P/Halley em 1986. Hoje se publica um número especial da revista Science sobre os resultados que Philae obteve em suas primeiras 63 horas, desde que se separou de Rosseta e tocou o solo de 67P em um lugar chamado Agilkia y e após vários rebotes acabou em repouso em outra área chamada Abydos.

O mais relevante a nível de notícias foram os resultados dos instrumentos COSAC y Ptolemy, que analisaram a poeira levantada por Philae durante o pouso. Foram observadas 16 moléculas orgânicas, incluindo algumas relacionadas à vida. Muito se especulou que esse resultado apóia a hipótese de que os ingredientes da vida chegaram à Terra em um cometa a 3,8 bilhões de anos. Todavia é muito cedo para extrair esse tipo de conclusão a partir dos dados de Philae sobre um único cometa.

Outros instrumentos de Philae nos deram informações muito interessantes. ROLIS nos mostrou a superfície do cometa em torno de Agilkia com uma resolução de 1 cm por pixel. CIVA nos mostrou a superfície de Abydos. MUPUS nos mostrou que a superfície em Abydos é um pó rico em gelo duro sinterizado coberto por uma camada de poeira fina. CONSERT mostro que o interior de 67P é similar ao de outros meteoritos carbonosos condriticos.

VIVENDO EM OUTROS MUNDOS DO SISTEMA SOLAR: MERCÚRIO


 
IMAGINANDO A PRESENÇA HUMANA NO PLANETA MAIS PRÓXIMO DO SOL.

 
A Terra é nosso lugar, é o ambiente mais acolhedor para a vida que conhecemos, em parte porque evoluímos nela, nos adaptamos ao que ela nos oferece, sendo como somos no final, os filhos deste mundo azul. Porém como espécie capaz de sonhar, imaginar e aspirar a ir sempre mais além de nossos próprios limites, olhamos outros mundos, nos projetamos neles e aspiramos a que algum dia sejam também cenário de nossa existência interplanetária. Deixando de lado as possíveis exoterras que podem existir em outros sois , em outras estrelas e que seguiram fora de nosso alcance, como seria viver em uma colônia humana em cada um dos principais corpos celestes do Sistema Solar?
Iniciaremos nossa viagem pelo pequeno e abrasivo Mercúrio.

Com suas flutuações extremas de temperatura, Mercúrio não está provavelmente na lista dos lugares que queiramos colonizar. Porém, se tivéssemos a tecnologia para sobreviver no planeta mais próximo do Sol, como seria viver ali?

Até o momento apenas duas sondas visitaram Mercúrio. A primeira, MARINER 10, realizou uma série de sobrevôos sobre Mercúrio em 1974, mas apenas sobre a metade iluminada do planeta. Messenger da Nasa, por outro lado realizou sobrevôos e, em seguida entrou em órbita de Mercúrio em março de 2013. Imagens da sonda permitiram aos cientistas mapear completamente o planeta pela primeira vez.

A nave Messenger nos revelou que existe água gelada nos pólos de Mercúrio, protegida do abrasador calor solar pela escuridão permanente que cobre o interior de algumas crateras. Extrai-la seria uma boa maneira de viver “da terra”, mas o estabelecimento de bases nos pólos poderia não ser uma boa idéia, explica o cientista da missão Messenger David Blewett. “As regiões polares te dariam um respiro da tremenda força do Sol. Mas, por isso, faz muito frio naquelas áreas de sombra permanente onde se encontram esses depósitos de água e apresentam seus próprios desafios. Uma melhor opção seria, provavelmente, a criação de uma base não muito longe de uma das capas de gelo, talvez na borda de uma cratera e estabelecer uma operação de extração de água do pólo”.

Ainda assim, enfrentar as temperaturas extremas que dominam esse mundo seria inevitável. Durante o dia estas chegam a 430 graus Celsius enquanto as noturnas baixam até  menos 180 Celsius. Durante algum tempo os astrônomos acreditavam que a rotação de mercúrio estava capturada pelo Sol ( como está a da Lua em relação à Terra) o que significa que um lado do planeta sempre está orientado para o Sol. Mas agora sabemos que o dia de Mercúrio dura quase 59 dias terrestres. Tendo em conta que o planeta órbita o Sol uma vez cada 88 dias terrestres, isso significa que seu ano dura menos de dois dias mercurianos. Melhor não organizarmos nossa agenda de atividades utilizando essa medida de tempo.

Esta lenta rotação nos ofereceria um curioso e fascinante espetáculo celeste, já que este, combinado com a elipse de sua órbita, faz com que o Sol siga uma trajetória realmente estranha através do céu do planeta. “Sai pelo leste e se move através do céu. Mas logo se detem e se move um pouco para trás. Depois retoma seu movimento para Oeste e termina desaparecendo atrás do horizonte”, explica Blewett, acrecentando que o veríamos 2,5 vezes maior que o vemos da Terra. Além disso, por não existir uma atmosfera que disperse a luz solar, como acontece na Terra, veríamos o céu sempre de cor negra, tanto de dia como de noite e, durante a noite, por esses mesmos motivos as estrelas seriam pontos de luz estáticas, sem o típico “piscar” como as vemos da Terra, fruto das turbulências atmosféricas.

Sem atmosfera, Mercúrio não tem meteorologia alguma, não tendo que nos preocupar com possíveis tormentas devastadoras. Não dispondo de massas líquidas ou vulcões ativos, também não tem tsunamis ou erupções. Mas este mundo não está desprovido de desastres sobrenaturais, já que a superfície está exposta a impactos de todos os tamanhos. Também está exposto a terremotos devido às forças de compreenção que estão reduzindo o planeta. (Diferentemente da Terra, Mercúrio não tem atividade tectônica)

Com uma gravidade equivalente a 38% da terrestre, poderíamos nos mover com facilidade. E embora o peso seja menos, os objetos seguem tendo a mesma massa e inércia, o que pode nos derrubar se alguém nos lança um objeto pesado, exatamente da mesma maneira e com a mesma força como ocorre na Terra. Também para as comunicações com a Terra os problemas são os mesmos que enfrentamos hoje, já que o sinal levaria 5 minutos para chegar até eles e outros 5 para receber a resposta.

E para aqui nossa pequena visita a Mercúrio. Mas queremos conhecer outros mundos antes de decidir viver em um deles. Assim, saltemos ao seguinte, tão improvável ou mais que o primeiro. Próxima parada: VENUS.