VALEU, PRESIDENTE LULA

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Video sanguessugado do Blog quanto tempo dura *


Para mim, primeiro trabalhador eleito Presidente da República, será motivo de grande satisfação transmitir a faixa presidencial, no próximo dia 1º de janeiro, à primeira mulher eleita Presidente da República. Tenho perfeita consciência do imenso simbolismo desse ato.
Ele proclamará ao mundo inteiro – e a nós mesmos – que somos um País com instituições consolidadas, capazes de absorver mudanças e progressos. E que somos também um País que aprendeu a duras penas que não há preconceito, por mais forte que seja, que não possa ser vencido e superado pela tenacidade do povo.
Simbolicamente, estaremos proclamando ainda que ninguém é melhor do que ninguém. Não importam as diferenças de origem social, de sexo, de sotaque ou de fortuna. Somos todos brasileiros. E todos devem ter oportunidades iguais, o direito a sonhar com dias melhores e o apoio para melhorar sua vida e a de sua família.
Luis Inácio Lula da Silva

*Video produzido por http://quantotempodura.wordpress.com

ASTROLOGIA E DESTINO - PEQUENA HISTÓRIA

O ano agoniza e com ele surge sempre a questão: como será o novo ano que se inicia. Recorre-se a mil crendices,  mil rituais e é uma época em que os horóscopos são mais febrilmente vasculhados em busca de pistas e respostas às nossas ansiedades sobre o futuro. Esse é o melhor momento para entendermos porque a astrologia tem tanto poder. Estima-se que 70% das pessoas no Ocidente leiam seu horóscopo.



Ligar o movimento dos astros aos trancos e barrancos da vida na Terra é algo que começou na pré-história. Esse hábito deriva de uma observação simples, a de que a posição do Sol não varia apenas com as horas do dia mas também com a passagem do ano. Observando os pontos em que o Sol nascia no horizonte, nossos ancestrais notaram que ele ia mudando de direção com o passar dos meses.(Na realidade quem muda de direção em relação ao Sol e a Terra, mas nossos ancestrais não sabiam disso). Logo identificaram um grupo de constelações posicionadas perto dessa rota aparente do Sol. Ao contrário de outras estrelas, que se movem visivelmente ao longo do ano, aquele anel de constelações – que os gregos batizaram de “circulo de animais” , ou “Zodíaco” – parecia fixo.
Também notaram que a posição do Sol em relação ao Zodíaco tinha ligação com o clima e as estações. O nascimento do Sol próximo à constelação de Áries marcava o equinócio da primavera – o momento em que o dia e a noite tem duração idêntica. Essa data sempre teve importância simbólica: marcava a entrada da primavera no hemisfério norte e era o centro de celebrações religiosas relacionadas à fertilidade. A conclusão era que aquelas constelações influenciavam a duração dos dias e o clima – parecia simplesmente lógico então, que também tivessem poder sobre a vida humana. Daí vieram os primeiros horóscopos, que já eram produzidos na Mesopotâmia de 1.000 anos antes de Cristo de maneira idêntica à de hoje. Se uma criança vinha ao mundo no período em que o Sol nasce na parte do Céu ocupado por Libra, a vida dela era regida pela constelação – na prática, o conjunto de estrelas era entendido como uma divindade. O costume passou para os gregos, romanos e daí para o mundo atual.

NELSON MANDELA - UM LUTADOR

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"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, ou por sua origem ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender;  E, se elas podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto.”
Nelson Mandela - janeiro de 2003


REFLITA SOBRE ISSO, AINDA A TEMPO DE NOS TORNARMOS HUMANOS

EDUCAÇÃO, EDUCAÇÃO E EDUCAÇÃO


Comemoramos dois aniversários no mesmo dia 16 de julho. Nos Estados Unidos, os 40 anos da partida dos primeiros humanos em direção à Lua; no Brasil, o primeiro aniversário da sanção da Lei do Piso Salarial Nacional para os professores. Ao pisar o solo lunar, o primeiro astronauta disse que dava um pequeno passo para ele, mas um grande salto para a humanidade. De fato, para aquele passo ser dado, foram necessários séculos de educação e pesquisas científicas e tecnológicas.


Foram a ciência e a tecnologia norte-americanas que levaram os primeiros homens à Lua, em consequência de séculos de investimentos em educação. Enquanto os EUA investiam em educação desde os primeiros colonizadores, o Brasil seguiu na direção contrária. Quarenta anos depois da conquista da Lua e das viagens espaciais além do sistema solar, o Brasil ainda não tem suas crianças em escolas com a qualidade necessária. Em consequência, não tem um nível científico e tecnológico capaz de concorrer internacionalmente.

Só em 2008, décadas depois da conquista da Lua, o governo brasileiro criou um piso salarial para os professores e, mesmo assim, esse piso ainda não é cumprido, porque cinco governadores entraram na Justiça para que fosse declarado inconstitucional.

Pouco se fez pela educação no país desde a colonização. Aumentou-se o número de matrículas — mas não de frequência — conclusão, assistência, aprendizado e permanência. Foram criados fundos como o Fundef e o Fundeb, mas o investimento anual na escola pública continua de R$ 1,5 mil por aluno. Criou-se, há um ano, o piso, mas com o valor de R$ 950, quando deveria ser entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, por mês. Foram construídas escolas, mas elas não foram equipadas — 20 mil delas nem luz e água têm. Nesses 40 anos, a economia brasileira saltou de um país pobre a uma potência com R$ 2,889 trilhões de renda nacional, mas o Brasil continuou como um dos últimos países do mundo em educação.

Nesse ritmo, vamos comemorar os 100 anos da chegada do homem à Lua antes de termos todas as nossas crianças em escolas bonitas, bem equipadas, que funcionem em horário integral e os professores entre as mais bem remuneradas e respeitadas categorias profissionais.

artigo do Sen. Cristovan Buarque, publicado no jornal Correio Braziliense em 25/7/2009

SÓ A LUZ PODE EXTINGUIR A ESCURIDÃO - MARTIN LUTHER KING

Aproxima-se o Natal, aproxima-se o final do ano. Muito pensei em postar uma mensagem que marcasse essas datas. Afinal passamos por um ano difícil no Brasil. Ano de eleições, ano de mudanças em que muita gente aproveitou para botar à mostra todo o seu preconceito.

Me veio então à lembrança um pensamento de Martin Luther King, que considero maravilhoso pela sua profundidade e verdade. Sim é essa a minha mensagem de Natal a todos os meus leitores. Uma mensagem que é muito mais que um MOMENTO DE REFLEXÃO. É uma reflexão transformadora, revolucionária. Uma luz no fundo da escuridão:


"Através da violência você pode matar um assassino, mas não pode matar o assassinato.
Através da violência você pode matar um mentiroso, mas não pode estabelecer a verdade.
Através da violência você pode matar uma pessoa odienta, mas não pode matar o ódio.
A escuridão não pode extingüir a escuridão. Só a luz pode."

POR UMA NOVA CONCEPÇÃO DE DESENVOLVIMENTO PARTE I

Desenvolvimento não é sinônimo de crescimento econômico, como afirma a teoria difundida pela grande mídia. Tampouco é igual a “produtivismo-consumismo”. Desenvolvimento é desdobrar as potencialidades existentes nas pessoas e na sociedade para que todos tenham vida e possam viver bem


por Ivo Lesbaupin

A maior crise econômica mundial desde 1929 eclodiu publicamente em 2008. Ela foi produzida pelas políticas neoliberais e pela globalização econômica implementadas nos últimos 30 anos. Em poucos dias, os dogmas neoliberais foram derrubados e as consequências da economia de mercado desregulada ficaram mais evidentes: desemprego, exclusão, aumento da desigualdade social, violência. Tudo isso aliado a uma enorme destruição ambiental. Mesmo desnudado, porém, o capital financeiro não desistiu do seu caminho.

A saída da crise mundial não pode ser a retomada do crescimento econômico anterior, apoiado na lógica “produtivista-consumista”: a saída é romper com o modelo econômico baseado na exploração e no lucro e o estabelecimento de um modelo de sociedade baseado em uma economia solidária e ecológica, na relação respeitosa com a natureza e na busca do bem viver1, produzindo aquilo que é necessário e evitando o esgotamento dos recursos naturais.

Nós temos um país com riquezas naturais invejáveis, dotado de uma enorme biodiversidade, com terra agricultável em quantidade, com uma imensidão de mão de obra apta a trabalhar – o principal recurso para o desenvolvimento – e com um parque produtivo que foi atingido, mas não destruído pelas políticas neoliberais. Somos banhados pelo sol o ano inteiro, temos 13,8% da água doce do mundo e temos ventos: ou seja, poderíamos ter toda a nossa energia “limpa”, solar, eólica, hídrica.


É mais que nunca o momento de pensar um modelo de desenvolvimento centrado nas necessidades humanas, que garanta a reprodução da natureza, evite o desperdício e não esgote os bens de que precisamos para viver. Um desenvolvimento que esteja voltado para a vida, e não para a maximização do consumo.

Nosso objetivo é a vida, e não a produção: a produção é um meio, não um fim. O que importa é melhorar as condições de vida, o viver bem, juntos, e trabalhar para obter o que é necessário para atingir esse objetivo. É preciso responder às necessidades sociais: alimentação, habitação, vestuário, trabalho, saúde, educação, transporte, cultura, lazer, segurança. Temos necessidade também de conhecer, aprender, ler, estudar. Temos necessidade de música, de dança, de esporte, de atividades físicas e espirituais.

Precisamos pensar outra concepção de desenvolvimento, centrado na satisfação dessas necessidades. Desenvolvimento não é sinônimo de crescimento econômico, como afirma a teoria econômica dominante, difundida pela grande mídia. Desenvolvimento não é sinônimo de “produtivismo-consumismo”. Desenvolvimento é desdobrar as potencialidades existentes nas pessoas e na sociedade para que tenham vida e possam viver bem. Isto implica em garantir proteção social para que elas sintam-se seguras face às dificuldades imprevistas que podem atingir qualquer ser humano. O que é necessário para conseguir esses bens? Como obter aquilo de que precisamos sem destruir as condições que nos permitem viver no planeta, sem acabar com a água, os peixes, os animais, a terra cultivável, as florestas, a diversidade cultural, social e biológica? Como organizar a sociedade de modo que haja trabalho para todos?


Planeta da Diversidade

VERDADE INCONVENIENTE – O QUE OS VEICULOS VERDES ESCONDEM

Durante a semana passada, a fabricante de carros Nissan estreou nos Estados Unidos uma propaganda provocativa sobre o seu novo modelo, o Leaf, que é 100% elétrico. O vídeo, que dura um minuto, acompanha a jornada de um urso polar afetado pelo aquecimento global que viaja milhares de quilômetros para, literalmente, abraçar um dono do veículo que está disponível em pré-venda no país.




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O que a propaganda esconde


A agência publicitária responsável pelo anúncio não disse nem dá a entender que a produção de energia elétrica que abastece o carro vem de algum lugar, e polui bastante, ao menos nos Estados Unidos. “Lá, boa parte dessa energia é gerada em usinas termoelétricas, queimando carvão mineral”, afirma Francisco Nigro, engenheiro mecânico e pesquisador do desenvolvimento de motores que escreveu o artigo “O carro elétrico polui” na edição de julho da Galileu. Ou seja, o veículo elétrico não emite gases tóxicos, mas gera CO2 indiretamente e à distância através das usinas.
Para determinar as vantagens do carro elétrico, é preciso analisar a cadeia de fornecimento de energia elétrica e a eficiência do motor dos veículos comuns e elétricos. Rubens Dias, professor do departamento de Engenharia Elétrica da Unesp de Guaratinguetá , diz que o automóvel normal aproveita apenas 25% a 27% do combustível fóssil (o resto é transformado em gases tóxicos e calor). Já a eficiência das termoelétricas em produzir energia elétrica queimando carvão mineral pode chegar a 60%, valor que também é abatido em torno de 5% a 10% durante o caminho que traça até chegar à tomada do consumidor.

Resumindo: nenhuma forma de produzir energia e transformá-la em outra forma (movimento por exemplo) é gratuita, ou não danosa ao meio ambiente. O carro elétrico é uma ilusão, no sentido que continua sendo um transporte individual e gastador de inúmeras formas de energia. No atual estágio civilizatório somente o transporte coletivo é aceitável. Produzir energia para mover uma massa de mil quilos, com o único intuito de transportar 80 Kgs é uma estupidez, está na hora de rever estes parâmetros.
Outro dado interessante é o quanto uma propaganda se torna enganosa e camufla ou distorce a realidade. Tentar vender o transporte individual sob o rótulo verde como uma coisa tão boa que até a natureza agradece é tampar o sol com a peneira, o problema é que muita gente se emociona com isso e deixa de ver o outro lado.

TRATADO DE NAGOYA - BOM PARA O MUNDO MELHOR PARA O BRASIL

Quando se fala em Biodiversidade, se fala em preservação. A preservação já é algo que vale por si só. Mas na preservação existe um potencial que é menos discutido. Ela começa com um fato: somos péssimos inventores de remédios. A maioria deles é feita de substâncias químicas que descobrimos, não que inventamos. Para ficar só com dois exemplos, vamos com a mãe dos antibióticos e a mãe dos analgésicos. A penicilina, descoberta por acidente por Alexander Fleming em 1928, é produzido pelo fungo Penicillium notatum. Já a aspirina, que existe desde o século 19, é originária do salgueiro (não o morro ou a escola de samba, mas a planta).


Um levantamento feito por pesquisadores americanos em 2007 mostrou que 70% de todos os medicamentos introduzidos no mercado nos 25 anos anteriores eram derivados de produtos naturais. A floresta ainda fabrica drogas com mais eficiência que nós.

Estamos devastando a biodiversidade, extinguindo as espécies e os medicamentos que poderiam vir delas. Em cada hectare de floresta amazônica existem mais espécies de árvores que na Europa toda. Isso pode significar que em cada hectare de floresta destruída estamos perdendo para sempre remédios que poderiam salvar ou pelo menos melhorar a qualidade de milhões de vidas.

Estima-se que existem no planeta dezenas de milhões de espécies (incluindo-se aí os micróbios). Dessas, pouco mais de 1 milhão foram descritas pela ciência. Ou seja ainda há muita pesquisa a fazer.

Com a maior fonte de biodiversidade do mundo, na floresta Amazônica, poderíamos fazer dinheiro ao explorar esses recursos de forma sustentável. Nesse sentido o Protocolo de Nagoya é importante porque ele define basicamente que: os recursos genéticos presentes no território de cada país são pertencentes a ele e não podem ser explorados sem autorização.

Basicamente trata-se de uma declaração de guerra à biopirataria – a transferência dos recursos de um país para que sejam estudados e explorados por outros. Agora, para usar alguma coisa da Amazônia brasileira no exterior, será preciso pagar royalties ao governo brasileiro: a industria farmacêutica mundial fatura US$ 800 bilhões por ano.

Além do aspecto de recursos financeiros, o mais importante é a consciência de que cada espécie vegetal destruída pode significar o fim da possibilidade de derrotar um tipo de câncer ou outra doença qualquer.

Tínhamos o conceito de que preservar a vegetação era uma garantia de reter o aquecimento global, a preservação de espécies animais, a renovação da camada de oxigênio. A cada dia descobrimos que preservar significa muito mais. PRESERVAR É TUDO.

O PLANETA DOS MACACOS

Instituições internacionais de pesquisas com primatas afirmam que 29% de todas as espécies de macacos correm risco de extinção.

Há menos de seis meses, o biólogo brasileiro Jean-Phillipe Boubli, da universidade de Auckland, Nova Zelândia, fez duas grandes descobertas. A primeira, muito feliz, é a de uma nova espécie de primata, do grupo dos uacaris, na região do pico da Neblina, norte do Amazonas. A segunda é que o Cacajao ayresii, como foi chamado cientificamente, já veio à luz do meio científico correndo o risco de extinção, por habitar uma pequena área e ser alvo de caça predatória.
Esse fato apenas confirma a atual realidade brasileira no que diz respeito à atenção dada ao estudo e preservação dos macacos. Mesmo respondendo por um terço de todas as espécies de primatas do planeta, para a maioria das nacionais não há nem um censo consolidado do número de indivíduos de sua população.
Segundo Marcos Fialho, doutor em ecologia e analista ambiental do CPB - Centro de Proteção de Primatas Brasileiros, subordinado ao Ministério do Meio Ambiente, das mais de 100 espécies tupiniquins, 26 correm risco de extinção em território nacional. Destas, 24 são endêmicas, ou seja, ocorrem unicamente em nossas terras.
Um acordo assinado numa conferência mundial em Johannesburgo em 2002 previa o comprometimento das principais nações do planeta em reduzir em 90% o número de espécies ameaçadas de extinção em 8 anos. Nenhum país conseguiu cumprir a meta – atualmente milhares de espécies estão ameaçadas de extinção – quase 300 delas apenas no Brasil. Contribuem para este quadro deplorável a exploração comercial, expansão populacional desordenada e desastres ambientais – o vazamento de petróleo no Golfo do México, fora de controle desde abril, é a maior catástrofe ambiental da história, com a morte de milhões de animais, entre aves e espécies marinhas nos Estados Unidos.

Gorilas

Em relatório e documentário recentes, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, adverte para ação urgente necessária para proteção dos gorilas da Bacia do Congo.
Segundo a agência da ONU, se nada for feito para fortalecer as leis ambientais e combater a caça, eles podem desaparecer da região nos próximos 15 anos.
É inadmissível que essas espécies sofram extermínio, pura e simplesmente. É inadimissível que a espécie humana continue exterminando outras espécies como se fossemos os únicos proprietários do planeta. A mais predatória de todas as espécies precisa entender que não tem esse direito, que sua postura diante das outras espécies da terra é imoral, criminosa e sem futuro.

PORTUGAL - DIAS DE BRANCO

Por Eduarda Freitas
Quero o branco que é de menina.
Quero neve com sabor a férias forçadas, a escola que não havia porque a neve não deixava passar o carro da senhora professora. E quero a neve colada às botas, derretida nos sorrisos como um gelado de Inverno comido à gargalhada.
Neva lá fora e eu de mãos quentes aqui dentro. Não está certo.
Neve na minha profissão é sinónimo de trabalho. De ligar para a protecção civil, de saber quantas estradas estão cortadas, quantas populações estão isoladas. E o que mais me surpreende é que todos os anos somos surpreendidos… e isso, em Portugal, não é surpresa alguma. Ficamos sempre pasmados quando o lógico acontece.
Neva lá fora e cá dentro os dedos procuram os números de telefone dos bombeiros e dos presidentes que mandam nas terras, mas o que eu queria mesmo, era ir a correr para a rua comer flocos de neve como quem come arroz branco. Porque faz bem e não dá dores de barriga. E também queria fazer um boneco de neve tão grande como eram grandes os bonecos de quando eu era pequenina. E vestir aqueles fatos parecidos com os da NASA e parecer muito gorda e rir-me por isso. Está a nevar. Portugal fica branco. A montanha dá vontade de comer à colherada com pitadas de chocolate e nuvens de algodão doce à mistura.
É boa ideia nevar, ainda que não conste que as nuvens pensem por ideias, mas nevando, o país fica a branco e disponível para novas páginas. Novas escritas. Neva e a neve derrete nas mãos e nos olhos e nos sorrisos. E quero tanto que neve muito e que a neve deixe de ser notícia, porque ela até é discreta, certamente não gosta de aparecer em noticiários de televisão a toda a hora, só porque chegou no tempo dela. É pontual, mansa, leve, traz paz e risos fáceis, dá vida a bonecos com narizes de fazer de conta que nunca se constipam mesmo estando à neve. E, claro, a neve não gosta de rodas de carros! A neve gosta de mãos e quedas com risos! De famílias e bolas atiradas às costas frias uns dos outros!
Neva e as nuvens rasgam-se aos bocadinhos nestas serras próximas do céu onde as linhas quase se misturam.
Queria tanto que todos fossemos neve… para deixarmos derreter o coração.

Eduarda Freitas é jornalista da RTP

COP 16 - OS PIORES CENÁRIOS POSSÍVEIS



Para enfrentar as disputas relativas aos problemas climáticos – e à crise ecológica em geral – é preciso uma mudança radical e estrutural, que atinja os fundamentos do sistema capitalista e altere nossos hábitos de consumo e nossa relação com a natureza
Por Michael Löwy

Qual é a situação do planeta em plena Conferência das Nações Unidas sobre a Mudança Climática? Primeiro balanço: tudo está bem mais acelerado do que se previa. A acumulação de gás carbônico, a elevação da temperatura, o derretimento das geleiras polares e das “neves eternas”, a desertificação dos terrenos, as secas, as inundações, tudo se precipita, e os balanços dos cientistas, mal secou a tinta dos documentos, revelam-se demasiadamente otimistas. Tende-se agora a variações cada vez maiores nas previsões para o futuro próximo. Não se fala mais sobre o que vai acontecer no final do século, ou daqui a meio século, mas nos próximos 20, 30 ou 40 anos. A questão não é mais simplesmente sobre o planeta que deixaremos para nossos filhos e netos, e sim sobre o futuro da atual geração.

Um exemplo muito inquietante: se o gelo da Groenlândia derreter, a elevação do nível do mar poderá ser de seis metros. Isso significa a inundação não só de Daka, capital de Bangladesh, e de outras cidades marítimas asiáticas, mas também de Nova York, Amsterdã e Londres. Ora, estudos recentes mostram que a superfície da calota glacial da Groenlândia que derreteu é 150% superior à média apontada entre 1988 e 20061, chegando a mais de dois mil metros. Segundo Richard Alley, glaciologista da Penn State University, a fusão da calota da Groenlândia, que costuma ser calculada para centenas de anos, poderia ocorrer em poucas décadas2.

Essa aceleração pode ser explicada, entre outras coisas, por efeitos de realimentação (feedback). Alguns exemplos: 1) o derretimento das geleiras do Ártico – já bem reduzidas – diminuindo o albedo, ou seja, o grau de reflexão da irradiação solar (ele atinge seu máximo nas superfícies brancas), só pode aumentar a quantidade de calor absorvida pelo solo; cientistas calcularam que a redução de 10% do albedo do planeta levaria a aumentar cinco vezes o volume de CO2 na atmosfera3; 2) a elevação da temperatura do mar transforma superfícies imensas dos oceanos em desertos sem plâncton nem peixes, o que reduz sua capacidade de absorver o CO2. Esse fenômeno acelerou-se, de acordo com um estudo recente, 15 vezes mais rápido do que se previa nos modelos existentes!

Outras possibilidades de retroalimentação existentes são ainda mais perigosas. Até agora pouco estudadas, elas não foram incluídas nos modelos do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), mas correm o risco de provocar um salto qualitativo no efeito estufa: 1) no momento, existem 400 bilhões de toneladas de carbono encerradas no permafrost - tundra congelada que se estende do Canadá até a Sibéria. Se as geleiras começaram a derreter, por que o permafrost também não derreteria? E ao se decompor, esse carbono se transforma em metano, que provoca um efeito estufa bem mais forte que aquele oriundo do CO2. 2) Quantidades astronômicas de metano encontram-se também nas profundezas dos oceanos: no mínimo um trilhão de toneladas estão sob a forma de clatratos de metano. Se os oceanos se aquecerem, há possibilidade desse gás ser liberado na atmosfera, provocando uma rápida mudança climática. Além disso, esse gás é inflamável: pesquisadores russos observaram, no Mar Cáspio, emissões de metano sob a forma de tochas que chegam a centenas de metros de altura. Segundo o engenheiro químico, Gregory Ryskin, uma erupção maior do metano oceânico poderia gerar uma força explosiva equivalente a dez mil vezes o estoque de armas nucleares do mundo. Mark Lynas cita essa fonte e chega à conclusão que um planeta com seis graus a mais seria bem pior que o Inferno descrito por Dante em A divina comédia...
Além disso, de acordo com o relatório do IPCC, a elevação da temperatura pode ultrapassar esse parâmetro, que é até agora o máximo previsto.

Todos esses processos começam de maneira gradual, mas a partir de um determinado momento podem se desenvolver por meio de saltos qualitativos. A ameaça mais inquietante, considerada cada vez mais pelos pesquisadores, é a de uma runaway climate change [mudança climática descontrolada], a de uma grande variação rápida e incontrolável do aquecimento. Existem uns poucos cenários do pior possível, ou seja, de a temperatura ultrapassar os dois ou três graus. Os cientistas evitam traçar quadros catastróficos, mas os riscos já são conhecidos. A partir de um certo nível da temperatura, a Terra ainda será habitável por nossa espécie? Infelizmente, não dispomos no momento de um planeta de reserva no universo conhecido pelos astrônomos...

COP 16 - CONFERÊNCIA CLIMÁTICA E OS PROTESTOS DOS EXCLUIDOS

Integrantes do Greenpeace colocam uma imagem da Estátua da Liberdade dentro da água nesta quarta-feira (8), como se estivesse afundando, durante protesto em Cancún, palco da Conferência do Clima da ONU. Outros monumentos históricos e patrimônios da humanidade também figuraram na manifestação. (Foto: Eduardo Verdugo / AP Photo)
Segundo a agência de clima da ONU, o ano de 2010 deverá ser um dos três mais quentes da história. Glaciares na América do Sul e nas montanhas da costa do Alaska têm perdido massa mais rápido e durante mais tempo que os demais em outras regiões na Terra. (Foto: Eduardo Verdugo / AP Photo)
A COP 16 vai até o dia 10 de dezembro, com debates voltados para temas como o Protocolo de Kyoto, que tem sofrido forte oposição para renovação por parte da comitiva japonesa presente no evento no México. (Foto: Eduardo Verdugo / AP Photo)

AV. PAULISTA - 119 ANOS

Av Paulista em 1891

119 anos e com a mesma visão!

Hoje, 08 de dezembro, é aniversário da Av. Paulista, a principal avenida de São Paulo! São 119 anos!

“A Avenida Paulista foi inaugurada, ainda sem nenhuma construção pronta, em 8 de dezembro de 1891. Seu idealizador foi Joaquim Eugênio de Lima, uruguaio casado com uma brasileira. O objetivo era fazer do local o endereço para a elite rica da cidade.
Fazendeiros, cafeicultores e novos ricos formavam a vizinhança. A diferença de origem entre eles acabou refletida na arquitetura da avenida. Os imponentes casarões da época eram concebidos de acordo com diferentes estilos europeus.”
A mais paulista das avenidas

JOHN LENNON - O SONHO NÃO ACABOU

Imagine um mundo sem separação de fronteiras e religiões...esse era o mundo que John Lennon sonhava...


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Você pode dizer que eu estou sonhando...
Mas eu não sou o único.
Eu espero que um dia você venha se juntar a nós
E o mundo será um só!

Palavras de IMAGINE. Lennon sonhava sim, mas realmente não era o único e, como ele, milhares de pessoas ainda sonham com um mundo sem fronteiras e sem divisões religiosas.


Há trinta anos ele se foi. Em trinta anos o mundo mudou muito, não como Lennon sonhava, mas mudou muito. Lennon deixou sua mensagem, uma mensagem de paz e de esperança, de profundo respeito pelas mulheres, pelas minorias e pela liberdade.

UM SONHO QUE VOCÊ SONHA SOZINHO É APENAS UM SONHO
UM SONHO SONHADO JUNTO É REALIDADE

JOHN LENNON: Liverpool 09/10/1940 - Nova York 08/12/1980

COP 16 - MUDANÇAS CLIMÁTICAS - QUANTO O MUNDO AINDA AGUENTA ESPERAR???

Texto de Silvia Ribeiro
Há uma semana, representantes de governos de todo o mundo estão reunidos em um bunker de super luxo chamado Moon Palace (Palácio da Lua), supostamente para discutir as mudanças climáticas.

O lugar é longe dos hotéis e mais longe da cidade de Cancun o que, somado às abundantes barreiras policiais, significa investir de duas a três horas diárias em poucos quilômetros de ida e volta. Exceto para os delegados dos países ricos que, como se fosse outra forma de mostrar a injustiça climática, se alojam no Moon Palace a preços exorbitantes.
A maioria dos delegados da África, Ásia e América Latina estão em hotéis fora do complexo lunático e necessitam de horas para deslocar-se. Além de deixar os delegados do Sul esgotados, parece ser uma tentativa de evitar que cheguem à conferência os protesto do povo, vítima da mudança climática.
Milhares de ativistas e afetados pela crise climática, social e ambiental de todo o mundo chegaram a Cancun em seis caravanas, saídas de vários pontos do México, atravessando o país desde suas raízes, para conhecer e mostrar a verdadeira política ambiental do país, suas causas e a relação com a crise climática aqui e em outras partes do mundo.
Os testemunhos locais convergiram com os dos ativistas, camponeses e indígenas, irmãos de lutas de base nos Estados Unidos, Europa, América do Sul, América Central e Índia.
Partiram de San Luis Potosí, Acapulco, Guadalajara, Oaxaca, Chiapas, convocados pela Vía Campesina, Assembléia Nacional de Afetados Ambientais, Sindicato Mexicano de Eletricistas (SME) e Movimento de Libertação Nacional, aos que se somaram redes de justiça climática das Américas e da Europa, a rede Oilwatch e outras. As três primeiras caravanas convergiram na Cidade do México, onde realizaram um Fórum Internacional no auditório do SME, com mais de mil participantes e uma marcha no centro da cidade.
As caravanas pararam em vários pontos, onde ativistas e organizações locais os receberam com grande entusiasmo e solidariedade para compartilhar suas lutas e para somar-se. Expuseram, entre muitos outros, os casos de rios com enorme contaminação industrial, agrícola e urbana como o Rio Santiago em El Salto, Jalisco, onde uma criança morreu simplesmente por cair nele.
Apresentaram também projetos mineiros em San Luis, Guerrero, Oaxaca, Chiapas, que se fazem em todos os lugares devastando territórios contra a vontade das comunidades e pela ganância das transnacionais; projetos de megarepresas como Zapotillo e La Parota, que apesar da contínua oposição comunitária, o governo insiste em impor; zonas de altíssima contaminação de solos, ar e águas que provocam altas taxas de enfermidades, câncer e deformações genéticas nos moradores vizinhos,
Denunciaram os enormes lixões em Morelos, Tlaxcala, Edomex e Cidade do México, as megagranjas industriais, como as Granjas Carroll em Veracruz e Puebla, onde se originou a epidemia de gripe aviária e outras se gestam; contaminação petroleira e industrial, derrubada de bosques e sua substituição por grandes monocultivos e plantações para agrocombustíveis em vários estados; contaminação transgênica do milho nativo…
A devastação ambiental e social é enorme e mostra a verdadeira política “ambiental” no México, muito distinta das fotos que se mostram em Cancún.

A GLOBALIZAÇÃO DA REVOLUÇÃO

Institucionalizada pelos atenienses, a democracia tem perdido seu significado e valor nas mãos de séculos de incontáveis tiranos que a corromperam por completo. Seu significado inicial, claro e direto que diz “o poder do povo” tem pouco significado hoje. A palavra se enfraqueceu, ficou ultrapassada. Todo cidadão, isto é, aqueles que não eram escravos ou estrangeiros, podia representar-se no governo da cidade.

A representação cidadã é hoje em dia pouco menos que uma ilusão, quase um mito. A chamada democracia é atualmente um eufemismo com poderosos efeitos sedativos sobre uma população sonolenta. Os chamados governos democráticos mantém seus súditos em estado hipnótico, fazendo-os crer que seus interesses como cidadãos, estão representados e protegidos por um grupo de pessoas que pouco ou nada tem em comum com eles.

Para isto, os usurpadores das democracias modernas se serviram de poderosas armas de controle da sociedade. Tradicionalmente utilizou-se a fé e a bala contra o povo, e mais recentemente, a palavra.

Com a fé, em franco e claro retrocesso, e a bala destinada a democratizar distantes países ricos em recursos naturais, a palavra se tornou uma forte arma para usurpar as democracias ocidentais. A palavra foi moldada à imagem e semelhança do capitalismo globalizador, que a converteu na mais eficaz das armas já usadas contra o povo. Os meios de comunicação de massa tornaram-se a ultima etapa de aperto do pescoço do povo com a corda do capitalismo.

Agora já não precisam ameaçar-nos com deuses que estão nos céus nem sequer com balas que levam gravada a palavra “democracia”. A palavra é agora a droga que se força o povo a consumir até deixar completamente anulada sua capacidade de pensar por si mesmo. Lança-se um slogan que é repetido por quase todos os meios, e a sensação estereofônica adquire uma nova dimensão com um efeito demolidor da vontade do individuo, e afinal, em sua liberdade. Cada qual é livre para pensar o que eu lhe inculto, se diria que repitam até a saciedade. Em uma espécie de Admirável Mundo Novo, que Huxley teria reescrito o sistema totalitário que é o capitalismo, pensa por nos, consome por nós, fala por nós, vive por nós. Tudo por nós, mas nada para nós. Sem nós. (observe neste mesmo texto que a palavra “nós” perde seu significado depois de tanta repetição. Tome-se este como um bom exemplo das práticas globalizadoras do capitalismo).

Como povo, nos roubaram a palavra e a puseram a seu serviço, contra nós e contra a democracia. Servem-se dela para nos usar, nos manipular, para nos transformar em um número de uma grande lista de escravos ou estrangeiros a quem permitem uma representação e uma participação direta nisto que só eles chamam de democracia.

Não é a democracia o sistema que se coloca contra o povo, não é a democracia o sistema de governo que prega o interesse privado de alguns poucos e atenta contra o interesse geral. Como temos permitido que se continue utilizando o termo “democracia” para definir justamente o contrário?

Mas ainda há esperança, ainda temos algo a fazer pelo povo pisoteado. Como se tivesse passado despercebido, depositaram em nossas mãos um tipo de poder que emana de nós: o dinheiro, seu dinheiro, o alimento desta fera voraz, devoradora de homens e corruptoras de almas que é o capitalismo. O circulo formado pela corda ao redor do nosso pescoço só se fechará se deixarmos escapar este poder. O circulo só se fechará se consumimos e devolvemos ao circuito financeiro todo o dinheiro que esperam que geremos.
Além do essencial, não consuma.
Além de uma vida digna e suficiente, não consuma.
Além de preservar o planeta, não consuma.
Além do que seja moral, não consuma.
Além do que te satisfaz, não consuma.
Além do que consideraria justo e racional para teu vizinho, não consuma.

Se não consumirmos além disto, essa máquina que nos degrada como pessoas se deterá, cedo ou tarde. Todo cárcere precisa de seus presos, todo supermercado precisa de seus clientes, todo capitalismo precisa de suas vitimas.

Ficou demonstrado então que não vivemos em uma democracia, vivemos como aqueles escravos ou estrangeiros que esperavam em Atenas uma liberação que não chega, que temos que sair procurando onde quer que esteja. Juntos podemos encontrar. Outro mundo é possível.

WIKILEAKS TRAZ DENÚNCIAS SOBRE O BRASIL

Um documento secreto assinado em fevereiro de 2009 pela secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e divulgado ontem pelo WikiLeaks, mostra que alguns recursos naturais brasileiros estão em uma lista de interesses estratégicos de Washington e são considerados "vitais" para a segurança nacional americana.


O documento traz uma relação de cerca de 300 locais espalhados pelo mundo cuja perda "pode ter um impacto crítico na segurança econômica, saúde pública ou na segurança nacional dos EUA". A recomendação de Hillary era para que todas as embaixadas produzissem uma lista onde há pontos "críticos de infraestrutura" e "recursos-chave" em cada país.

No Brasil, os locais relacionados foram: dois cabos submarinos de telecomunicação em Fortaleza (CE) e um no Rio de Janeiro, as minas de minério de ferro e manganês da multinacional Rio Tinto - que hoje pertencem à Vale -, e as minas de nióbio de Araxá (MG) e Catalão (GO). Não constam da lista as reservas do pré-sal e nem os recursos biológicos da Amazônia, alardeados pelo governo brasileiro como locais que precisam ser protegidos da ameaça externa.

Duas minas brasileiras de nióbio são consideradas prioritárias para os EUA. A CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração), em Araxá, MG, que supre 80% do mercado mundial. A outra é explorada pela companhia Anglo Americana, num complexo mineral de Ouvidor e Catalão em Goiás.

O Brasil tem 98% das reservas mundiais exploráveis de nióbio, metal usado em ligas de grande resistência, matéria-prima para cápsulas espaciais, mísseis, foguetes, reatores nucleares e semicondutores. O produto é tido como fundamental para a indústria bélica e espacial dos EUA, que importa do Brasil até 87% do nióbio de que necessita.

Outra “preocupação” dos EUA com o Brasil diz respeito ás redes de comunicação (telefonia, internet e dados). A eventualidade de danos nos cabos submarinos da Globenet ou da America’s II pode dificultar o contato com empresas norte-americanas aqui e em Washington (vice versa lógico), com sérios prejuízos para o “comércio eletrônico” entre os dois países

POR DENTRO DO WIKILEAKS


Os documentos publicados no Wikileaks são muito mais do que uma simples denúncia sobre como os EUA atuam no mundo e que tipo de sujeira eles podem estar envolvidos. São um contundente documento histórico que deixa exposta a essência de uma era.

Juntos, eles constroem uma narrativa de como a superpotência vê e atua em um mundo em mutação. Através deles, se pode ver de perto a narrativa diplomática sobre duas guerras falidas, uma guerra contra o terror igualmente fracassada, uma crise financeira como poucas na história, o início de uma nova ordem mundial com uma multiplicidade de nações surgindo como importantes atores globais.

Retratam, de dentro, as diferenças e semelhanças entre o governo de Bush e o de Obama. E refletem também uma crise ambiental sem precedentes, mostrando como os EUA atuaram ou deixaram de atuar por sua causa.

São o retrato de um império em decadência.

Como em lançamentos anteriores, o WikiLeaks avaliou que precisava de parceiros de peso para dar substância ao material em um primeiro momento. Por isso os cinco grandes veículos - Le Monde, El País, The New York Times, The Guardian e Der Spiegel - foram contatados, e entraram na parceria com exclusividade.

São jornais reputados que têm a estrutura necessária para processar essa enormidade de informações e produzir reportagens a partir dela.
Além disso, somente através desses parceiros, já conhecidos do WikiLeaks, a organização poderia se certificar de que todos os telegramas que forem publicados – todos – irão passar por um rígido controle de redação final.

Cada jornal é obrigado a editar os documentos e retirar os nomes de pessoas que possam sofrer risco por causa do conteúdo dos documentos. Essa é uma preocupação central da organização.

Mesmo assim, estava claro que para eles o mais interessante seria os “furos”, o pote de ouro no fim do arco-íris do jornalismo mainstream.

Para equilibrar um pouco a cobertura e evitar uma corrida desenfreada pelo “furo”, o WikiLeaks conseguiu negociar uma programação de matérias que serão publicadas ao longo das semanas por esses jornais. Assim, o conteúdo é mais bem aproveitado e notícias de tamanha relevância podem ser digeridas por mais tempo.
Além desses cinco veículos, o Brasil é o único país que tem tido a oportunidade de conhecer o conteúdo dos telegramas provenientes da sua embaixada e consulados. Isso porque o WikiLeaks considera o público brasileiro como grande aliado. O Brasil tem um enorme número de internautas e um dos movimentos pela liberdade na internet mais ativos do mundo.

Por isso, a organização resolveu criar uma forma de comunicação direta com ele. Dessa forma, fui convidada, como jornalista independente, a colaborar com o projeto.

Ao longo da última semana, produzi algumas matérias em português no site para que o público pudesse ver como esse material é rico. Ao mesmo tempo, em parceria com a Folha de S. Paulo, esse material pôde chegar impresso em tempo real para os leitores brasileiros.

Segunda fase

Esta semana começa a segunda fase da divulgação. Agora, o WikiLeaks vai trabalhar em parceria com dois dos maiores jornais do país – a Folha e O Globo – utilizando dois grandes repórteres, que buscarão dar o tratamento adequado ao material.

São centenas de histórias que merecem tempo, apuração e faro para serem bem escritas, e como o WikiLeaks é uma organização pequena (embora grande), não tem condições de realizar todo o jornalismo sozinho. Contamos com os dois jornais para nos ajudar a narrar essa importante história.

Natália Viana é jornalista e colaboradora do Opera Mundi

WIKILEAKS É REVOLUÇÃO DE VERDADE

ONTEM



HOJE



Eu acho que estamos diante do início de uma revolução de verdade, um desses acontecimentos raros que envolvem mudanças amplas, profundas, capazes de abrir perspectivas inesperadas para o futuro.
Estou falando do WikiLeaks e seu saudável costume de oferecer segredos da política, da economia e da diplomacia para o consumo de cada um dos 6 bilhões de seres humanos. É tão diferente e tão surpreendente que chega a ser assustador. Altera relações de poder. E isso é mesmo novo.
Não sei se você sabe, mas um dos raros momentos da história em que a diplomacia foi devassada de modo tão despurado ocorreu em 1917, depois que os bolcheviques tomaram o poder na Russia tzarista. Uma das primeiras providências dos novos ocupantes do poder foi abrir os arquivos da chancelaria do Tzar e exibir para a população do país os segredos, truques e maquinações articulados pelos antigos ocupantes do poder.
Do ponto de vista de seu interesse político, os bolcheviques utilizaram a abertura dos arquivos como um instrumento de propaganda, para desmoralizar seus adversários. Não há dúvida, porém, que foi uma medida que ajudou a educar a população — o que só é possível com hábitos transparentes na vida pública –, a tal ponto que o costume seria abandonado com o passar dos anos, na exata medida em que o poder soviético transformou-se numa das mais cruéis ditaduras do século XX.
Neste início de século XXI, o WikiLeaks realizar um esforço com algumas semelhanças — e muitas diferenças, todas a favor.
Para começar, não se consegue demonstrar, ao menos até aqui, que seja uma abertura dirigida do ponto de vista ideológico ou político. Também não é obra de um governo. Sobra munição contra todo mundo — e a favor de todo mundo.
Os responsáveis do WikiLeaks não exibiram vontade de agradar um governo, um partido, uma idéia ou uma personalidade, o que já é um ótimo ponto de partida. Suas revelações incomodam os governos de plantão — sejam eles quais forem.
Outro aspecto é a transparência. Em vez de oferecer trechos selecionados de documentos secretos, como é padrão entre historiadores de todo o planeta, que se reservam o direito de arquivar aquilo que não lhes interessa, os documentos são divulgados na íntegra, como matéria prima para quem quiser pesquisar, discutir e contestar.
Um terceiro ponto é que seu horizonte envolve a realidade global de nossa época. Os vazamentos nascem no governo americano, que são o centro de poder e influencia do mundo hoje. Ou seja: ali há notícia de interesse do planeta inteiro.
Outro ponto é que essas informações estão disponíveis para todo cidadão que tenha conexão com a internet, que se afirma, também por aí, como a grande biblioteca viva dessa nova fase do conhecimento humano. Você não precisa ser um iniciado em assuntos políticos nem frequentar um clube de pesquisadores para ter acesso aos planos de determinado governo para enfrentar determinada crise. Precisa ter tempo.
Claro que sobram perguntas. A mais importante envolve o trabalho de escolher documentos publicados. Qual o critério é empregado? Como garantir que outras revelações importantes não ficaram de fora?
Também tenho uma questão que envolve a segurança daquilo que é publicado. Informações secretas podem ser muito interessantes e contribuir para o entendimento dos acontecimentos. Mas também podem, como gostam de alertar comandantes militares, servir para “dar conforto ao inimigo.” Vamos imaginar uma hipótese brasileira: dias antes da ocupação do Complexo do Alemão, os planos de ataque as bases do tráfico de drogas chegam ao site do WikiLeaks. Você mandaria publicar?
Como eu disse no início, são mudanças de porte e de longo alcance. Como observa Pedro Doria no Estadão de hoje, “mesmo que o WikiLeaks saia do ar, daqui para a frente este tipo de site sempre existirá.”
É maravilhoso. E como sempre acontece com aquilo que quebra nossos hábitos e coloca novas perguntas, também é assustador.

Texto de Paulo Moreira Leite, jornalista da revista ÉPOCA.