UM NOVO MUNDO É POSSIVEL - FORUM SOCIAL MUNDIAL

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UM NOVO MUNDO É POSSIVEL
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CRISE DO CAPITALISMO?


Mais uma vez se ouve e lê em todos os meios de comunicação a palavra crise. Mais que isso, milhares de trabalhadores a sentem na própria carne, pelo desemprego e pelo medo.
Quantas vezes em meus 57 anos já ouvi falar em crises e já as vivi. Estamos atualmente numa encruzilhada do sistema capitalista. A empresa capitalista necessita acumular capital para investir em tecnologia, para lançar novos e mais atraentes produtos para continuar concorrendo no mercado e acumular mais capital esse é o ciclo.

Nessa roda louca quanto mais os concorrentes investem em tecnologia e lançam novos produtos, mais rápido a roda tem que girar para que a empresa continue no mercado. Aquelas que giram sua roda mais lentamente caem, são engolidas pelas mais competentes.
Esse é o processo inaugurado com a Revolução Industrial na segunda metade do século 19 e que se mantem inalterado, apenas tem se acelerado com a evolução tecnológica.Até onde o mundo suportará esse esquema enlouquecido. Você compra um equipamento de ponta hoje e daqui a um ano ele estará ultrapassado, obsoleto. Li hoje nos jornais que a China não pode crescer a taxas inferiores a 8% ao ano pois isso será um desastre não só para os chineses como para o comércio mundial. O Brasil não pode crescer a taxas inferiores a 3% ao ano pois com taxas inferiores a isso não tem como colocar no mercado os novos contingentes de jovens e as empresas não conseguiram acumular capital suficiente para investir em novas tecnologias e novos produtos perdendo para a concorrência de outros países. E assim é com todos os países. Agora, o mundo suportará isso? Por quanto tempo? Para se manter no mercado as empresas precisam acumular pesado, investir pesado, consumir muita...muita energia e matérias primas, explorar radicalmente os recursos naturais. Até onde o planetinha suportará esse esquema de acumulação e consumo.
A verdade é que o capitalismo precisa evoluir para um sistema mais justo onde a concorrência e o lucro não sejam a finalidade única e final do sistema. Concorrência é bom...leva ao progresso mas não pode ser a deusa em nome da qual tudo se justifica.Precisamos de um sistema que privilegie o bem estar de todos os habitantes do planeta, uma distribuição mais justa e igualitária, e que esteja comprometido com a preservação do planeta. Essa roda louca de acumulação e investimento tem que ser controlada por Estados comprometidos com o bem estar de suas populações.
Bernardo

A POSSE DE OBAMA


OBAMA TOMOU POSSE COMO PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS

O MUNDO COMEMOROU A CHEGADA DE NOVOS TEMPOS

ESPERANÇAS QUE SE RENOVAM

AMANHÃ O MUNDO VOLTA A REALIDADE

E ENTÃO...COMO SERÁ O AMANHÃ???

“Todo o tempo em que pensei que estava aprendendo a viver, estive aprendendo a morrer.” (Cadernos de Leonardo Da Vinci)

APRENDENDO A MORRER

Enquanto minha mulher e meus filhos dormem
e a casa descansa do burburinho familiar,
eu me levanto e animo os espaços quietos.
Faço como se eles — meus filhos, minha mulher —
­estivessem despertos, ativos
na própria lida que lhes ocupa o dia.
Vou sem sono (ou sonâmbulo) chamando, falando com eles;
mas ninguém responde, ninguém me vê.
Chego até onde está a menor de minhas filhas:
ela fala com as bonecas, não repara em minha voz.
O garoto entra, joga sua pasta escolar,
dos bolsos tira suas bugigangas:
artimanhas de um prestidigitador.
Quisera dividir com ele essa arte e esse tesouro,
quisera estar com ele. Continua distante:
não repara em meu gesto nem em minha voz.
A quem apelo? Minhas outras filhas onde estão?
Ando pela casa brincando de esconde-esconde:
Estou aqui!
Mas ninguém responde, ninguém me vê .
Minhas filhas em seus mundos seguem outro compasso.
Onde terá se metido minha mulher?
Ouço ela na cozinha; a água corre,
cheira a folhas de coentro e de louro.
Está de costas. Olho seu cabelo,
seu pescoço Jovem: ela viverá ...
Quero me aproximar dela mas não me atrevo
— cheira a guisado, a bolo saído agorinha do forno -;
E se ao virar a cabeça, ela não me vir?
Como um ator que esquece seu papel na cena,
desesperado grito:
Estou aqui!
Mas ninguém responde, ninguém me vê.
Até que chegue o dia e com sua luz
termine meu exercício de aprender a morrer.
Pablo Armando Fernández
(De: Campo de amor y de batalla, 1963-1982

Imagens Palavras Imagens Palavras Imagens Palavras Imagens Palavras

A professora Maria Aparecida Tavares, comentando o ensaio abaixo me diz que: "a palavra, embora símbolo, tem o poder de transformar a imagem em corpo vivo". Fiquei pensando com meus botões, se ela, ao invés de professora de literatura, fosse um artista fotográfico certamente diria: "a imagem tem o poder de transformar a palavra em corpo vivo". Ao ler uma obra literária não se pode duvidar do incrível poder da palavra. Lembro-me quando jovem de ficar imaginando as paisagens e os cenários descritos nos livros que lia. A humanidade só se tornou civilização com o advento da escrita. Antes da escrita apenas utilizavam imagens retratadas até hoje em cavernas.
Na realidade o poder da escrita depende da mão de quem escreve e o poder da imagem depende da mão que empunha a máquina, ou o lápis ou o pincel. Por trás de ambos está a sensibilidade humana, seu poder de transformar simbolos ou imagens em arte.
Bernardo

IMAGENS


Há imagens que valem mais que mil palavras;

Palavras são representações simbólicas da realidade;

Imagens são um curto flash da realidade;
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Um instante arrancado da realidade e eternizado

As palavras arrancam emoções, arrebatam,

As imagens também...e sem dizer uma palavra

Se unir as duas então, é possível o impossível

Abençoados os poetas e escritores que fazem da palavra sua arma

Abençoados os dramaturgos que fazem do palco sua trincheira

Abençoados os pintores, escultores e fotógrafos que fazem da imagem

Seu instrumento de transformação.

POEMA QUASE TRISTE

>
Van Gogh-O VELHO HOMEM TRISTE

POEMA QUASE TRISTE


Os homens passam sem darem por nada
carregados assim como eles vão
com suas sombras a ganharem gibas,
com os seus olhos a ficarem baços,
cheios de presbitia e astigmáticos.
Não lhes importa que nos frutos estejam
confissões de poetas e de heróis.
Os homens passam e não vêem nada,
olham apenas para as suas vidas,
para a filha doente ou para os filhos mortos.
Não se apercebem das árvores e das rochas,
sangue e nervos da terra.
Seguem tristes e com os seus olhares
voltados para dentro,
para os seus crimes ou para os seus sonhos.
Não param a escutar o coração da terra
que bate, tranquilo, sob o chão.
Tristemente aguardam os eléctricos
que os hão-de levar a suas casas
de paredes forradas pelos retratos
dos fantasmas antigos e até próximos.
É sem amor que trincam os frutos
coloridos no sangue de todos os mortos
e nem pensam que a terra se abrirá
a seus corpos alheios, certo dia.
Procuram suas chaves
e, de cabeça baixa, penetram em casa,
sentam-se à mesa e choram
com suas mulheres, livros, diários íntimos,
mas não falam sequer à Natureza
que lhes oferece, em vão,
todos os seus segredos e mistérios.
Deitam-se sonolentos,
fecham a luz e dão-se aos pesadelos
ou aos sonhos de quando eram meninos. . .
Embriagam-se ou matam-se
e entregam-se aos vícios ou às lágrimas. . .
Tristes os homens passam
sem verem que a terra lhes oferece
juntamente com frutos e canções.

António Rebordão Navarro
A Condição Reflexa
Poemas (1952 - 1982)

FELIZ ANO VELHO


Ano novo, velhas imagens. O ano é novo, mas os homens são os mesmos: velhos e jovens homens velhos. Apenas mudou o número no calendário. Podem ser lugares diferentes hoje, as armas também são diferentes. Os envolvidos às vezes variam, os motivos não...estes são os mesmos sempre e o olhar das crianças e dos velhos expressam a mesma dor, o mesmo medo o mesmo desalento.
Seja na Ásia, no Oriente Médio, na África ou nas Américas, as imagens se repetem, imagens de destruição, ódio racial e morte.

Há 70 anos atrás o gueto era em Varsóvia, na Polônia, as vítimas os Judeus, os carrascos...alemães. Hoje o gueto é em Gaza, as vítimas os palestinas, os carrascos...judeus.

Onde e quando será o próximo gueto. Já houve tantos guetos, tantos massacres, tantas “limpezas étnicas”. Nenhum continente escapou, até nós tivemos a nossa, na guerra do Paraguai quase não sobraram paraguaios. E olhe que estou me referindo apenas a ações bélicas, deixando de lado os bolsões de miséria que matam mais lentamente a milhões e milhões em todo o mundo.
Tantas esperanças depositadas ontem no hoje e hoje no amanhã mas o novo amanhã nunca chega, apenas mudam os números no calendário.
Bernardo