COMO ORGANIZAR UMA GELADEIRA PERFEITA

Existem 250 doenças causadas por contaminação de alimentos. Para evitá-las, entre as diversas regras de higiene e trato com os alimentos, uma que não nos damos muita conta é justamente as regras de armazenamento na geladeira. Vamos simplesmente depositando os alimentos nela, sem darmos conta que aposição do alimento, a embalagem e o tempo de conservação também tem regras e cuidados que devem ser seguidos.
O esquema abaixo nos apresenta o lugar correto dos alimentos na geladeira, o tipo de embalagem e o prazo máximo de armazenamento que deve ser respeitado.

1.GAVETA SUPERIOR: Nunca lave a carne antes de guardá-la
2.1ª.PRATELEIRA: Ovos não vão na porta para evitar a variação térmica. Lave-os antes de guardar pois pode haver micro-organismos como a salmonela.
3.2ª.PRATELEIRA: Latas podem sofrer contaminação nos mercados, coloque os enlatados em potes. Molho de tomate é muito perecível deve ser consumido no dia ou congelado.
4.GAVETA: Lave as folhas em água corrente e descarte as estragadas antes de ir à geladeira.

EMISSÃO DE GASES ESTUFA CHEGOU INCRIVELMENTE PERTO DO LIMITE PARA ATÉ 2020


"O mundo chegou em 2010 incrivelmente perto do limite de emissões que não deveriam ser alcançadas até 2020 para a meta de 2 graus ser atingida. Dada a redução do espaço para manobras até 2020, ao menos que decisões fortes e decisivas sejam tomadas logo, será extremamente difícil conseguir alcançar a meta global acertada em Cancún", diz Faith Birol.

As emissões internacionais de gases responsáveis pelo efeito estufa bateram um recorde histórico no ano passado, colocando em dúvida o cumprimento da meta de limitar o aquecimento global em menos de 2 graus, segundo informações divulgadas nesta segunda-feira pela Agência Internacional de Energia (AIE).

Segundo a agência, as emissões de dióxido de carbono (CO2), o principal gás do efeito estufa, cresceram 5% no ano passado em relação ao recorde anterior, em 2008. Em 2009, as emissões haviam caído graças à crise financeira global, que reduziu a atividade econômica internacional.

A agência estimou ainda que 80% das emissões projetadas para 2020 no setor de energia já estão comprometidas, por virem de usinas elétricas atualmente instaladas ou em construção.

"O significativo aumento das emissões de CO2 e o comprometimento das emissões futuras por conta de investimentos de infraestrutura representam um grave revés para nossas esperanças de limitar o aumento global da temperatura para não mais de 2 graus Celsius", afirmou Faith Birol, economista-chefe da AIE e responsável pelo relatório anual da entidade World Energy Outlook.

Segundo a AIE, os países considerados desenvolvidos foram responsáveis por 40% das emissões totais em 2010, mas responderam por apenas 25% do crescimento global das emissões.

Países em desenvolvimento, principalmente China e Índia, registraram um aumento muito maior de suas emissões, acompanhando seu crescimento econômico acelerado.

Quando consideradas as emissões per capita, porém, os países desenvolvidos tiveram uma emissão média de 10 toneladas por pessoa, enquanto na China foram 5,8 toneladas per capita e, na Índia, 1,5 toneladas.

A ARTE DA RUA

Ele tinha 16 anos quando invadiu, pela primeira vez, uma pista ferroviária e escreveu as iniciais de seu grupo de grafite — do qual era o único membro — em uma parede. Não aconteceu absolutamente nada, nem a própria mãe percebeu que ele havia saído de casa. E esse foi o dia em que ele viu que podia escapar impunemente. Ele, no caso, é Banksy, o famoso artista de arte de rua britânico. E esta história é apenas uma das muitas presentes no livro Trespass — História da Arte Urbana Não Encomendada , em que obras de mais de 150 artistas permitem uma análise do alcance mundial da arte de rua, traçando peças importantes dessa cultura, além de eventos e movimentos no espaço social das cidades. Afinal, o grafite, considerado vandalismo ou não, é uma das formas mais antigas de expressão artística e passou ilesa ao longo dos tempos. Como arte, ela se expressa nos espaços públicos, mas não é autorizada e, acima de tudo, não tem clientes. Banksy completa a história dizendo que a arte de rua é uma resposta à sociedade obcecada pelo status e pela infâmia. E nós devemos entrar sem medo nessa grande galeria ao ar livre.
Zevs é o codinome de um artista de rua francês que ficou famoso no começo do século por suas intervenções em logomarcas de grandes empresas, como a da foto ao lado. A série foi intitulada de Liquidated Logos (Logomarcas Liquidadas) e envolve importantes organizações do ramo da alimentação e da moda. A foto acima foi tirada em Paris, na França, em 2005.
O trabalho de Banksy pelos muros da cidade de Timbuktu, em Mali, instiga um olhar crítico sobre a região, sem precisar envolver celebridades e caridade. A pintura acima, da zebra esperando suas tiras secarem, foi feita em 2009 em uma praça da cidade. O artista, porém, afirma que muitos nativos não a compreenderam, já que não existem zebras nesta zona da África.
O fotógrafo e artista de rua francês JR espalhou fotos impressas em adesivos gigantescos pelo Morro da Providência, no Rio de Janeiro, em 2008. As modelos, retratadas em preto e branco, eram todas mulheres da favela. O projeto faz parte da série 28mm — Women Are Heroes, que passou também por alguns países da África.
A musa de Da Vinci levantando a saia é obra do artista inglês Nick Walker, que usou estêncil e spray para recriá-la. Conta-se que menos de 5% dos artistas das seções de arte moderna do Metropolitan, de Nova York são mulheres. Mas 85% dos nus em obras são femininos. Esta foto foi tirada em Londres, na Inglatera, em 2007
Chupinzado da revista Galileu edição março/2011

APROVADO NOVO CÓDIGO FLORESTAL BRASILEIRO


O projeto foi aprovado por maioria de votos - 410 a favor e 63 contra - após um debate que reuniu setores do Governo e a 'bancada ruralista', um grupo suprapartidário que representa os interesses dos grandes empresários agrícolas.
Impulsionado pela poderosa indústria agropecuária, o Código Florestal coloca entre outros pontos polêmicos que as áreas florestais protegidas em propriedades privadas na Amazônia, que hoje representam 80%, sejam reduzidas para 50%.

Margem de rios

O texto aprovado diz que os pequenos produtores que já desmataram suas APPs em margem de rio poderão recompor a área em 15 metros a partir do rio. Os demais devem recompor em 30 metros. O governo era contra, mas o relator alegou que a recomposição prejudicaria a atividade dos ribeirinhos que vivem nas margens dos rios. Um acordo prevê que o Senado altere o texto para que haja a recomposição da vegetação de apenas 20% da total da terra para áreas de até quatro módulos fiscais.
O trecho que gerou maior discussão, no entanto, propõe a suspensão das multas aplicadas para todos os proprietários rurais que desmataram até julho de 2008 e que mantêm nessas áreas sua atividade agropecuária.

Essa proposta de anistia foi criticada até por Dilma, que adiantou que pode vetar tanto esse como outros trechos do projeto, caso sejam aprovados nas duas câmaras.

Isenção aos pequenos

O texto contém a isenção aos pequenos produtores da obrigatoriedade de recompor reserva legal em propriedades de até quatro módulos fiscais – um módulo pode variar de 40 hectares a 100 hectares dependendo da região. O governo era contra isenção aos pequenos, mas acabou abrindo mão após acordo para que o texto fosse aprovado na Câmara.

Consolidação de cultivos em APPs

Outro ponto que gerou divergência foi o que pode ser cultivado em APPs. O texto-base traz a garantia de que algumas plantações, como cultivo de maçã ou plantio de café, serão consolidadas nas APPs. No entanto, a definição do que pode ou não pode ser mantido ficou fora do texto. Após um amplo acordo, foram estipuladas as regras por meio de uma emenda ao texto-base, a 164, que foi motivo de discórdias no plenário da Câmara.

Emenda 164

A polêmica emenda 164, de autoria do deputado Paulo Piau (PMDB-MG), tem relação com o PRA. Ela estabelece que a União estipularia as regras gerais e os estados definiriam, de fato, o que pode ser cultivado nas APPs. O governo federal é contra a proposta porque quer exclusividade para definir as atividades permitidas em APPs.
Na visão dos governistas, a emenda 164, aprovada pelos deputados, pode abrir uma brecha para que os estados anistiem agricultores que já ocupam áreas de preservação.

O projeto de lei foi redigido pelo deputado Aldo Rebelo, do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), que sustentou que é necessário 'legalizar as coisas como estão', para começar do zero e aplicar uma estrita vigilância a fim de evitar um novo descontrole.

Brasil tem primeira usina solar conectada ao sistema elétrico


Pela primeira vez o sistema elétrico brasileiro conta com energia do sol. A MPX, empresa de Eike Batista, anunciará daqui a pouco que já conectou a usina MPX Tauá à rede nacional. A planta está em fase de testes desde ontem (segunda-feira, 23) e será inaugurada no dia 3 de junho.

Localizada no sertão do Ceará, em uma área de 12 mil metros quadrados, o empreendimento terá capacidade de geração de 1 MW, equivalente ao consumo de 1,5 mil famílias. É muito pouco em relação ao que produzem as demais fontes de energia, mas é um passo muito importante para o País porque o coloca entre os países que dominam a tecnologia.

A usina será ampliada gradualmente até atingir a capacidade de 50 MW. A empresa já possui autorização da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e licença da Superintendência Estadual do Meio Ambiente do Ceará (Semace) para aumentar a capacidade da MPX Tauá para 5 MW.

Distante cerca de 360 quilômetros de Fortaleza, capital do Ceará, a MPX Tauá está conectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) através de subestação da distribuidora Coelce, a partir de uma linha de 13,8 kV e 12 quilômetros de extensão.

Os painéis de alta eficiência da usina solar foram fabricados pela empresa japonesa Kyocera, com experiência de mais de 30 anos no setor. A cidade de Tauá foi escolhida por seus elevados índices de radiação solar ao longo de todo o ano.

Aposta na próxima década

Já existem projetos de aproveitamento da luz do sol no Brasil, mas nenhum deles é conectado ao sistema interligado. São circuitos voltados para a produção própria de residências, prédios comérciais, comunidades isoladas do sistema elétrico, entre outros casos.

A energia vai para todo o Brasil e será colocada na conta do consumidor, mas sem impacto na fatura porque representa muito pouco do consumo. A energia solar deve ganhar espaço no País apenas na próxima década, pois ainda é muito cara em relação às outras fontes de eletricidade. Cada MW/hora gerado a partir do sol custa cerca de 4,5 vezes mais que o mesmo gerado a partir da água. Mas o preço tende a cair, conforme o domínio de tecnologia e o aumento de escala. O sol é uma das apostas do planejamento energético como importante fonte de energia principalmente a partir dos próximos 20 anos, quando se esgotarem as possibilidades de novas hidrelétricas.

CÓDIGO FLORESTAL - O QUE OS RURALISTAS QUEREM.

Mas duas postagens anteriores vimos os Códigos Florestais de 1934 e 1965 e quais as suas principais características. Está em votação na Câmara dos Deputados, em Brasilia alterações no Código. A ala representada pelos grandes proprietários de terra e do agronegócio conhecida como bancada ruralista é  quem, em nome de um suposto desenvolvimento de suas atividades propõe um maior desmatamento, como também anistia para aqueles que até aqui desmataram ilegalmente.Veja o que os ruralistas querem e quais seriam as consequências para a sociedade caso as propostas sejam aprovadas:

Anistia para desmatamento e ocupação de Áreas de Preservação Permanente

O que eles querem: Desobrigação de recuperar as Áreas de Preservação Permanente irregularmente ocupadas, incluindo topos de morros, margens de rios, restingas, manguezais, nascentes, montanhas, terrenos com declividade superior a 45º.
Justificativa: A recuperação dessas áreas traria o caos à agricultura nacional, prejudicando sobretudo os pequenos agricultores e algumas culturas cultivadas em áreas de declive ou de várzea, como o arroz, café e maçã.
Consequências: uma anistia geral e irrestrita como essa condenaria à morte muitos dos rios do Sul e Sudeste do país - onde vive a maior parte da população – que já tiveram suas margens excessivamente desmatadas e só agora começam, com a ajuda do Código Florestal, a serem recuperadas. Além disso, abriria espaço para multiplicação de ocupações em áreas de risco, como encostas e dunas, multiplicando também situações de desmoronamentos e enchentes como os vistos em Santa Catarina.
A ideia de que recuperar as APPs tornaria inviável a agricultura também não corresponde à realidade. Estudo realizado pelo WWF-Brasil nos principais municípios produtores de maçã, café e uva mostraram que menos de 5% da produção atual está localizada em APPs.

Fim das Áreas de Preservação Permanente

O que eles querem: Não ter mais APP definida em lei. O Zoneamento Econômico Ecológico (ZEE) estadual deverá indicar as áreas de Vegetação Ciliar e outras Áreas Frágeis – declives sujeitos à erosão, topos de morros, etc – que deveriam ser, caso a caso, preservadas. As margens com uso já consolidado deverão ser objeto de licenciamento ambiental, que poderá manter o uso, readequá-lo, ou realocá-lo para outra área. As demais áreas hoje correspondentes às APPs poderão ter seu uso mantido, exceto se comprovado dano relevante por laudo técnico.
Justificativa:A recuperação dessas áreas traria o caos à agricultura nacional, prejudicando sobretudo os pequenos agricultores e algumas culturas cultivadas em áreas de declive ou de várzea, como o arroz, café e maçã.
Consequências: a proposta rasga o princípio da precaução, pois parte do suposto de que toda ocupação em áreas frágeis é permitida até que se prove que ela causa danos ambientais. Realizar licenciamento ambiental para cada ocupação em beira de rio é algo absolutamente irreal, pois não há no país nenhum órgão com estrutura para dar vazão aos milhares – ou milhões – de pedidos que surgiriam com a aprovação dessa regra. Na prática quase todo mundo poderia ocupar as áreas frágeis pelo resto da vida, o que só faria aumentar os casos de deslizamentos, enchentes, assoreamentos de rios, ocupação de dunas e aterramento de manguezais, com claro prejuízo à sociedade. A proposta é um convite à irresponsabilidade ambiental.

Permitir que os estados diminuam o tamanho das APPs

O que eles querem: permitir que os estados possam definir seus próprios parâmetros para as APPs, podendo definir áreas menores do que as atualmente dispostas na lei.
Justificativa: Uma lei não pode impor os mesmos parâmetros para todo o país, pois passa por cima das características locais e comete injustiças.
Comentário: É razoável pensar que, do ponto de vista técnico, seria possível definir com mais acurácia os limites e regimes de uso das APPs, levando-se em consideração a complexa interação de fatores antropogênicos, bióticos e abióticos de cada localidade. Esse é um ponto praticamente inquestionável. Porém, isso tornaria ainda mais complexa uma legislação que já é tida como complicada e tornaria mais confuso ao agricultor saber qual o tamanho e localização da área que ele tem que preservar. Além disso, a regra vai na lógica de permitir a diminuição da proteção, mas nunca de aumentá-la, o que significa que, na prática, quer legitimar casos como o de Santa Catarina, que por lei estadual diminuiu o tamanho de todas as APPs de beira de rio, independentemente de estudos técnicos e das muitas peculiaridades de cada uma das regiões do Estado. Do jeito que está, a proposta é uma roupagem científica para legitimar a sacanagem.

Fim da Reserva Legal ou anistia para seu desmatamento

O que eles querem: acabar com a figura da Reserva Legal, ou desobrigar sua recuperação nos casos de desmatamento ilegal ocorridos até 2006.
Justificativa: áreas que foram ocupadas “historicamente”, algumas vezes com “ajuda do governo”, ou quando “era permitido” não devem ser recuperadas, pois isso significaria uma imensa perda para a agricultura nacional e uma injustiça para muitos agricultores. Não seriam, supostamente, permitidos desmatamentos novos.
Consequências: o principal efeito de qualquer anistia é estimular novas ilegalidades, pois gera a expectativa de que uma nova anistia virá mais adiante para perdoar tudo o que aconteceu. Portanto, anistia significa, na prática, aumento no desmatamento, mesmo que a lei diga que “daqui pra frente não pode mais”, e, sobretudo, se não há qualquer medida nova para, de fato, evitar novos desmatamentos.
Por outro lado, as reservas legais são espaços importantes para a conservação da biodiversidade e, segundo muitas análises, para o equilíbrio do próprio ciclo da água (chuva-infiltração-evaporação-alimentação de corpos d'agua), pois as matas ciliares sozinhas não conseguem garantir esse equilíbrio. Acabar com a RL, ou desobrigar sua recuperação, significaria acabar com a esperança de recuperação de alguns biomas excessivamente desmatados – como é o caso da Mata Atlântica – condenando expressiva parcela da biodiversidade nacional definitivamente à extinção e vastas regiões do país – como o interior de São Paulo, Minas Gerais ou Rio Grande do Sul – a conviverem eternamente com problemas de déficit hídrico (falta de água) nas épocas de estiagem, comuns nessas áreas.
Ademais, não se pode considerar desmatamentos “históricos” os ocorridos em 2006, e quem desmatou nessa época sabia que estava fazendo algo contra a lei, mas contava com uma anistia para lucrar em cima de áreas importantes para a sociedade. Portanto, anistia significa premiar os que jogaram contra a sociedade.
Há que se lembrar também que nas áreas onde há mais desmatamento no país, os percentuais de RL são os mesmos desde 1934. Portanto não houve mudanças nas regras que tenham “pego de surpresa” agricultores que tinham aberto suas áreas regularmente. Mesmo na Amazônia, onde a RL aumentou de 50% para 80% em 1996, pouquíssimos são os proprietários que haviam aberto regularmente suas terras antes dessa data.
Embora a anistia proposta seja um absurdo, é possível identificar casos nos quais seria importante o apoio do Estado à recuperação de RLs. Imóveis com desmatamento realmente antigos (30 anos ou mais), cujos atuais proprietários em nada contribuíram para o fato, ou imóveis da agricultura familiar, cujos proprietários têm maiores dificuldades financeiras para recuperar suas áreas, deveriam ser objeto de políticas públicas que subsidiassem e incentivassem a recuperação, incluindo sistemas de pagamento por serviços ambientais e incentivos no crédito agrícola.

Recomposição da Reserva Legal com exóticas

O que eles querem: Poder recuperar as RLs desmatadas com até 50% de espécies exóticas (plantas originárias de outros biomas ou mesmo de outros países).
Justificativa: acrescentar espécies de uso econômico para possibilitar a recomposição da área.
Consequências: permitir que metade da RL seja formada por espécies exóticas – qualquer espécie, incluindo agrícolas – significa, na prática, que ela terá apenas metade do tamanho atual, o que em grande parte do país seria de apenas 10% do tamanho do imóvel, pois já está mais do que comprovado que plantações homogêneas de espécies exóticas – e mesmo de nativas – não cumprem com o papel de proteção da biodiversidade e de produção da maioria dos serviços ambientais prestados pela vegetação nativa. É perfeitamente possível recompor a RL com espécies nativas de uso econômico, como já está definido nas regras atuais.

Escambo de áreas desmatadas na Mata Atlântica ou no Cerrado por floresta na Amazônia.

O que eles querem: em vez de recuperar a RL, comprar áreas em regiões remotas, sobretudo na Amazônia, para supostamente proteger lá essas áreas.
Justificativa: recuperar a RL é muito caro e faria com que áreas produtivas fossem perdidas para voltar a ter florestas, portanto melhor preservar onde a terra é mais barata e ainda tem florestas.
Consequências: Comprar uma área no Amapá para compensar a falta de uma RL no Paraná não faz nenhum sentido do ponto de vista ambiental, econômico ou social. Seria manter mais floresta onde já tem floresta em troca de desobrigar a recuperação onde está precisando. Isso significa, em outras palavras, desobrigar a recuperação das RLs nos lugares onde há maior desmatamento, com as consequências relatadas acima.
Todas as regiões são igualmente importantes do ponto de vista de conservação da biodiversidade, e essa proposta trocaria uma suposta conservação na Amazônia – quem vai cuidar dessas áreas? - pela consolidação de desertos verdes em outras regiões do país, com a extinção irremediável da biodiversidade local. Além disso, os serviços ambientais prestados pela vegetação nativa são necessários em todas as regiões, e não apenas na Amazônia.
Por outro lado, recuperar as RLs em suas regiões de origem não significa necessariamente deixar de produzir alimentos ou outros produtos agrícolas. Em todas as regiões há terras subaproveitadas, muitas delas em terrenos mais frágeis e de aproveitamento marginal para a agricultura ou pecuária, que poderiam servir para a recuperação da vegetação nativa e, consequentemente, dos serviços ambientais necessários à própria produção agrícola. Por exemplo, na bacia do Alto Piracicaba, área de manancial para a Região Metropolitana de São Paulo, mais de 50% das APPs estão ocupadas por pastagens degradadas, de baixíssima rentabilidade, que poderiam ser perfeitamente recuperadas para auxiliar na produção de água.
Se juntarmos essa proposta com a de consolidação de todas as ocupações ilegais realizadas até 2006 – citada acima – percebemos que a ideia é não ter mais vegetação nativa em grande parte do país.
Hoje a legislação já permite a compensação, mas dentro da mesma microbacia hidrográfica. Há propostas de ONGs e movimentos sociais permitindo a ampliação dessa compensação para até a bacia de segunda ordem, dentro do mesmo bioma, o que permitira a flexibilidade na busca de uma área mais barata – normalmente pior para a agropecuária – mas com sentido ambiental.

Reduzir a Reserva Legal na Amazônia

O que eles querem: se não acabar com a RL, permitir que ela seja reduzida na Amazônia Legal de 80% para 50% em área de floresta e de 35% para 20% em área de Cerrado, até que o Zoneamento Ecológico Econômico seja realizado.
Justificativa: A Reserva Legal impede o desenvolvimento da Amazônia.
Consequência: essa diminuição não só desobrigaria a recuperação de vastas áreas que foram ilegalmente desmatadas nos últimos anos, como também permitiria um aumento significativo no desmatamento da floresta Amazônica, o que significa ir na contramão do Plano Nacional de Mudanças Climáticas, cuja meta principal é zerar o desmatamento na região e recuperar áreas degradadas.
Comentário: O Código Florestal permite que, por meio do ZEE, sejam identificadas áreas já alteradas e com grande aptidão agrícola nas quais a reserva legal pode ser diminuída, para fins de recomposição, para 50% da área do imóvel. Ou seja, é a partir de uma avaliação prévia que se permite aumentar as áreas de uso alternativo do solo. A proposta dos ruralistas inverte a lógica: só pode conservar onde for indicado no ZEE, e até lá pode desmatar 50% do imóvel. Claro que isso é um convite ao aumento exponencial do desmatamento e um atentado ao princípio da precaução, jogando no lixo um importante instrumento de planejamento territorial que é o ZEE e contrariando a vocação florestal de grande parte da Amazônia.

BREVE HISTÓRICO - O CÓDIGO FLORESTAL DE 1965


Na postagem anterior vimos o nascimento do primeiro Código Florestal Brasileiro em 1934 durante a ditadura Vargas. Agora veremos a reformulação desse código com o surgimento da lei 4771 em 1965.
O meio ambiente só passou a ser uma real preocupação do governo a partir da década de 1960, por causa dos impactos provocados principalmente pela industrialização.
Nessa época surgiram as primeiras instituições governamentais para a proteção ambiental: o Programa Nacional de Saneamento e o Conselho Nacional de Poluição, criados em 1967.
A insatisfação de parte da sociedade com as falhas do Código Florestal de 1934 e, sobretudo, com sua não aplicação, fez com que, já em 1950, o presidente da República Gaspar Dutra enviasse um novo projeto ao Congresso Nacional (Projeto Daniel de Carvalho). Imaginava-se que mudanças pontuais, pequenas reformas, poderiam revigorar a política florestal e colocá-la em funcionamento. Alguns, no entanto, perceberam que o problema era mais complexo do que aperfeiçoar essa ou aquela regra.
O projeto vagou pelos salões do Legislativo por mais de uma década sem resultados concretos. Em 1962 foi formado um grupo de trabalho para repor uma proposta de "novo" Código Florestal, que finalmente foi sancionado em 1965, através da Lei Federal nº 4771, vigente até hoje.
O novo CF, modernizador, embora tenha aperfeiçoado alguns dos instrumentos da antiga lei, manteve seus pressupostos e objetivos: evitar ocupação em áreas frágeis, obrigar a conservação de um mínimo da flora nativa para garantir um mínimo de equilíbrio ecossistêmico e estimular a plantação e o uso racional das florestas, notadamente nas regiões de "desbravamento" (Amazônia).
Logo em seu primeiro artigo o Novo Código Florestal diz que “As florestas existentes no território nacional e as demais formas de vegetação, (…), são bens de interesse comum a todos os habitantes do País…”, explicitando o valor intrínseco das florestas e vegetações nativas a despeito de seu valor comercial. Mais uma amostra da nova percepção de direitos que começara com a Constituição de 1988.
No Art. 2º são definidas as áreas de preservação permanente (como topos de morros, ao redor de nascentes, ao longo de rios, etc.), nas quais, segundo a Lei, só é permitida a supressão total ou parcial com a autorização prévia do Poder Executivo Federal e quando for para a execução de atividades de utilidade pública ou interesse social (definidas no Art. 1º, § 2º, incisos IV e V). Para supressão de vegetação nestas regiões em perímetro urbano, o Novo Código Florestal manda que se siga o previsto no Plano Diretor e as leis de uso e ocupação do solo do município desde que observadas às restrições impostas pelo Código. O Novo Código Florestal define ainda, a região da Amazônia Legal como a que compreende os “…Estados do Acre, Pará, Roraima, Rondônia, Amapá e Mato Grosso e regiões ao norte do paralelo 13° S, dos Estados de Tocantins e Goiás, e ao oeste do meridiano de 44° W, do Estado do Maranhão”. Abrangendo toda a chamada “Amazônia brasileira”.
Mas, uma das questões mais polêmicas do Novo Código Florestal é a questão tratada no seu Artigo 16º sobre a existência de “reserva legal” em toda propriedade, sendo que o percentual da propriedade que deve ser destinado a esse fim, segundo o Novo Código, chega a 80% na região da Amazônia Legal. Reserva na qual é proibida a supressão da vegetação nativa e só é permitida a utilização sob regime de manejo florestal sustentável. Para alguns, como a Confederação Nacional de Agricultura (CNA) e a chamada “bancada ruralista”, a utilização do imóvel rural deveria ser plena e até mesmo de uso irrestrito em nome do desenvolvimento. Mas para outros, como o CONAMA (Conselho Nacional de Meio Ambiente) e o Ministério Público, o correto é mesmo condicionar o uso da propriedade rural de modo a garantir a preservação do que, convencionou-se chamar de “bens jurídicos ambientais” uma vez que, com está escrito no Art. 1º, as florestas e demais formas de vegetação “…são bens de interesse comum a todos os habitantes do País…”.
Porém, como em 1934, o novo código veio desacompanhado de outras medidas ou políticas que o fizessem sair do papel. A única medida concreta foi a criação do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal – IBDF em 1967, que logo se ocupou mais do estímulo a reflorestamentos com espécies exóticas do que das políticas de conservação, mesmo porque essas quase que inexistiam.
A questão ambiental também foi impulsionada pela criação de entidades específicas do setor como:
O Conselho Nacional do Meio Ambiente - Conama (1981), responsável pela formulação e aplicação de políticas ambientais;
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente - Ibama (1989), organismo responsável pela fiscalização e administração de políticas do meio ambiente e pela preservação e uso racional dos recursos naturais.
Na Constituição de 1988 foi inserido um capítulo sobre meio ambiente, considerado um dos mais avançados do mundo.
De 1965 até 2000 a lei foi sendo pontualmente alterada, corrigindo algumas falhas ou criando mais restrições . Em 2000, o Código Florestal passou por outra profunda reforma, não em seus objetivos, mas novamente em seus instrumentos. Curioso notar que essa reforma, diferentemente do que ocorrera em 1965, se precipitou a partir de uma mudança pontual, efetuada inadvertidamente por uma medida provisória que aumentou a reserva legal na Amazônia para 80% da área do imóvel e não de um projeto orgânico pré-concebido.
A edição da MP gerou uma onda de insatisfação, que fez com que os desacordos com os outros pontos da lei viessem à tona, o que tornou impossível mantê-la tal como estava. Após uma dura queda de braço entre ruralistas e ambientalistas, estes últimos, com apoio maciço da sociedade brasileira, conseguiram com que fosse aprovada, por via de uma outra MP (algo totalmente inapropriado para tratar de uma lei estruturante), uma reforma progressista elaborada no âmbito do Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA, que flexibilizou alguns de seus instrumentos ao mesmo tempo em que aprimorou várias de suas definições.
No próximo texto vamos ter uma visão dos pontos discordantes do texto atualmente em discussão no Congresso Nacional.

BREVE HISTÓRICO DOS CÓDIGOS FLORESTAIS BRASILEIROS


Esta semana, se não houver novo adiamento, deverá ser votado o novo CÓDIGO FLORESTAL BRASILEIRO. É interessante, portanto, conhecermos um breve histórico dos códigos florestais anteriores e também em seguida entendermos melhor o código que está sendo discutido agora no Congresso para termos uma posição mais clara sobre o assunto e não ficarmos apenas no achismo ou no papagaismo (repetição do que os outros dizem por aí sem nenhum aprofundamento teórico.

Desde o século XVIII, naturalistas, pensadores e eminentes políticos brasileiros já atentavam para o fato de que as florestas e demais formas de vegetação nativa tinham outras funções, além de fornecedoras de madeira. A relação entre conservação florestal e o ciclo da água (chuvas, velocidade de escoamento, infiltração, manutenção de nascentes), bem como entre desmatamento e erosão/assoreamento de corpos d'agua, eram impressionantemente claras já àquela época, mesmo antes do surgimento das ciências biológicas e da ecologia, que só vieram confirmar o que o empirismo já apontava.

 O CÓDIGO DE 1934

O primeiro Código Florestal brasileiro foi editado em 1934. O Decreto Federal 23793/34 foi elaborado com a ajuda de diversos naturalistas, muitos dos quais já preocupados, à época, com a conservação das funções básicas dos ecossistemas naturais e cientes da importância de se conservar todos os tipos de vegetação nativa e não apenas aquelas que pudessem oferecer lenha. Também foi estabelecido o primeiro código das águas.
Aqueles que elaboraram o Código Florestal tinham como objetivo preservar a flora em suas múltiplas funções, seja em áreas públicas (parques nacionais), seja em áreas privadas. Nesse segundo aspecto, até hoje o mais controverso, a lei tinha duplo objetivo: a) permitir a proteção de áreas de grande beleza cênica e daquelas vulneráveis a erosões e b) estimular o uso sustentável e parcimonioso das florestas, incentivando seu plantio e exigindo a manutenção de um mínimo da vegetação nativa em todos os imóveis, bem como seu uso racional.
O Código Florestal de 1934 seria fruto de uma doutrina que apregoava a direta intervenção estatal na proteção de florestas (regime intervencionista), mesmo em terras privadas, pois eram consideradas bens de interesse comum a todos os habitantes do país pela função pública (hoje poderíamos dizer ecossistêmica) que exerciam. Isso, porém, não foi uma novidade. No Brasil, quer fosse como Colônia, Império ou República, sempre houve a prevalência de uma percepção intervencionista do Poder Público sobre a propriedade das florestas.
Portanto, a primeira conclusão que se tira é que, diferentemente do que hoje se alega pelos quatro cantos, o CF não representou uma dramática e repentina intervenção estatal sobre a propriedade privada, nem mesmo em 1934. Diferentemente de alguns regimes liberais – como o norte-americano –, no Brasil, nunca foi facultado ao proprietário fazer o que quiser com a vegetação nativa encontrada em seu imóvel, pois houve sempre limitações.
Ademais, há de se notar que na década de 1930, parte significativa das terras rurais ainda eram públicas, mas em rápido e descontrolado processo de privatização. O que o CF de 1934 fez foi estabelecer regras e limitações a serem seguidas pelos novos proprietários de terras outrora devolutas, que em troca de recebê-las do Estado deveriam cuidá-la com um mínimo de zelo, seja produzindo riquezas ou preservando sua capacidade de produzir o que hoje chamamos de serviços ambientais.
Infelizmente, assim como aconteceu anteriormente, essa lei teve pouco sucesso. Vicejou seu descumprimento e total desprezo, tanto por parte da sociedade como do Poder Público. Já em 1945, Luciano Pereira da Silva, que foi seu relator enquanto tramitava no Congresso Nacional, reconhecia a precariedade na execução de seus dispositivos, decorrente da "inércia, por displicência, das autoridades estaduais e municipais, quando não a resistência passiva e deliberada".

Amanhã veremos o Código Florestal de 1965.

O NOVO RETRATO DO BRASIL


Os dados estatísticos tornados disponíveis a partir do último censo são – e não poderiam deixar de ser – o retrato do nosso país. Essa consideração óbvia merece, contudo, um aprofundamento analítico que nos leve a refletir a respeito dessa identidade nacional.
A primeira constatação é a de que, segundo os novos levantamentos, somos agora um país que está mais para “não branco”, já que os que se consideram brancos perfazem 47,7 % dos brasileiros, contra 53,7 no ano 2000. Provavelmente, aliás, se conhecemos bem um certo preconceito que ainda nos assola e que, não raro, provoca um posicionamento “às avessas”, deve ser maior ainda esse percentual de “não brancos” (pardos e pretos), já que algumas pessoas não se assumem como são, refletindo o estigma racial.
Aqui uso as palavras do censo, mas não necessariamente para avalizá-las. Pessoalmente, acho desimportante a cor da pele dos indivíduos, pois ela, por si só, tal como credo religioso, opção sexual e tudo mais, não pode servir de elemento distintivo entre seres humanos. De qualquer forma, é sabido que, entre nós, por conhecidíssimas e não menos perversas razões históricas, os “não brancos” também integram majoritariamente o universo dos menos favorecidos socialmente. E isso não por algum fator atávico, genético ou o que seja, mas simplesmente como reflexo, ainda, do pérfido regime da escravidão a que os negros foram submetidos ao longo dos tempos, entre nós.
O fato é que, dizem os números, somos hoje um país predominantemente “não branco” e, nesse âmbito, prevalecem os menos aquinhoados socialmente. Só isso, a meu ver, já justifica que as políticas de governo (eu diria, de Estado, independentemente de governos) devam se voltar preferencialmente para esse segmento. Quanto mais não seja, porque constitui a maioria. É nesse contexto, aliás, que se pode discutir a existência das chamadas cotas, assunto que, sozinho, merece uma coluna.
Um outro dado do censo – e esse ratifica o que já se sabia – é que o Brasil é mais feminino do que masculino. Há 96 homens para cada 100 mulheres no país. Contudo, também sob esse aspecto, estamos longe de poder afirmar que essa maioria desfruta de melhores condições. A despeito do grande avanço que se deu quanto às possibilidades sociais do gênero feminino , a verdade é que a mulher ainda é penalizada pela sua condição, sendo, por exemplo, menos valorizada no trabalho (e isso se mede em termos salariais) e pouco atuante na política. Claro que, nesse último aspecto, não dá para esquecer que temos uma Presidenta da República e que há outras mulheres fazendo história no quadro político nacional. Porém, se o problema for analisado à luz maior das estatísticas, é pífia a participação da mulher nas casas do Legislativo, nos postos do Executivo, nas maiores funções do Judiciário. Além disso tudo, as mulheres ainda são objeto da violência masculina, do preconceito machista empedernido. E são pouco cuidadas enquanto gestantes ou mães, face às precárias condições de saúde ou de educação que o país oferece. As mulheres-mães , mais que todas, precisam de boa alimentação, bom acompanhamento (dos homens em geral, do Estado em particular), boas creches...
O censo também mostrou que o país está envelhecendo, ou seja, que aumentou significativamente o percentual de idosos na sociedade brasileira. Esse é um dado que podemos ver como auspicioso, porque reflete não apenas uma visão mais adequada dos brasileiros quanto ao planejamento familiar, mas também melhores condições geradas em diversos níveis e que acabaram por elevar a expectativa de vida do nosso povo. Mas, é claro, convida também à reflexão sobre o que estamos fazendo pelos nossos velhos,em termos de lhes garantir, nessa vida mais longa, uma qualidade superior, que transforme em verdade o ideal de gozo da felicidade ao cabo de muitíssimos anos de trabalho. Isso, cá para nós, a despeito dos avanços dos últimos anos, está longe de sequer aproximar-se do que poderíamos chamar de um digno desfrutar da velhice.
Somos , então, hoje, um país menos branco, mais feminino e mais envelhecido. Mas também continuamos sendo um país de significativas desigualdades, de indesejáveis privilégios de minorias encasteladas nos diversos comandos sociais, embora aplacados por algumas medidas governamentais que se efetivaram nos últimos anos .
Lembrando Cazuza, esse é o país que mostra sua cara. Uma cara alvissareira, por um lado, preocupante por outro. Esses três segmentos, ainda aproveitando versos de Cazuza, precisam viver com dignidade, precisam que haja uma ideologia que os salvaguarde, os defenda, e lhes garanta a indispensável honradez . E isso passa, para variar, por conteúdos políticos que contemplem projetos sociais de efetiva e definitiva inserção cidadã.

Texto de Rodolpho Motta Lima, publicado originalmente no Blog Direto da Redação

PAUL MACCARTNEY DIZ TER FEITO MÚSICA EM HOMENAGEM A CHICO MENDES

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Com duas apresentações marcadas para este domingo (22) e segunda-feira (23), no estádio Estádio do Engenhão, no Rio de Janeiro, o ex-beatle Paul McCartney celebra a quarta passagem pelo Brasil.

Foi a turnê mundial de promoção do álbum “Flowers in the Dirt” que trouxe o ex-beatle pela primeira vez ao Brasil um ano após o lançamento do álbum em 1989 — Paul não cruzava o planeta divulgando um disco desde 1976. É deste álbum a canção "How many people", dedicada ao líder seringueiro Chico Mendes, assassinado em 1988 ("Quantas pessoas já morreram? / Uma é demais para mim neste momento").

Embora a letra seja muito vaga e não faça referência direta a Chico Mendes ou à preservação da floresta, Paul garante que a música foi uma homenagem a ele.

LIÇÕES QUE MUITOS HUMANOS DESCONHECEM

Que lições nos dão as espécies “menos evoluídas” do planeta? Será que eles tem algo a nos transmitir, ou somente nós, espécie superior e senhora dos destinos da Terra é que temos muito a transmitir.
Acho que as ditas espécies inferiores nos mostram todos os dias qualidades que muitos, mas muitos humanos mesmo, não possuem. Então vejamos:

1. Respeito à diversidade:

2. Convivência entre seres diferentes


3. Amor familiar:




4. Respeito e consideração aos filhos:


Alguém pode nos apresentar alguma espécie além do ser humano que tenha praticado genocídio? Que tenha escravizado seus semelhantes? Que abandonou seus filhotes simplesmente para se ver livre deles. Que tenha violentado sua fêmea? Enfim, alguém pode apresentar um animal que tenha comportamento humano?

BRASIL ENTRA PRA VALER NA ENERGIA EÓLICA

Vivemos numa época de mudanças, na qual se procura fazer face, de forma rápida, nem sempre clara, aos fatores responsáveis pelos impactos ambientais nefastos que sofremos atualmente e cujas previsões para o futuro só tendem para um agravamento. O uso de combustíveis fósseis em larga escala tem mudado substancialmente a composição da atmosfera e o balanço térmico do planeta provocando alterações climáticas. As previsões dos efeitos decorrentes para um futuro próximo são várias, isto é, ninguém sabe dizer exatamente quais serão as conseqüências, mas todos estão de acordo num ponto: as conseqüências são catastróficas. Alternativas como a energia nuclear, que eram apontadas como solução definitiva, já mostraram que só podem piorar a situação. Vide as postagens anteriores deste Blog sobre Chernobyl e Fukushima.
Portanto, surge uma necessidade eminente de encontrar soluções limpas e ambientalmente corretas. A utilização das energias renováveis em substituição aos combustíveis fósseis é uma direção viável e vantajosa. Pois, além de serem praticamente inesgotáveis, as energias renováveis podem apresentar impacto ambiental muito baixo, quase nulo, sem afetar o balanço térmico ou a composição atmosférica do planeta.
O Brasil vai a partir de julho realizar o leilão de implantação de 429 usinas eólicas num total de 11.000 mw. Nos dois leilões anteriores realizados em 2009 e 2010 foram contratadas centrais eólicas num total de 4.700 MW, portanto teremos um acréscimo de 100%.
As usinas eólicas apresentam as seguintes vantagens sobre os demais sistemas de geração de energia elétrica.
1. É uma fonte inesgotável
2. Não emite gases poluentes nem gera resíduos;
3. As áreas das usinas podem ser utilizadas para outros fins como a agricultura;
4. É uma das fontes mais baratas de energia;
5. Os aerogeradores não necessitam de combustível e exigem escassa manutenção;
6. Em 6 meses de produção a usina recupera os investimentos em aerogeradores.

Também existem desvantagens:
1.A intermitência dos ventos nem sempre gerando a energia suficientye e criando a necessidade de um segundo sistema gerador como uma termoelétrica.
2. Impacto sobre as aves locais;
3. Impacto sonoro, cerca de 43 decibéis.

PLANETA FORA DO SISTEMA SOLAR É POTENCIALMENTE HABITÁVEL

Um dos planetas que gira ao redor da estrela anã vermelha Gliese poderia ser habitável, segundo um novo estudo científico. O Gliese 581d, como é conhecido, teria clima propício para a existência de água em estado líquido e também para abrigar vida.
A afirmação, feita em comunicado na segunda-feira (16), vem do CNRS (Centro Nacional de Pesquisas Científicas), que classifica o 581d como o "primeiro planeta potencialmente habitável".
Quando detectado em 2007, o 581d indicava que não poderia ser habitável por ser frio demais.
Esse exoplaneta, que orbita uma estrela pouco quente, uma anã-vermelha, recebe três vezes menos energia, se comparada à que a Terra recebe do Sol. Também é possível que tenha sempre a mesma face voltada para a sua estrela, enquanto a outra permanece em eterna escuridão.
Apesar dessas desvantagens, o 581d poderia se beneficiar de um "efeito estufa", afirma o CNRS, que tornaria seu clima quente o suficiente para permitir a formação de oceanos, nuvens e chuva.
Segundo os cientistas, o exoplaneta poderia inclusive evitar a condensação de sua atmosfera na face noturna.
A equipe dos cientistas Robin Wordworth e François Forget, do LMD (Laboratório de Meteorologia Dinâmica), que pertence ao Instituto Pierre Simon Laplace de Paris, baseou sua simulação em modelos que costumam ser usados para estudar o clima terrestre. Para chegar às conclusões sobre o 581d, a margem de condições possíveis foi ampliada.
Detalhes da pesquisa constam na revista científica "The Astrophysical Journal Letters".

A CIDADE FANTASMA DE CHERNOBYL 25 ANOS APÓS O MAIOR DESASTRE NUCLEAR DA HISTÓRIA

Vinte e cinco anos, desde o pior acidente nuclear do mundo na usina de Chernobyl, as colônias vizinhas são ainda cidades-fantasmas, com milhares de casas abandonadas e deixadas em ruínas. A Ucrânia lembrou em abril um quarto de século desde o desastre, que pôs em perigo milhares de vidas e contaminou florestas virgens e terras agrícolas de radiação mortal. A explosão em 26 de abril de 1986, lançou uma nuvem de contaminação radioativa sobre grande parte da Europa e forçou milhares de pessoas a deixar suas casas nas áreas mais fortemente atingidas na Ucrânia, Bielorrússia e Rússia ocidental.
Cidade do apocalipse: um prédio abandonado na cidade abandonada de Pripyat, a mais próxima à usina de Chernobyl que explodiu há 25 anos

Os cientistas estão profundamente divididos sobre como muitos morreram em conseqüência da explosão, que liberou cerca de 400 vezes mais radiação do que a bomba atômica que os  EUA lançaram sobre Hiroshima. Uma conferência internacional de doadores em Kiev na semana passada levantou £ 485 milhões de 653.000.000 £ o necessário para construir um novo abrigo e uma unidade de armazenamento de combustível irradiado.
A vista do alto de um hotel em Pripyat, a cidade que foi construída principalmente para os trabalhadores da casa da central nuclear de Chernobil

Na ocasião do desastre funcionários soviéticos não o relataram por vários dias. Mesmo na cidade poucos sabiam o que tinha acontecido quando a planta reator número 4 explodiu cerca de 1h30 da manhã. O reconhecimento oficial veio três dias depois.
O presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, e o patriarca ortodoxo russo Kirill homenageou as vítimas do acidente nuclear com orações e luz de velas na noite de Kiev antes de viajar para a estação de Chernobyl na terça-feira. Uma área de 19 quilômetros ao redor da planta foi desabitada, exceto para trabalhadores temporários da fábrica , e várias centenas de pessoas locais, que voltaram para suas casas, apesar das advertências oficiais. Vasily Voznyak, o chefe do departamento do governo soviético de Chernobyl, em 1986-1990, em entrevista à imprensa disse que os funcionários estavam totalmente despreparados para o acidente: "Nem a defesa civil, nem a gestão da estação, nem os órgãos do partido soviético na região foram preparados para um acidente de tal dimensão global ", disse ele em Moscou.
Carrinhos de choque cheios de ferrugem em um parque de diversões em Pripyat. Uma área de 19 quilômetros ao redor do centro foi desabitada desde o vazamento nuclear.

A Organização Mundial da Saúde disse em uma conferência de Kiev em abril passado que, entre as 600.000 pessoas mais expostas à radiação houve 4.000 mortes por câncer acima da média. As autoridades soviéticas inicialmente ofereceram um pacote generoso de benefícios para Chernobyl. Mas ao longo do tempo os benefícios foram cortados. Cerca de 2.000 veteranos da limpeza de Chernobyl em Kiev reuniram-se no início deste mês para protestar contra cortes nos seus benefícios e pensões após a Ucrânia  declarar que o cumprimento das promessas do passado para os trabalhadores de Chernobyl foi "além da força do governo" em meio à crise financeira. Veteranos de Chernobyl, em Belarus estão enfrentando cortes similares.
Uma loja de móveis abandonada na Avenida Lênin continua a decair. A explosão de Chernobyl expeliu uma nuvem de contaminação radioativa por grande parte da Europa e forçou milhares de pessoas a deixar suas casas

Agora, com a repetição do desastre nuclear em Fukushima, o Japão está lutando para manter a radiação da Usina sob controle após o terremoto do mês passado e tsunami que provocou um desastre nuclear. No início do mês passado a Empresa nuclear japonesa e a Agência de Segurança Industrial promoveram sua avaliação da crise nuclear de Fukushima elevando a classificação do desastre ao mais alto nível na escala International Nuclear e Radiológica, colocando-o a par com Chernobyl:  a classificação máxima de 7 na INES escala. No entanto, Evgeny Akimov, um engenheiro nuclear e ex-chefe da unidade de confinamento de Chernobyl, disse que está convencido de que a escala do desastre na usina de Fukushima é muito menor uma vez que "nenhum combustível foi lançado para fora dos vasos reatores.
Voltar no tempo: A cantina de uma escola em Pripyat ainda apresenta uma caixa registradora em meio à decadência terrível

O centro de lazer onde o tempo parou

ANJANA - UMA MÃE CHIMPANZÉ MULTIRACIAL


Os personagens são 4: China a criadora, Anjana, uma chimpanzé de 2 anos e dois tigres brancos bebês com 21 dias de idade: Mitra e Shiva.
O local é um instituto na Carolina do Sul, Institute of Greatly Endangered and Rare Species.

A chimpanzé assumiu o papel crucial de mãe substituta depois que os jovens tigres foram separados de sua mãe que tornou-se agressiva depois de se assustar quando o furacão Hannah devastou o instituto pondo em risco a vida dos filhotes.

A partir daí Anjana não só auxilia China em cuidar dos bebês, mas praticamente assumiu o papel de mãe adotiva.
É ela que lhes dá mamadeira e fica com eles o tempo todo.

O instituto tem 45 grandes felinos, incluindo o branco e vermelho com listras douradas  - uma das mais raras raças de gatos grandes. Há também ursos, outros primatas e um elefante Africano.
Anjana é um exemplo de dedicação, independente de raça, espécie ou gênero. Um, belo exemplo de causar vergonha a muitos humanos: a espécie superior.

PRESERVAÇÃO AMBIENTAL E JUSTIÇA SOCIAL


A comunidade científica não é coesa em torno das causas das mudanças climáticas que nos assolam. Existe um grupo que considera os movimentos de aquecimento da atmosfera como decorrentes da própria trajetória da Terra ao longo das eras, algo vinculado aos ciclos geológicos que intercalam, de tempos em tempos, resfriamento e calor. Um outro grupo, por sua vez, aponta o ser humano como o catalisador dessas mudanças, o verdadeiro responsável pelo início do atual ciclo de aquecimento. No entanto, para ambos os grupos, não restam dúvidas quanto ao papel de protagonista do homo sapiens na aceleração das transformações, por sua influência no meio ambiente, cada vez maior e mais impactante, seja como agente preponderante ou auxiliar das mutações.

É sobre essa convicção científica que se assenta a necessidade de introduzir as dimensões jurídicas e sociais do debate ambiental, a partir da compreensão de que o conceito jurídico de cidadania global pressupõe que sejam equacionados os desequilíbrios sociais existentes atualmente. Em outras palavras: não há como se falar em equilíbrio ambiental no planeta sem antes debatermos os meios de superar as desigualdades sociais existentes na geopolítica global.

A ONU, um dos organismos internacionais que podem atuar decisivamente para o equilíbrio sociopolítico e ambiental, produziu em 2009 um estudo sobre desastres climáticos no mundo ocorridos entre 1975 e 2007 (“Risk and Poverty in a Changing Climate”, ou “Risco e Pobreza em Mudanças Climáticas”). A esperada conclusão foi que as populações dos países pobres e de governos instáveis ou com instituições menos sólidas sofrem mais danos —e mais profundos e permanentes— resultantes de desastres climáticos do que as populações de países desenvolvidos. A combinação de instituições frágeis, desigualdades sociais e baixo nível de desenvolvimento amplia as conseqüências das calamidades.

Ora, se a ação do homem é relevante para acelerar os processos de aquecimento global e os desequilíbrios ambientais e se as nações menos desenvolvidas sofrem acentuadamente mais com esse quadro, é preciso atuar em duas frentes de maneira concomitante:

1. trabalhar no desenvolvimento tecnológico e social para mitigar os efeitos da ação do homem sobre o meio ambiente;

2. de forma especial e mais urgente, alterar os padrões de consumo no mundo.

A primeira frente é abordada com freqüência e muita propriedade pela maioria esmagadora dos ambientalistas, em propostas de ação que vão desde identificar novas fontes de geração de energia limpa, formas de diminuição do ritmo de crescimento populacional e até otimização dos detritos para obter o mínimo possível de lixo ao final da cadeia produtiva. A segunda frente, no entanto, é menos levantada. Há um problema de justiça distributiva no mundo, e a verdade é que não temos como consumir todos no padrão das nações desenvolvidas, porque manter esse padrão e ritmo é perpetuar as implicações sociais nocivas, detectadas pelo estudo da ONU, nos países em desenvolvimento e não desenvolvidos. Em essência, se o ideal de desenvolvimento igualitário entre primeiro e terceiro mundo for realizado, se todos consumirmos no padrão médio de consumo da população primeiro-mundista, os recursos naturais do globo deixarão de existir.

Não podemos mais travar o debate ecológico sem absorver o inescapável prisma social. Da mesma forma, pensar as políticas ambientais doravante é ter de modificar os níveis de consumo do mundo globalizado. Buscar mecanismos de frear a degradação ambiental sem avançar sobre como iremos redistribuir a renda e o consumo mundiais é refletir sobre parte do problema, produzindo uma idéia de sustentabilidade injusta e não cidadã. Porque não podemos mais, como humanidade cidadã, permitir que o hiperconsumo nos países desenvolvidos se dê à custa da miséria dos subdesenvolvidos.

O jornal britânico Daily Mail publicou, em 2010, pesquisa que evidencia essa desproporção de consumo. Em média, as mulheres britânicas têm 12 peças de roupa que não são usadas há anos. Juntar todos os guarda-roupas femininos do Reino Unido resulta em R$ 14,3 bilhões (5,4 bilhões de libras) inutilizados. O exemplo do guarda-roupa feminino serve também para os homens, pois o nível do consumo mundial hoje em dia não é veleidade exclusiva a um dos gêneros, é difundido a quaisquer que sejam os sexos, preferências sexuais, profissões, faixa etária etc. Muito do que consumimos é composto de produtos que não vamos usar. E isso se dá à custa da fome nos rincões mais pobres do mundo —na Ásia, na África, na América Latina, no Brasil, ao menos quando pensamos a distribuição dos patamares de consumo na geopolítica global face a um ecossistema de recursos naturais limitados.

Se não imbuirmos o debate ambiental com a perspectiva de redistribuição de renda e consumo no mundo, se não buscarmos equilíbrio do ser humano com o uso dos recursos ambientais e também com os demais seres humanos, estaremos buscando um modelo de preservação ambiental que, mais uma vez na história, privilegiará os de sempre. Adotando políticas de pura e simples interrupção nos níveis de crescimento de consumo, sem que junto sejam produzidas formas de mitigação nas desigualdades deste mesmo consumo, estaremos condenando a maior parte da humanidade a pagar com a fome pela manutenção dos recursos naturais necessários ao sustento do consumo irracional dos povos privilegiados. Destarte, estaremos distante do que se pode entender por cidadania global.

Debater como controlar o aquecimento global e outras questões que impliquem na preservação da vida no planeta é, portanto, rediscutir as relações sociais e de poder no plano internacional. Devemos estancar os padrões de consumo global, redistribuindo pelo globo seus patamares, através de políticas compensatórias do primeiro mundo ao terceiro, de molde a equalizar o consumo global em patamares mais igualitários e menos agressivos ao meio ambiente. Sustentabilidade real não há sem justiça social global.

Texto escrito por Pedro Estevam Serrano para Carta Capital.


BREVE HISTÓRIA DA DEVASTAÇÃO DA MATA ATLÂNTICA


Os números a seguir foram extraídos do livro “A Ferro e Fogo”, de Warren Dean (Companhia das Letras, 2010).

No que se refere à exploração do pau-brasil:


“Os tupis (…) tiravam-lhes a casca e a cortiça e cortavam os troncos em seções menores. Pesando estas de 20 a 30 quilos, podiam ser carregadas nos ombros por certa distância até os atracadouros.”

 “(…) d. Manuel [rei de Portugal] entregou a exploração da nova colônia a um grupo de comerciantes, que deviam despachar pelo menos seis navios por ano para extrair pau-brasil e o que mais pudessem encontrar. Nisso foram diligentes: consta que, nos primeiros anos, coletaram cerca de 1200 toneladas/ano.”

 “Em 1588, 4700 toneladas de pau-brasil passaram pela aduana portuguesa, talvez metade do verdadeiro volume.”

 “(…) um cronista de meados de 1550 relatou ter observado 100 mil pedaços de tronco estocados na colônia francesa do Rio de Janeiro. (…) Em conjunto, todos esses negociantes podem ter provocado a extração de 12 mil toneladas por ano.”

“Considerando que em volume médio anual de 8 mil toneladas no século XVI implicava corte, carreto, estocagem e transporte em chatas  de cerca de 320 mil seções de 25 quilos cada, vários milhares de indígenas teriam sido empregados na exploração. Calcula-se que esta tonelagem exigiu a derrubada de aproximadamente dois milhões de árvores durante o primeiro século do tráfico. (…) Se acrescentarmos 20% de desperdício por essas e outras perdas, e se imaginarmos que o pau-brasil era de incidência média nas baixadas costeiras, digamos de quatro exemplares por hectare com um diâmetro de 50 centímetros, em ponto de cortar, então o comércio de pau-brasil, somente no primeiro século, afetou 6 mil quilômetros quadrados de Mata Atlântica.
“Os apelos de [Manuel da] Nóbrega foram ouvidos (…) para esmagar toda a resistência tupi nas baixadas em volta do Rio de Janeiro, desde a baía de Angra dos Reis até Cabo Frio. Consta que uma ofensiva de seis anos sobre o planalto paulista (…) destruiu 300 aldeias, matando ou capturando seus habitantes, que chegavam a 30 mil. (…) No colapso que se seguiu, os indígenas desesperados por comida vendiam seus filhos e até a si mesmos para a escravidão.”

“Ao longo da costa de São Vicente a Cabo Frio, onda após onda de doenças devastaram os tupis; em 1600, estavam reduzidos a uns quatro ou 5 mil, um declínio assustador de 95% em um século.”

 “A população do Brasil sob controle português em 1600 pode ter chegado a menos de 65 mil. Menos de 10 mil desses residentes eram europeus ou mestiços. Sua área de ocupação efetiva pode ter se estendido por 16 mil km2.”

No que se refere ao plantio de cana-se-açúcar.

“Pode-se calcular que até 1700 (…) os campos de cana teriam eliminado uns mil km2 de mata atlântica. (…) Cerca de quinze quilos de lenha eram queimados para cada quilo de açúcar produzido, o que daria a média de 210 mil toneladas de matas secundárias e florestas de manguezais de enseadas cortadas anualmente para esse fim. (…) Calculando-se duzentas toneladas de lenha por hectare, as moendas teriam consumido mais de 1200 km2 no curso de 150 anos. (…) na metade do século XVII, os fazendeiros de açúcar da Baía da Guanabara queixavam-se de escassez de lenha.”

No que se refere à mineração.

“De 1700 a 1800, 1 milhão de quilos de ouro foram oficialmente registrados e talvez outro milhão tenha escapado ao fisco real. Cerca de 2,4 milhões de quilates [480 quilos] de diamantes foram extraídos, segundo registros oficiais e uma quantia adicional desconhecida e incalculável foi contrabandeada.”
“(…) a força de trabalho empregada no ouro e diamante, no curso do século, deve ter chegado em média a cerca de 100 mil, incluindo os garimpeiros, de sorte que cada trabalhador teria escavado, irrigado, dragado e bateado modestos duzentos m3 por ano.”

“O teor de ouro dos minérios, em geral, era de 21 a 22 quilates, mas os minérios de qualidade inferior eram amalgamados com mercúrio.  Esta fonte de poluição não tem sido investigada  por historiadores ou cientistas. As quantidades de mercúrio que podem ter sido extraídas ou importadas e a quantidade que pode ter sido empregada e espalhada  pelos solos dessa região Mata Atlântica  no curso de um século são, por isso, hipotéticas mas, a julgar pelas práticas correntes e ainda muito primitivas da Amazônia, pode ter chegado a cem toneladas, supondo-se que não mais de 10% do minério extraído fosse beneficiado dessa maneira – com que efeito sobre a biota?”

“A descoberta de ouro e diamantes aumentou muito a população neo-afro-européia da Mata Atlântica. Em 1880, totalizava cerca de 1.800.000 indivíduos, tendo se multiplicado seis vezes durante o século, um crescimento anual de cerca de 1,8%. (…) Os neo-afro-europeus podem ter ocupado na época 90 mil km3 do segmento sudeste da Mata Atlântica, de Paranaguá [PR] até Caravelas [BA].”

“Os garimpeiros de ouro e diamante comiam carne de boi. (…) O sistema de pecuária era extraordinariamente improdutivo. Pasto nativo degradado e pasto convertido permitiam apenas um rebanho muito ralo, provavelmente não mais que uma cabeça para cada 2 a 5 hectares. (…) Em 1808, um ano no qual os fazendeiros, estimulados pelo livre comércio, podem ter vendido uma cota invulgarmente grande de seus rebanhos, o Rio de Janeiro exportou 450 mil peles. Essa quantidade sugere a exploração de pelo menos 36 mil km2 de pastagens [600 x 60 km contínuos].”

“O terceiro século de invasão européia da Mata Atlântica reduziu consideravelmente sua extensão. A mineração, a lavoura e a engorda de gado no sudeste podem ter eliminado, durante o século XVIII, outros 30 mil km2. Tão ampla, completa e irreversível havia sido a eliminação da floresta em Minas Gerais durante o século XVIII que Karl Friedrich Von Martius, o mais famoso dos botânicos acolhidos no Brasil nos anos de 1810, foi levado a supor que a região do ouro e do diamante, a sudoeste de Minas Gerais,e a região nordeste da cidade de São Paulo nunca haviam tido floresta mas eram constituídas de campos gramados nativos.”

ACABOU A ERA DA ABUNDÂNCIA DE ÁGUA

O TEXTO FOI CHUPINZADO POR MIM DE "O ESTADO DE SÃO PAULO" QUE O CHUPINZOU DO  "NEW YORK TIMES".

O jornalista americano Charles Fishman lança The Big Thirst, um novo livro sobre a água. Sua obra anterior, The Wal-Mart Effect, foi eleito o “livro do ano” pela The Economist em 2006 e um dos finalistas do prêmio Financial Times para o melhor livro de economia. Ele aborda o tema da água nesta entrevista.
O sr. diz que não teremos mais água que tenha ao mesmo tempo três qualidades: ilimitada, barata e segura. Por que não?
Fomos mimados. No mundo desenvolvido foram construídos, há cem anos, os sistemas de abastecimento mais bem projetados e realizados. Funcionaram tão bem que fizeram das nossas cidades centros urbanos viáveis, criativos, saudáveis e vibrantes do ponto de vista econômico. Esses sistemas se tornaram tão perfeitos que permaneceram – até hoje – invisíveis.
Quando abrimos a torneira, pressupomos que a água esteja ali, pronta, e que a rede de abastecimento enterrada no solo esteja funcionando. Ambos os pressupostos estão ultrapassados. O crescimento populacional, o desenvolvimento econômico e as mudanças climáticas sobrecarregam o fornecimento.
Portanto, teremos de nos despedir do consumo despreocupado e ingressar numa era de utilização racional da água. Por que regamos as plantas ou damos descarga nos banheiros com água tratada e potável?
Sua posição sobre os inconvenientes do emprego da água potável me lembram da questão do estacionamento. Achamos que o estacionamento gratuito é ótimo, mas ele causa problemas – como esperar para encontrar uma vaga e trânsito pesado. De que maneira o sr. tentaria convencer alguém de que a água gratuita é na realidade uma coisa ruim?
A água não é de graça. As pessoas dirão: “Eu pago a conta d”água, US$ 30 por mês, não tem nada de graça!” Bem, é quase. Meio litro de água engarrafada custa US$ 0,99. A conta média da água de uma família, nos EUA é de US$ 34. Portanto, temos água em casa todos os dias para tudo, do banho ao preparo de alimentos, por US$ 1 por dia.
A água de graça – tão barata que nunca paramos para pensar no seu custo – é um desastre. Quando alguma coisa é de graça, o conceito é de que ela é ilimitada. A água gratuita leva a desperdício. Produtores rurais e gerentes de fábricas e hotéis nunca se preocupam com a quantidade de água que usam e com seu uso inteligente. Água barata significa também que as empresas das quais dependemos para o seu fornecimento nunca têm dinheiro para se modernizar ou encontrar reservas.
Se fosse possível mudar alguma coisa para resolver o problema da água – uma melhor gestão do meio ambiente ou o fornecimento a quem não tem -, seria o preço. Nós podemos pagar um pouco mais com o nosso notável sistema. Mas teremos problemas se deixarmos que ele se torne obsoleto.
Suponho que cobrar mais pela água não resolveria os problemas do mundo em desenvolvimento. Aumentar o acesso à água potável não exigiria uma outra mudança?
O fundamental na questão do custo da água é o seguinte: as pessoas pagarão pelo fornecimento de água segura, acessível e que as liberte da escravidão de terem de caminhar ou de fazer fila para consegui-la.
Visitei um bairro de Nova Délhi chamado Rangpuri Pahadi. Seus 3,5 mil habitantes vivem com US$ 100 por mês. Estavam tão desanimados por ter de ficar na fila horas a fio todos os dias que criaram sua própria rede em miniatura. Fizeram uma campanha para angariar contribuições – um gasto enorme para pessoas cuja renda diária é US$ 3 -, perfuraram poços e instalaram canos que saem de um tanque de armazenamento até a choupana de cada família.
Os que querem água pagam por ela cerca de um dia de salário por mês. A água fornecida pela empresa recém-criada é melhor que a da rede pública e está disponível na hora certa. Eles pagam o equivalente aos US$ 150 por mês que uma família americana pagaria.
O dinheiro não é a única solução – o custo da guerra no Iraque seria suficiente para criar redes de abastecimento para todas as pessoas da Terra. O problema real é humano: ajudar as pessoas a dispor de um sistema confiável é mais difícil do que parece. O problema não está na tecnologia ou nos recursos, mas na vontade política e no conhecimento da cultura.
No nosso país, alguma comunidade descobriu como usar a água de modo mais econômico?Os produtores agrícolas usam 15% a menos de água que há 30 anos e plantam 70% a mais. A produtividade da água dobrou desde 1980. As usinas hidrelétricas usam menos água que há 30 anos e geram mais eletricidade.
Visitei uma fábrica de semicondutores da IBM que, em dez anos, reduziu em 29% o uso da água ao mesmo tempo que aumentou a produção em 33%.

Orange County, na Flórida, há 25 anos tornou obrigatório o emprego da água de reúso nas novas construções. Hoje, a quantidade de água de reúso bombeada diariamente é quase igual à de água potável. O condado dobrou de tamanho, mas não precisou dobrar a quantidade de água potável. / NYT. TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Na Mata Atlântica 59% das árvores são raras e podem desaparecer.

Durante três anos a bióloga Ales­sandra Nasser Caiafa atra­­vessou o país algumas vezes para mapear a diversidade de árvores da Mata Atlântica, a vegetação densa e viçosa que já ocupou quase toda a costa brasileira e abriga muitas espécies de plantas e animais encontradas somente ali, várias ameaçadas de extinção. Na jornada ela não precisou de botas nem facão: analisou 225 documentos científicos (livros, teses e artigos) guardados nas 28 instituições de pesquisa que visitou entre 2004 e 2007. Caminhando pela mata, Alessandra só conseguiria cobrir nesse tempo uma parte pequena da vasta área já percorrida por outros pesquisadores.
Cambucá-Peixoto

Nessa leitura, a bióloga mineira, atualmente professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), confirmou as razões por que a Mata Atlântica é considerada um dos ecossistemas mais ricos do mundo em diversidade de espécies. No trecho que vai do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul há 846 espécies de árvores, do franzino cambucá-peixoto (Plinia rivularis), que não passa de quatro metros de altura e produz frutos avermelhados semelhantes à jabuticaba, ao portentoso jequitibá-branco (Cariniana estrellensis), o gigante da floresta em tupi-guarani, que pode atingir 60 metros de altura.
Jequitibá branco

A surpresa maior, porém, veio quando Alessandra analisou como essas espécies se distribuem nessa faixa que se estende por quase 2.900 quilômetros no sentido Norte-Sul e cerca de 100 quilômetros continente adentro. Apesar da variedade, a maior parte das espécies (59%) são árvores raras, encontradas em áreas restritas ou num ambiente específico da floresta. Uma proporção considerável, 11% das espécies, ou quase uma em cada 10, são raríssimas: têm pouquíssimos exemplares, concentrados em algum ponto do litoral, e por isso correm maior risco de desaparecer.
Samambaiaçu, popular xaxim

“Essas informações estimulam esforços de investigação semelhantes, já que no Nordeste, por exemplo, é grande a carência de dados sobre a diversidade de árvores da Mata Atlântica”, afirma Alessandra. “O trabalho aplicou um sistema de avaliação reconhecido internacionalmente”, explica o botânico Fernando Roberto Martins, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que orientou Alessandra no doutorado e é coautor do artigo publicado este ano na Biodiversity and Conservation. “Quantificamos e qualificamos o grau de raridade das árvores da Mata Atlântica. Temos agora uma fotografia mais fiel de como essas espécies se distribuem”, completa.
Pau Brasil

Raras e raríssimas - No trabalho Alessandra e Martins usaram uma escala de classificação que determina o grau de raridade de uma espécie a partir de três critérios: afinidade por um ambiente específico, abundância local e distribuição pela área estudada.
Combinados, esses três fatores definem uma escala de oito níveis: um de espécies comuns e outros sete de graus crescentes de raridade. No primeiro nível de raridade estão as árvores encontradas em diferentes altitudes e com níveis variados de umidade, grande distribuição geográfica e pequena abundância local em certos trechos (4,5% das 846 espécies). Já a categoria 7, a das raríssimas, incluiu 11% das árvores: todas com baixíssima capacidade de adaptar-se a outros ambientes, encontradas em populações pequenas e distribuídas por uma área bastante restrita.
Sapucaia

Os pesquisadores encontraram espécies raras ao longo de toda a área estudada. Segundo Martins, fatores históricos, geográficos e biológicos explicam esse padrão. No clima seco que caracteriza os períodos de glaciação – o mais recente entre 18 mil e 14 mil anos atrás – só sobreviveram grandes árvores em áreas mais úmidas, como os vales e as encostas próximas ao mar, como sugere a teoria dos refúgios, proposta nos anos 1960 pelo alemão Jürgen Haffer, adaptada à realidade brasileira pelo geógrafo Aziz Ab’Saber e contestada recentemente.
Jacarandá

“Foram vários eventos sucessivos de restrição e espalhamento que moldaram o padrão de distribuição das espécies pela Mata Atlântica do litoral Sul e Sudeste”, explica Martins. Atualmente, diz, esse padrão sofre influência direta da ação humana e da destruição da floresta.
IPÊ amarelo-tb estão na lista o roxo e o branco

Não por acaso, muitas das árvores raríssimas estão na lista de espécies ameaçadas de extinção elaborada pela Fundação Biodiversitas em 2005. O que preocupa os pesquisadores é que o desaparecimento das mais raras pode gerar um efeito dominó, afetando a disponibilidade de alimento para vários grupos de animais. “A extinção de uma única espécie rompe o nó de uma rede de interações, levando ao desaparecimento de várias outras”, explica Martins. Outras possíveis consequências são o empobrecimento do solo e o aumento dos níveis de gás carbônico no ar.
Jatobá

Alessandra considera problemático o avanço das fronteiras agrícolas e o crescimento das cidades em áreas de Mata Atlântica e ressalta: “É preciso sensibilizar autoridades públicas e proprietários de terra para a importância dessas espécies raras”. Um modo de proteção possível, sugere, é criar unidades de conservação menores em áreas com mais espécies bem raras.
matas do Sul e Sudeste abrigam árvores pouco comuns