EM IMAGENS: A OPINIÃO DE UM FEMINISTA MASCULINO SOBRE AS MULHERES AFRICANAS



 
O fotografo, blogueiro e poeta Nana Kofi Acquah usa suas viagens ao redor da África para narrar a vida de mulheres em seus ambientes mais vulneráveis.
Auto declarado feminista masculino, ele diz que sua missão é mudar a narrativa em torno das mulheres africanas onde elas são freqüentemente retratadas como vítimas das circunstâncias. O fotografo foi entrevistado por Vera Kwakofi da BBC África para a série 100 Mulheres.
"Para mim, o feminismo é quando podemos criar um mundo onde a mulher tem os mesmos direitos que um homem. Eu acredito que a minha filha tem os mesmos direitos que os meus filhos", disse o fotógrafo.
 
"O amor de minha avó, as lições que ela me ensinou - e para minha mãe - me fez me considerar um feminista e me colocar em uma posição de empurrar fortemente as questões das mulheres, a qualquer momento que eu posso", disse ele.
 
"Eu nunca cheguei a fotografar minha avó Mas quando eu conheci Ama Ata Aidoo -. Um dos meus escritores favoritos - sua sabedoria, seu senso de humor afiado, seu interessante olhar para a vida, imediatamente me lembrei da minha avó."
 
Quando o Sr. Acquah conheceu a ativista liberiana Leymah Gbowee ela ainda não tinha ganho o Prêmio Nobel da Paz por seu papel em acabar com a guerra civil de seu país em 2003. "Você poderia dizer que sua cabeça estava no lugar certo, ela sabia o que ela queria. Ela era uma mulher muito determinada", disse ele.
 
"Em Gagnoa, Costa do Marfim, fotografei Agathe Vanie, uma mulher que tinha trabalhado seu caminho até se tornar um líder para as mulheres agricultoras de cacau. Obstinada e muito afável, ela também tem um restaurante e um negócio de cartões de telefone.”
 
 
Old Fadama, também conhecido como Sodoma e Gomorra, é uma favela na capital de Gana, Accra. Estes jovens trabalhadores migrantes tinha guardado algum dinheiro para construir uma casa de madeira compensada e alumínio, que foi demolida pelo governo. "Tenho certeza de que elas a construírão novamente. Elas nunca desistem" disse o fotógrafo.
 
Esta escola em uma parte remota da Costa do Marfim foi doada por um filantropo. A comunidade nunca teve uma escola, para que as crianças começassem a ir às aulas na parte da manhã, os adolescentes no período da tarde e adultos à noite. "As mães que ainda amamentam lá. Nada poderia levá-los para fora da sala de aula."
 
Alimata Ouedraogo é presidente de um grupo de tecelões em Ponsomtenga, Burkina Faso. Alguns dos tecidos que tecem acabam nos grande desfiles de moda do mundo. "Quando eu cheguei lá eles estavam tecendo para algum projetista do Japão. Ela também estava muito orgulhosa de  estar aprendendo a ler e escrever."
 
"A imagem mais dominante da mulher Africana é como uma besta de carga, carregando um pote  ou  um pouco de lenha na cabeça, ela está sempre sobrecarregada. Eu vejo artistas tentando embelezar ou glorificá-las, mas essa imagem sempre me deprime. "
 
 
 
 
"Não podemos comparar uma mulher a um burro, mas em muitos lugares da África,  é a forma como os homens tratam suas mulheres. Muitos homens têm medo de que, se derem asas a suas mulheres, elas irão para os reinos que os próprios homens nunca poderão alcançar."
 
 
"Um primo me disse uma vez que ele nunca iria se casar com uma mulher que era mais educada do que ele. Essa insegurança que ele expressa como um adolescente é a mesma insegurança que eu vejo em um monte de homens, homens, mesmo bem-educados. Por que um  homem é inseguro frente ao poder e sucesso de uma mulher?”
 

 
"Se uma mulher quer seus filhos na escola, se ela quer alguma coisa melhor, ela tem que trabalhar duas vezes mais duro que seu irmão. Mas o que as mulheres Africanas têm em comum é um belo espírito, forte. Vejo que em todos os lugares que eu vou, mesmo em culturas onde elas são reprimidas e oprimidas, elas são fortes lutadoras".
 
 
Texto e imagens BBC Africa
 
 
 
 
 
 
 

DESMATAMENTO DA AMAZONIA INFLUENCIA SECA DO SUDESTE


 
 
Numa definição solta, a floresta amazônica é um tapete multicolorido, estruturado e vivo, extremamente rico, um tapete que evoluiu nos últimos 400 milhões de anos. Uma colônia gigantesca de organismos que saíram do oceano e vieram para a terra; dentro das folhas ainda existem condições semelhantes às da primordial vida marinha. Funciona assim como um mar suspenso, que contém uma miríade de células vivas, muito elaborado e adaptado. A floresta tropical é o maior parque tecnológico que a Terra já conheceu, porque cada organismo seu, entre trilhões, é uma maravilha de miniaturização e automação. Em temperatura ambiente, usando mecanismos bioquímicos de complexidade quase inacessível, a vida processa átomos e moléculas, determinando e regulando fluxos de substâncias e de energia. O conforto climático que apreciamos na Terra, desconhecido em outros corpos siderais, pode ser atribuído, em grande medida –além de muitas outras competências–, à colônia de organismos que tem a capacidade de fazer fotossíntese. O gás carbônico (CO2) funciona como alimento para a planta, matéria- prima transformada pelo maquinário bioquímico com o uso de luz e água em madeira, folhas, frutos, raízes. De forma encadeada, quando as plantas consomem CO2, a concentração desse gás na atmosfera diminui. Com isso, num primeiro momento o planeta se esfria, o que faz as plantas crescerem menos, consumindo menos CO2; no momento seguinte, isso leva ao aquecimento do planeta, e assim sucessivamente, num ciclo oscilante de regulação. Desta forma as plantas funcionam como um termostato que responde às flutuações de temperatura através do ajuste da concentração do principal gás-estufa na atmosfera depois do vapor d’água. Mas esta regulação da temperatura via consumo mediado do CO2 é apenas um entre muitos mecanismos da vida que resultam na regulação favorável do ambiente.
Como se verá neste trabalho, as florestas tropicais são muito mais que uma aglomeração de árvores, repositório passivo de biodiversidade ou simples estoque de carbono. Sua tecnologia viva e dinâmica de interação com o ambiente lhe confere poder sobre os elementos, uma capacidade inata e resiliente de condicionamento climático. Assim, as florestas favorecem o clima que lhes favoreça, e com isso geram estabilidade e conforto cujo abrigo favorece o florescimento de sociedades humanas. 
A América do Sul foi um continente privilegiado pela extensiva presença de florestas megabiodiversas. Não por acaso, esse continente teve e ainda tem um dos climas mais favoráveis em comparação com qualquer outro. Contudo, ao longo de 500 anos a maior parte da vegetação nativa fora da bacia Amazônica foi aniquilada, como a mata atlântica, que perdeu mais de 90% da sua cobertura
As florestas favorecem o clima que lhes favoreça, e com isso geram estabilidade e conforto sob cujo abrigo florescem sociedades humanas
 A América do Sul foi um continente privilegiado pela extensiva presença de florestas megabiodiversas. Não por acaso, esse continente teve e ainda tem um dos climas mais favoráveis em comparação com qualquer outro. Contudo, ao longo de 500 anos a maior parte da vegetação nativa fora da bacia Amazônica foi aniquilada, como a mata atlântica, que perdeu mais de 90% da sua cobertura original. O efeito desse desmatamento histórico no clima foi menos notado do que seria de se esperar, e a razão foi a “costa quente” (e úmida) da floresta Amazônica, que manteve o continente razoavelmente protegido de extremos com um clima ameno. Mas, nos últimos 40 anos, a última grande floresta, a cabeceira das águas atmosféricas da maior parte do continente, esteve sob o ataque implacável do desmatamento. Coincidentemente, aumentam as perdas com desastres naturais ligados a anomalias climáticas, tanto por excessos (de chuva, calor e ventos), quanto por falta (secas). As regiões andinas, e mesmo da costa do Pacífico, que dependem do derretimento das geleiras para seu abastecimento de água, estão sob ameaça, já que quase toda a precipitação nas altas montanhas, que suprem as geleiras ano a ano, tem sua matéria-prima no vapor procedente da floresta amazônica. A leste dos Andes a escala da dependência do ciclo hidrológico amazônico é incomensuravelmente maior. As regiões de savana na parte meridional, onde há hoje um dos maiores cinturões de produção de grãos e outros bens agrícolas, também recebe da floresta amazônica vapor formador de chuvas. Não fosse também a língua de vapor que no verão hemisférico pulsa da Amazônia para longe, levando chuvas essenciais, seriam desertos as regiões Sudeste e Sul do Brasil (onde hoje se encontra sua maior infra estrutura produtiva) e outras áreas como o Pantanal e o Chaco, as regiões agrícolas na Bolívia, Paraguai, Uruguai e Argentina. 
Texto extraído do Relatório de Avaliação para a Articulação Regional da Amazônia (ARA)
Autor Antônio Donato Nobre PHD
Pesquisador Sênior do INPA
Infográfico do G1

NASA PUBLICA IMAGEM QUE MOSTRA EFEITO DA SECA NO SISTEMA CANTAREIRA

Imagens de 2013 e 2014 mostram redução do volume da represa Jaguari.
Sistema Cantareira chegou ao volume de 3% nesta quinta-feira (23).Imagem de cima mostra represa de Jaguari em 16 de agosto de 2013 e imagem de baixo mostra mesma represa em 3 de agosto de 2014 (Foto: NASA Earth Observatory image by Jesse Allen, using Landsat data from the U.S. Geological Survey.)

DEU NO G1

A agência espacial americana (Nasa) publicou duas imagens que mostram os efeitos na seca na represa Jaguari, no Sistema Cantareira, no estado de São Paulo. As imagens foram feitas pelo satélite Landsat 8, em 16 de agosto de 2013 e em 3 de agosto deste ano.
Na imagem mais recente, a área coberta por água aparece bem menor do que na imagem do ano passado. Segundo a agência, a água aparece com uma cor azul-esverdeada mais clara em 2014 por estar mais rasa e com mais sedimentos, de modo que a cor do fundo da represa altera a cor da água da superfície.
Desde que a imagem foi tirada, no início de agosto, o volume do Sistema Cantareira continua diminuindo, chegando a 3% nesta quinta-feira (23). Quando a imagem foi feita, o volume do sistema ainda era de 15%.

NOVO MAPA DA ANTARTIDA REVELA O QUE HÁ DEBAIXO DO GELO


A Antártida mapeada pelo BedMap 2 - sem gelo para mostrar a superfície original.
 
Em seus tempos de esplendor a Antártida estava coberta de bosques frondosos, contava com uma rica fauna e até chegou a desfrutar de um clima tropical. Tudo isso começou a mudar a uns 400 milhões de anos. O gelo foi ganhando espaço, até tornar a Antártida o que é hoje.

Um novo e mais preciso conjunto de dados sobre a topografia oculta da Antártida, sobre o terreno que está oculto sob uma capa de gelo que em algumas regiões supera os 3 km de espessura, revela detalhes fascinantes dessas terras que estão ocultas para o Ser Humano desde o inicio de sua historia como espécie.

Uma paisagem completa de montanhas, colinas, planícies onduladas, vales e depressões profundas.

Esse é o Bedmap2, que fornece uma idéia mais clara e precisa da superfície do continente antártico e que foi desenvolvido por cientistas da British Antartic Survey (BAS).

Isso dá uma compreensão mais detalhada do que está por baixo da maior camada de gelo do mundo, avança nossa compreensão do ambiente subglacial e será de grande ajuda para futuras pesquisas sobre a camada de gelo da Antártica.

Com os primeiros dados do mapa, em 8 de março, os cientistas revelaram que o volume de gelo na Antártida é 4,6% maior do que se pensava antes. A profundidade média do leito da Antártida foi calculada em 95 metros, o que é 60 metros menos do que calculado anteriormente. Verificou-se também que o volume de gelo submerso abaixo do nível do mar é 23 % maior do que o estimado e que o ponto mais profundo que está sob a geleira de Byrd, tem cerca de 400 metros de profundidade.

Para desenvolver o mapa, os pesquisadores recopilaram medições geofísicas, como cálculos de elevação da superfície do gelo com dados da NASA, níveis de elevação da Terra com o satélite IceSat e dados da espessura do gelo com a Operação IceBridge.
Mapa onde se diferenciam as elevações de terreno em cores distintas.
 

12 de Novembro Rosetta entrará para a História


MÓDULO PHILAE
12 de Novembro de 2014, essa é a data em que os livros de história, se tudo ocorrer como está previsto, marcarão como o dia em que a humanidade pisou pela primeira vez na superfície de um cometa. Serão horas de incerteza, agravadas pelo inevitável atraso nas comunicações devido a distancia do cometa 67p com a Terra, 7 longas horas em que so poderemos sentar e esperar como é habitual na exploração interplanetária, enquanto a sonda espacial deverá agir de forma autônoma, tomando ela mesma as decisões a cada momento.

Tudo se iniciará às 8.35 GMT, com a liberação do módulo Philae por parte da Sonda Rosetta quando esta se encontrar a 20 Km de altura sobre o cometa. Durante a descida, que durará umas 7 horas, sua câmara ROLIS tomará uma série continua de fotos. O cometa completará mais da metade de uma rotação durante esse período de tempo, pois a zona de aterrissagem escolhida se encontra inicialmente no lado oposto e irá se aproximando a medida que passam as horas. Um disparo às cegas, em que tudo dependerá da extidão dos cálculos realizados.

Rosetta liberará Philae com uma velocidade inicial de aproximadamente 2,5  Km/h. Pelo fato de que o cometa é muito pequeno, sua gravidade pouco intervirá na velocidade do módulo que descerá à superfície em uma trajetória balística e sem meios de ajustar sua trajetória. Contando com um sistema de propulsão da aterrissagem, porém, diferentemente dos sistemas tradicionais que retardam o veiculo para que a aterrissagem seja suave, o de Philae está desenhado para que se fixe em uma superfície, sem garantia alguma de que seja completamente plana ou horizontal, e onde suas 3 patas, capazes de adaptar-se a um terreno irregular e inclinado até 30 graus seguramente terão um papel importante.

No momento do contato com o solo uns pequenos arpões, unidos a Philae por cabos, a ajudarão a adquirir uma posição vertical e se manter firme à superfície.. Se  o sistema de foguetes e arpões não funcionar corretamente o modulo poderá tombar e perder-se no espaço ou ficar em uma posição impossível de operar sua missão.

Na viajem de Philae e nas operações de aterrissagem a equipe de técnicos da Terra não terá controle algum no momento da descida, mas fará dias antes o envio à Rosetta de todos os comandos necessários para a realização da missão. Aí que os técnicos da ESA deverão demonstrar sua capacidade, para que a Sonda se encontre no lugar exato no momento da separação já que qualquer desvio levaria o módulo para fora da área de aterrissagem escolhida como a mais segura.

Será uma missão extremamente complexa, onde a fraca gravidade do cometa, longe de ser uma vantagem, representa ao contrário o maior problema, justamente por ser muito fácil liberar-se dela com qualquer mínimo impulso e projetar-se no espaço para sempre. A precisão dos cálculos dos técnicos do ESA, assim como o complexo funcionamento do sistema de aterrissagem farão a diferença. Em 12 de novembro teremos um encontro com a história.
COMETA 67 P
 
SONDA ROSETTA

 
 

MOSTRANDO VERDADES AOS LIDERES DA CUPULA DO CLIMA NA ONU.


 
"Quando o poder conduz o homem à arrogância, a poesia lembra de suas limitações", proclamou John F. Kennedy. "Quando o poder estreita as áreas de interesse do homem, a poesia lembra-o da riqueza e da diversidade de sua existência. Quando o poder corrompe, a poesia limpa."

Kathy Jetnil-Kijiner, uma poetisa de 26 anos de idade, de Ilhas Marshall, demonstrou recentemente o impacto que um poema pode ter. Ela falou durante o segmento de abertura da Cúpula do Clima das Nações Unidas para 2014 esta semana. Em um artigo intitulado "Querida Matafele Peinem", (sua filha) ela conseguiu capturar a dura realidade da mudança climática: "Para enfrentar (alterações climáticas), precisamos de uma mudança radical de curso," Jetnil-Kijiner explica. "Isto não é fácil, eu sei. Significa acabar com a poluição de carbono dentro de minha vida. Significa apoiar aqueles de nós mais afetados para se preparar para os impactos climáticos inevitáveis​​. E isso significa assumir a responsabilidade pela perda irreversível e os danos causados ​​pelas emissões de gases de efeito estufa ".

"Peço a todos os líderes mundiais para nos levar junto em sua viagem", acrescentou. Nós vamos ajudá-lo a vencer a corrida mais importante de todas. A corrida para salvar a humanidade."

Jetnil-Kijiner é uma falada artista e co-fundadora de uma ONG ambiental nas Ilhas Marshall chamados Jo-JiKuM. A organização se concentra em capacitar os jovens, educando-os sobre a importância do ambientalismo e mobilizando-os para trabalhar em busca de soluções para as questões de mudanças climáticas. Ela foi uma das 38 representantes da sociedade civil escolhidos para apresentar na Cúpula.

Uma parte do poema de Jetnil-Kijiner:

mãos para fora, levantando os punhos, banners desfraldando, megafones crescendo
e nós somos canoas bloqueando navios de carvão
nós somos o brilho de aldeias solares
nós somos o rico solo limpo do passado do agricultor
nós somos petições florescendo da ponta dos dedos adolescentes
nós somos famílias, reciclagem, reutilização, engenheiros, sonho, concepção, construção, artistas pintura, dança, escrita
estamos espalhando a palavra
e há milhares nas ruas, marchando, com sinais de mãos dadas
cantando pela mudança agora


Leonardo DiCaprio faz apelo a líderes globais na Cúpula do Clima

“Como ator, meu trabalho é fingir. Interpreto personagens fictícios, que muitas vezes precisam resolver problemas fictícios”, comentou DiCaprio. “Eu acredito que a humanidade tem olhado para as mudanças climáticas da mesma forma – como se fosse uma ficção, como se fingindo que a mudança climática não é real faria, de alguma forma, o problema ir embora. Mas acredito que muita gente pensa diferente agora”, afirmou.

Secas intensas, acidificação dos oceanos, aumento do número de eventos extremos do clima, derretimento de geleiras... “Nada disso é retórica. Nada disso é histeria. É fato”, concluiu.

Segundo DiCaprio, é urgente tomar medidas agora. “Não se trata apenas de pedir às pessoas que troquem lâmpadas ou comprem carros híbridos. Esse desastre já cresceu além das escolhas que os indivíduos fazem. Agora, dependemos de indústrias e governos ao redor do mundo tomarem ações decisivas e em grande escala. Este deve ser nosso momento de agir”, falou.

E QUANDO A ULTIMA GOTA CAIR? 6 PERGUNTAS SOBRE A CRISE DA ÁGUA EM SP.


 
 
Assim como futebol e política, "água" virou assunto corrente nas conversas de quem vive em São Paulo. No supermercado, na fila do ônibus, na hora do almoço, as perguntas estão sempre lá: Vai ter racionamento? A água do volume morto é boa? Como São Paulo mergulhou nessa crise? E se não chover, vai faltar? Veja a seguir algumas respostas para as dúvidas mais comuns sobre a crise.

 1 - COMO SÃO PAULO MERGULHOU NESTA CRISE?

São Pedro tem participação, mas pequena. O último período chuvoso, que vai de outubro à março, foi o mais seco em 45 anos, segundo dados do Instituto de Astronomia e Geofísica da Universidade de São Paulo (IAG-USP). Não à toa, o verão de 2014 fez São Paulo bater vários recordes de calor.
Mas, veja bem, a responsabilidade do santo guardião da chuva termina aí. Uma parcela bem maior cabe ao poder público, o zelado oficial da água, incumbido de gerenciar esse recurso natural com parcimônia.
Faz pelo menos quatro anos que o Estado de São Paulo está a par dos riscos de desabastecimento de água na Região Metropolitana. Em dezembro de 2009, o relatório final do Plano da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, feito pela Fundação de Apoio à USP, não só alertou para a vulnerabilidade do sistema Cantareira como sugeriu medidas cabíveis a serem tomadas pela Sabesp a fim de garantir uma melhor gestão da água.
Antes disso, na outorga de 2004, uma das condicionantes era que a Sabesp tivesse um plano de diminuição de dependência do Cantareira. O grande problema foi a demora de planejamento.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instarou um inquérito civil para esclarecer a crise no Sistema Cantareira e apurar informações sobre a possibilidade de erros de gestão da Sabesp.

2 - QUAL O IMPACTO DO USO DO VOLUME MORTO NA QUALIDADE DA ÁGUA E NA SAÚDE PÚBLICA?

Este é um dos temas mais delicados. Afinal, nunca São Paulo tinha bebido do chamado volume morto, uma reserva abaixo do nível de captação de água feita pela Sabesp. Por se tratar de uma área mais funda, essa reserva "técnica ou estratégica", como diz o governo, serve de zona de sedimentação dos micropoluentes no ambiente aquático e, também, de alguns metais pesados. Quando remexida, pode impactar não só a qualidade da água, mas a vida dos seres daquele ecossistema.
Estima-se que os gastos da Sabesp tenham aumentado em 40% com tratamento dessa água, comparada à água do volume útil. Procurada pela reportagem, a Sabesp não confirmou a informação.
Em nota, a Cestesb afirmou que realiza, periodicamente, análises da qualidade da água do Reservatório Jacareí, com o objetivo de avaliar os aspectos ambientais do denominado "volume morto".
"Essa caracterização é realizada por meio de parâmetros físicos, químicos e biológicos. Com base nessa análise, verifica-se que a água do reservatório continua apresentando boas condições de qualidade, tanto para proteção da vida aquática quanto captação visando o abastecimento público", diz o órgão.

3 - O QUE O GOVERNO ESTADUAL E A SABESP TÊM FEITO PARA TENTAR CONTORNAR A CRISE HÍDRICA?

De saída, a Sabesp ofereceu desconto de até 30% na conta para quem economizasse água. Com a adesão popular e controle dos desperdícios, a ação tem sido bem sucedida.
Outra medida, essa menos popular por vários motivos, foi a tentativa de provocar chuva artificial, um processo chamado de semeadura de nuvens, ao custo de R$ 4,5 milhões.
A investida mais radical, no entanto, foi recorrer a obras para retirada do volume morto, considerada por alguns especialistas uma ação deletéria.
Eles definem o quadro como uma ilusão da abundância em plena escassez, com consequências nefastas para o meio ambiente, a economia e para o próprio bem-estar da população.
Para os experts em recursos hídricos, a reserva do volume morto deveria ser usada a apenas em situação extrema, somente após iniciado um rodízio e caso as chuvas de outubro não chegassem em quantidade suficiente.
Outra alternativa, que depende menos do estado e mais da disposição dos vizinhos, é a proposta de construir um canal para retirar água da bacia do Rio Paraíba do Sul, que abastece o Rio de Janeiro.

4 - O SISTEMA CANTAREIRA CONSEGUIRÁ SE RECUPERAR? QUANDO?

Deixar o manancial se esgotar, como está ocorrendo, gera graves efeitos ambientais. O esgotamento de uma represa afeta os lençóis freáticos do entorno e todo o ecossistema.
"Esses mananciais precisam ser preservados e não explorados à exaustão. É uma questão de preservação da qualidade da água", diz Roberta Baptista Rodrigues, doutora em recursos hídricos e professora dos cursos de Engenharia Ambiental e Sanitária e de Engenharia Civil da Universidade Anhembi Morumbi.
Recuperar esses sistemas vai ser muito mais complicado, mesmo com chuvas. À medida que o nível da água reduz, aumenta a taxa de evaporação, porque o solo fica mais seco e em contato com a atmosfera. Assim, a água da chuva infiltra e evapora", acrescenta.
Segundo análise estatística do comitê que monitora a crise, o sistema tem só 25% de chance de acumular entre dezembro e abril de 2015 uma quantidade de água (546 bilhões de litros) suficiente para repor o "volume morto" usado emergencialmente e ainda devolver ao Cantareira 37% da sua capacidade antes do próximo período de estiagem.

5 - VAI TER RACIONAMENTO?

Para especialistas em recursos hídricos, SP já deveria estar racionando água, tanto para poupar este recurso quanto para preservar os mananciais. Sujeitar 9 milhões de pessoas a regime de racionamento não é uma decisão fácil. Mas é necessária, segundo Marco Antonio Palermo, doutor em engenharia de recursos hídricos pela USP.
"O uso do volume morto é uma estratégia paliativa e muito deletéria, que não trata o problema de forma estrutural. Pior, está virando rotina. Isso não pode ser prática de uma política de gestão de recursos hídricos, que deve focar na produção de água e no uso do volume útil", defende.
Segundo ele, se São Paulo tivesse iniciado o rodízio no começo do ano, não teria sido necessário recorrer à reserva técnica, que só seria usada como estratégia última. Com isso, cresce o risco de SP enfrentar um racionamento drástico com o aprofundamento da crise.

6 - E SE AS CHUVAS NÃO VOLTAREM EM OUTUBRO E NOVEMBRO PARA ACUDIR OS RESERVATÓRIOS? SP CORRE O RISCO DE FICAR SEM ÁGUA?

"Somente se não chover até outubro é que teremos problemas", disse, em maio, o diretor de relações com investidores da Sabesp, Mario Sampaio. No pior cenário, a água se esgota até outubro, pelo cálculos do grupo de monitoramento da crise, formado pela Agência Nacional de Águas (ANA) e o Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado (DAEE).
Os cálculos contrariam a afirmação do governo de que até março de 2015  a água está garantida. Recentemente, a Sabesp anunciou que pode recorrer ao volume morto do Alto Tietê, o segundo maior sistema de água da Região Metropolitana.
Estimativas apontam que a medida daria apenas um mês de sobrevida ao sistema. Qual será o plano C, quando a última gota chegar? Procurada pela redação, a Sabesp não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
Agora que a crise já está instalada, começam a sair do papel projetos antigos que podem proteger a cidade de futuros colapsos. É o caso da construção de um novo reservatório de água, em Ibiúna, fruto de parceria público-privada, prevista para ser concluída em 2018.

Texto de Vanessa Barbosa publicada na Revista Exame em  28/7/2014