12 de Novembro Rosetta entrará para a História


MÓDULO PHILAE
12 de Novembro de 2014, essa é a data em que os livros de história, se tudo ocorrer como está previsto, marcarão como o dia em que a humanidade pisou pela primeira vez na superfície de um cometa. Serão horas de incerteza, agravadas pelo inevitável atraso nas comunicações devido a distancia do cometa 67p com a Terra, 7 longas horas em que so poderemos sentar e esperar como é habitual na exploração interplanetária, enquanto a sonda espacial deverá agir de forma autônoma, tomando ela mesma as decisões a cada momento.

Tudo se iniciará às 8.35 GMT, com a liberação do módulo Philae por parte da Sonda Rosetta quando esta se encontrar a 20 Km de altura sobre o cometa. Durante a descida, que durará umas 7 horas, sua câmara ROLIS tomará uma série continua de fotos. O cometa completará mais da metade de uma rotação durante esse período de tempo, pois a zona de aterrissagem escolhida se encontra inicialmente no lado oposto e irá se aproximando a medida que passam as horas. Um disparo às cegas, em que tudo dependerá da extidão dos cálculos realizados.

Rosetta liberará Philae com uma velocidade inicial de aproximadamente 2,5  Km/h. Pelo fato de que o cometa é muito pequeno, sua gravidade pouco intervirá na velocidade do módulo que descerá à superfície em uma trajetória balística e sem meios de ajustar sua trajetória. Contando com um sistema de propulsão da aterrissagem, porém, diferentemente dos sistemas tradicionais que retardam o veiculo para que a aterrissagem seja suave, o de Philae está desenhado para que se fixe em uma superfície, sem garantia alguma de que seja completamente plana ou horizontal, e onde suas 3 patas, capazes de adaptar-se a um terreno irregular e inclinado até 30 graus seguramente terão um papel importante.

No momento do contato com o solo uns pequenos arpões, unidos a Philae por cabos, a ajudarão a adquirir uma posição vertical e se manter firme à superfície.. Se  o sistema de foguetes e arpões não funcionar corretamente o modulo poderá tombar e perder-se no espaço ou ficar em uma posição impossível de operar sua missão.

Na viajem de Philae e nas operações de aterrissagem a equipe de técnicos da Terra não terá controle algum no momento da descida, mas fará dias antes o envio à Rosetta de todos os comandos necessários para a realização da missão. Aí que os técnicos da ESA deverão demonstrar sua capacidade, para que a Sonda se encontre no lugar exato no momento da separação já que qualquer desvio levaria o módulo para fora da área de aterrissagem escolhida como a mais segura.

Será uma missão extremamente complexa, onde a fraca gravidade do cometa, longe de ser uma vantagem, representa ao contrário o maior problema, justamente por ser muito fácil liberar-se dela com qualquer mínimo impulso e projetar-se no espaço para sempre. A precisão dos cálculos dos técnicos do ESA, assim como o complexo funcionamento do sistema de aterrissagem farão a diferença. Em 12 de novembro teremos um encontro com a história.
COMETA 67 P
 
SONDA ROSETTA

 
 

MOSTRANDO VERDADES AOS LIDERES DA CUPULA DO CLIMA NA ONU.


 
"Quando o poder conduz o homem à arrogância, a poesia lembra de suas limitações", proclamou John F. Kennedy. "Quando o poder estreita as áreas de interesse do homem, a poesia lembra-o da riqueza e da diversidade de sua existência. Quando o poder corrompe, a poesia limpa."

Kathy Jetnil-Kijiner, uma poetisa de 26 anos de idade, de Ilhas Marshall, demonstrou recentemente o impacto que um poema pode ter. Ela falou durante o segmento de abertura da Cúpula do Clima das Nações Unidas para 2014 esta semana. Em um artigo intitulado "Querida Matafele Peinem", (sua filha) ela conseguiu capturar a dura realidade da mudança climática: "Para enfrentar (alterações climáticas), precisamos de uma mudança radical de curso," Jetnil-Kijiner explica. "Isto não é fácil, eu sei. Significa acabar com a poluição de carbono dentro de minha vida. Significa apoiar aqueles de nós mais afetados para se preparar para os impactos climáticos inevitáveis​​. E isso significa assumir a responsabilidade pela perda irreversível e os danos causados ​​pelas emissões de gases de efeito estufa ".

"Peço a todos os líderes mundiais para nos levar junto em sua viagem", acrescentou. Nós vamos ajudá-lo a vencer a corrida mais importante de todas. A corrida para salvar a humanidade."

Jetnil-Kijiner é uma falada artista e co-fundadora de uma ONG ambiental nas Ilhas Marshall chamados Jo-JiKuM. A organização se concentra em capacitar os jovens, educando-os sobre a importância do ambientalismo e mobilizando-os para trabalhar em busca de soluções para as questões de mudanças climáticas. Ela foi uma das 38 representantes da sociedade civil escolhidos para apresentar na Cúpula.

Uma parte do poema de Jetnil-Kijiner:

mãos para fora, levantando os punhos, banners desfraldando, megafones crescendo
e nós somos canoas bloqueando navios de carvão
nós somos o brilho de aldeias solares
nós somos o rico solo limpo do passado do agricultor
nós somos petições florescendo da ponta dos dedos adolescentes
nós somos famílias, reciclagem, reutilização, engenheiros, sonho, concepção, construção, artistas pintura, dança, escrita
estamos espalhando a palavra
e há milhares nas ruas, marchando, com sinais de mãos dadas
cantando pela mudança agora


Leonardo DiCaprio faz apelo a líderes globais na Cúpula do Clima

“Como ator, meu trabalho é fingir. Interpreto personagens fictícios, que muitas vezes precisam resolver problemas fictícios”, comentou DiCaprio. “Eu acredito que a humanidade tem olhado para as mudanças climáticas da mesma forma – como se fosse uma ficção, como se fingindo que a mudança climática não é real faria, de alguma forma, o problema ir embora. Mas acredito que muita gente pensa diferente agora”, afirmou.

Secas intensas, acidificação dos oceanos, aumento do número de eventos extremos do clima, derretimento de geleiras... “Nada disso é retórica. Nada disso é histeria. É fato”, concluiu.

Segundo DiCaprio, é urgente tomar medidas agora. “Não se trata apenas de pedir às pessoas que troquem lâmpadas ou comprem carros híbridos. Esse desastre já cresceu além das escolhas que os indivíduos fazem. Agora, dependemos de indústrias e governos ao redor do mundo tomarem ações decisivas e em grande escala. Este deve ser nosso momento de agir”, falou.

E QUANDO A ULTIMA GOTA CAIR? 6 PERGUNTAS SOBRE A CRISE DA ÁGUA EM SP.


 
 
Assim como futebol e política, "água" virou assunto corrente nas conversas de quem vive em São Paulo. No supermercado, na fila do ônibus, na hora do almoço, as perguntas estão sempre lá: Vai ter racionamento? A água do volume morto é boa? Como São Paulo mergulhou nessa crise? E se não chover, vai faltar? Veja a seguir algumas respostas para as dúvidas mais comuns sobre a crise.

 1 - COMO SÃO PAULO MERGULHOU NESTA CRISE?

São Pedro tem participação, mas pequena. O último período chuvoso, que vai de outubro à março, foi o mais seco em 45 anos, segundo dados do Instituto de Astronomia e Geofísica da Universidade de São Paulo (IAG-USP). Não à toa, o verão de 2014 fez São Paulo bater vários recordes de calor.
Mas, veja bem, a responsabilidade do santo guardião da chuva termina aí. Uma parcela bem maior cabe ao poder público, o zelado oficial da água, incumbido de gerenciar esse recurso natural com parcimônia.
Faz pelo menos quatro anos que o Estado de São Paulo está a par dos riscos de desabastecimento de água na Região Metropolitana. Em dezembro de 2009, o relatório final do Plano da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, feito pela Fundação de Apoio à USP, não só alertou para a vulnerabilidade do sistema Cantareira como sugeriu medidas cabíveis a serem tomadas pela Sabesp a fim de garantir uma melhor gestão da água.
Antes disso, na outorga de 2004, uma das condicionantes era que a Sabesp tivesse um plano de diminuição de dependência do Cantareira. O grande problema foi a demora de planejamento.
O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instarou um inquérito civil para esclarecer a crise no Sistema Cantareira e apurar informações sobre a possibilidade de erros de gestão da Sabesp.

2 - QUAL O IMPACTO DO USO DO VOLUME MORTO NA QUALIDADE DA ÁGUA E NA SAÚDE PÚBLICA?

Este é um dos temas mais delicados. Afinal, nunca São Paulo tinha bebido do chamado volume morto, uma reserva abaixo do nível de captação de água feita pela Sabesp. Por se tratar de uma área mais funda, essa reserva "técnica ou estratégica", como diz o governo, serve de zona de sedimentação dos micropoluentes no ambiente aquático e, também, de alguns metais pesados. Quando remexida, pode impactar não só a qualidade da água, mas a vida dos seres daquele ecossistema.
Estima-se que os gastos da Sabesp tenham aumentado em 40% com tratamento dessa água, comparada à água do volume útil. Procurada pela reportagem, a Sabesp não confirmou a informação.
Em nota, a Cestesb afirmou que realiza, periodicamente, análises da qualidade da água do Reservatório Jacareí, com o objetivo de avaliar os aspectos ambientais do denominado "volume morto".
"Essa caracterização é realizada por meio de parâmetros físicos, químicos e biológicos. Com base nessa análise, verifica-se que a água do reservatório continua apresentando boas condições de qualidade, tanto para proteção da vida aquática quanto captação visando o abastecimento público", diz o órgão.

3 - O QUE O GOVERNO ESTADUAL E A SABESP TÊM FEITO PARA TENTAR CONTORNAR A CRISE HÍDRICA?

De saída, a Sabesp ofereceu desconto de até 30% na conta para quem economizasse água. Com a adesão popular e controle dos desperdícios, a ação tem sido bem sucedida.
Outra medida, essa menos popular por vários motivos, foi a tentativa de provocar chuva artificial, um processo chamado de semeadura de nuvens, ao custo de R$ 4,5 milhões.
A investida mais radical, no entanto, foi recorrer a obras para retirada do volume morto, considerada por alguns especialistas uma ação deletéria.
Eles definem o quadro como uma ilusão da abundância em plena escassez, com consequências nefastas para o meio ambiente, a economia e para o próprio bem-estar da população.
Para os experts em recursos hídricos, a reserva do volume morto deveria ser usada a apenas em situação extrema, somente após iniciado um rodízio e caso as chuvas de outubro não chegassem em quantidade suficiente.
Outra alternativa, que depende menos do estado e mais da disposição dos vizinhos, é a proposta de construir um canal para retirar água da bacia do Rio Paraíba do Sul, que abastece o Rio de Janeiro.

4 - O SISTEMA CANTAREIRA CONSEGUIRÁ SE RECUPERAR? QUANDO?

Deixar o manancial se esgotar, como está ocorrendo, gera graves efeitos ambientais. O esgotamento de uma represa afeta os lençóis freáticos do entorno e todo o ecossistema.
"Esses mananciais precisam ser preservados e não explorados à exaustão. É uma questão de preservação da qualidade da água", diz Roberta Baptista Rodrigues, doutora em recursos hídricos e professora dos cursos de Engenharia Ambiental e Sanitária e de Engenharia Civil da Universidade Anhembi Morumbi.
Recuperar esses sistemas vai ser muito mais complicado, mesmo com chuvas. À medida que o nível da água reduz, aumenta a taxa de evaporação, porque o solo fica mais seco e em contato com a atmosfera. Assim, a água da chuva infiltra e evapora", acrescenta.
Segundo análise estatística do comitê que monitora a crise, o sistema tem só 25% de chance de acumular entre dezembro e abril de 2015 uma quantidade de água (546 bilhões de litros) suficiente para repor o "volume morto" usado emergencialmente e ainda devolver ao Cantareira 37% da sua capacidade antes do próximo período de estiagem.

5 - VAI TER RACIONAMENTO?

Para especialistas em recursos hídricos, SP já deveria estar racionando água, tanto para poupar este recurso quanto para preservar os mananciais. Sujeitar 9 milhões de pessoas a regime de racionamento não é uma decisão fácil. Mas é necessária, segundo Marco Antonio Palermo, doutor em engenharia de recursos hídricos pela USP.
"O uso do volume morto é uma estratégia paliativa e muito deletéria, que não trata o problema de forma estrutural. Pior, está virando rotina. Isso não pode ser prática de uma política de gestão de recursos hídricos, que deve focar na produção de água e no uso do volume útil", defende.
Segundo ele, se São Paulo tivesse iniciado o rodízio no começo do ano, não teria sido necessário recorrer à reserva técnica, que só seria usada como estratégia última. Com isso, cresce o risco de SP enfrentar um racionamento drástico com o aprofundamento da crise.

6 - E SE AS CHUVAS NÃO VOLTAREM EM OUTUBRO E NOVEMBRO PARA ACUDIR OS RESERVATÓRIOS? SP CORRE O RISCO DE FICAR SEM ÁGUA?

"Somente se não chover até outubro é que teremos problemas", disse, em maio, o diretor de relações com investidores da Sabesp, Mario Sampaio. No pior cenário, a água se esgota até outubro, pelo cálculos do grupo de monitoramento da crise, formado pela Agência Nacional de Águas (ANA) e o Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado (DAEE).
Os cálculos contrariam a afirmação do governo de que até março de 2015  a água está garantida. Recentemente, a Sabesp anunciou que pode recorrer ao volume morto do Alto Tietê, o segundo maior sistema de água da Região Metropolitana.
Estimativas apontam que a medida daria apenas um mês de sobrevida ao sistema. Qual será o plano C, quando a última gota chegar? Procurada pela redação, a Sabesp não se manifestou até o fechamento desta reportagem.
Agora que a crise já está instalada, começam a sair do papel projetos antigos que podem proteger a cidade de futuros colapsos. É o caso da construção de um novo reservatório de água, em Ibiúna, fruto de parceria público-privada, prevista para ser concluída em 2018.

Texto de Vanessa Barbosa publicada na Revista Exame em  28/7/2014

ÁGUA: o que há em comum entre Sikri, Ilha de Pascoa e São Paulo

O que resta do volume vivo - Represa da Cantareira - SP

Crises não são novidade. Depois que ocorrem, após algum tempo para análise, surgem várias explicações sobre suas causas e sobre o que poderia ter sido feito para evitá-las. Em muitos casos, os estudos de crises passadas criam conhecimento que poderia prevenir futuras. Porém, em certos casos, evitar crises nos demandaria esforços maiores do que gostaríamos de empreender e portanto nos entregamos à tendência coletiva de achar que desta vez será diferente. Mas será? Antes de falar da estiagem que aflige São Paulo, vejamos alguns episódios passados sobre crises hídricas, que nos transmitem valiosas lições. No século XVI o poderoso Akbar, rei dos Moghols, ergue uma monumental cidadela em Sikri, a 30 quilômetros de Agra, na Índia, e a denominou a “Cidade da Vitória”. Isto porque pouco antes um profeta sufi previra a Akbar o nascimento de três filhos nesse lugar, o que realmente aconteceu nos anos seguintes. Algo, no entanto, o profeta não previu, ou não revelou. Quinze anos após transferir para lá o seu séquito de cinco mil mulheres – das quais trezentas esposas -, mil soldados e seus cavalos, Akbar teve que abandonar aqueles “jardins do paraíso”, deixando a fortaleza aos poucos herdeiros do profeta, por um único motivo: escassez de água. Na mesma época, as tribos da Ilha de Páscoa estavam em seu auge, com uma população de 30 mil habitantes e uma dedicação incondicional a talhar e erguer centenas de gigantescas estátuas de pedra, os moais. Presume-se que essas rochas eram transportadas pela ilha com o uso de troncos de árvores. A competição em torno dos moais acabou por extinguir as florestas gerando, dentre outros problemas, uma severa escassez de água doce. Esse fato, aliado à erosão causada por práticas inapropriadas de agricultura, levou a população à guerra civil e ao canibalismo. Em menos de duzentos anos a população foi reduzida a apenas cem sobreviventes, vivendo em estado de miséria. Um ano antes do nascimento de Akbar, era fundada no Brasil a Vila de São Paulo da Piratininga. Em região aquinhoada com vastos recursos hídricos, a cidade de São Paulo sobreviveu a Sikri por quinhentos anos. Em 1872 houve o primeiro censo demográfico no Brasil, revelando que dos seus 10 milhões de habitantes, 31 mil viviam na cidade de São Paulo, em franca expansão até ultrapassar a marca de 11 milhões de habitantes em 2011. Em 2014, a cidade enfrenta a pior crise hídrica de sua história. Essa crise não se limita à cidade de São Paulo, atinge uma ampla região. Dezenove municípios paulistas efetuam racionamento de água, dos quais doze ficam na região de Campinas. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) estima que 3 mil postos de trabalho já tenham sido fechados em decorrência da falta d’água. Agricultores já irrigam em alguns casos somente 30% do que antes da crise hídrica. A Secretaria da Agricultura estima em caráter preliminar que a estiagem já tenha reduzido as safras de café em 25% e de cana e algodão em 10%. De três destinos bem diferentes, há um ponto comum entre Sikri, Ilha de Páscoa, e São Paulo: em certo momento de suas histórias, enfrentaram crises ambientais sem precedentes, das quais Sikri e a Ilha de Páscoa saíram perdedoras. Que lições podemos tirar dessa crise? Como manter São Paulo em sua trajetória de êxito e desenvolvimento? A resposta começa por qualificativos que podem parecer óbvios, mas não são nada triviais: que o sucesso seja construído em bases duráveis, ou seja, que o desenvolvimento seja sustentável. Hoje há amplo consenso sobre as condições necessárias e suficientes para que a sociedade se sustente indefinidamente. A organização de origem sueca The Natural Step** propôs essas condições em 1989 e diversos atores públicos e privados vêm buscando adequar-se a elas em todo o mundo, com diversas intensidades de resultados positivos, dependendo de seu estágio de evolução no tema. Essas condições estabelecem que uma sociedade sustentável não polui sistematicamente, não destrói sistematicamente o seu ambiente e não impede as pessoas de satisfazer suas necessidades fundamentais. Parece simples e óbvio. E de fato é. Se examinarmos situações de colapso ambiental tais como Sikri e a Ilha de Páscoa, veremos que ocorreram como resultado da violação sistemática de uma ou de várias dessas condições. E o que tem isso a ver com São Paulo? Consideremos alguns poucos exemplos de violações que a nossa sociedade ocasiona, e que tem provável relação com a dramática crise que atravessamos. Nossos corpos hídricos são sistematicamente poluídos, diminuindo a disponibilidade de água limpa. As florestas remanescentes no Brasil vem sendo degradadas de forma crescente, gerando variações da umidade trazida ao Sudeste e Sul do Brasil pelas nuvens que vêm da Amazônia. A nível local, solos menos permeáveis não absorvem água, com consequente aumento da demanda por irrigação e menos geração de chuva. O acúmulo de gases de efeito estufa de origem antrópica vem ocasionando alterações nos ventos de alta altitude que distribuem a umidade do ar, reduzindo a chuva em alguns lugares e aumentando em outros. A lista poderia seguir, pois os exemplos são abundantes. A recomendação? Primeiro, precisamos aprender a viver sem aumentar as taxas de poluição e degradação ambientais, e sem impedir que nossos semelhantes tenham o fundamental para uma vida digna. Precisamos também restaurar o que vem sendo destruído. É preciso reconhecer o imenso custo que incorreremos ao tolerar padrões insustentáveis para perceber que será mais razoável agir desde já. Precisamos preservar e restaurar as matas ciliares, precisamos de solos porosos e biodiversos, precisamos reduzir ao mínimo o uso de agrotóxicos, precisamos parar de tratar corpos d’água como depósito de lixo. É importante levarmos em conta que cada um de nós no fundo sabe no que poderia contribuir, como consumidor e como cidadão. Precisamos, enfim, envidar certos esforços que gostaríamos de não precisar encarar. Temos que reconhecer, entretanto, que se continuarmos a violar as condições que tornariam saudável o nosso ambiente, não há porque achar que a natureza será mais tolerante. Precisamos com urgência tratar das causas do problema para evitar uma tragédia social, ambiental e econômica.

Texto de Paulo Bento Maffei de Souza e Paulo Vodianitskaia em P22 Indica
* Os autores são consultores em sustentabilidade estratégica na hapiterra.com

A INSANA GLOBALIZAÇÃO DOS ALIMENTOS


 
 
Neste mundo cada vez mais conectado é comum encontrar no mercado de nosso bairro produtos frescos não só produzidos em nosso país, mas também produtos do outro extremo do mundo. Mas somos conscientes das conseqüências disso?

Para termos uma idéia do desperdício que representa a globalização no comércio de alimentos, a revista NATIONAL GEOGRAPHIC realizou um pequeno estudo analisando a procedência das frutas e hortaliças que se podem comprar nos mercados e feiras da cidade de Nova York. Foram selecionados 60 produtos frescos locais, como damascos, vários cogumelos, azeitonas, romãs, uvas, bananas, limões, berinjelas, abacaxi, kiwi, comuns na dieta de qualquer cidadão do mundo desenvolvido. E o resultado é  no mínimo surpreendente e digno de reflexão:

Quase a metade dos produtos (28) provem dos próprios EUA, os mais próximos da cidade de Nova York são os cogumelos cultivados na Pensilvânia que só viajaram pouco mais de 200 Km. Outra espécie de cogumelo do estado de Washington e as romãs e uvas californianas viajaram mais de 4.000Km até chegar ao mercado nova-iorquino . Esses produtos foram transportados principalmente em caminhões, porém, alguns deles como os limões e as laranjas da Califórnia vieram de avião. As papayas do Havaí vieram transportadas em barcos cruzando o canal de Panamá em uma viagem de mais de 8.500 km que consumiu mais de uma semana.

Quanto aos produtos estrangeiros fizeram viagens muito mais longas como os 11.800 km  dos cogumelos chineses, os 14.200 km dos Kiwis e damascos neozelandeses e os mais de 14.000 km de viagem de barco das pinhas sul-africanas. Porem o produto vencedor em relação à distância são as exóticas pitayas (não me perguntem o que são) que foram colhidas no Vietnan e transportadas de avião por 14.435 Km.

Ao final a distancia percorrida pelos 60 produtos somou o total de 360.000 Km com uma média por produto de 6.000 Km.

Tendo em conta que 21 produtos foram transportados por avião em rotas que oscilaram entre os 4.000 e os 14.435 Km é fácil compreender o imenso gasto energético que representa transportar por avião em rotas de milhares de km alimentos, simplesmente para que possam os nova-iorquinos  consumir durante todo o ano essas frutas, verduras e hortaliças.

 

O ESCANDALO DO DESPERDICIO MUNDIAL DE ALIMENTOS


 

O sistema econômico mundial, cujo objetivo principal é a produção massiva de produtos, independentemente de seu uso, leva, no caso particular dos alimentos a um terrível paradoxo, embora mais de 800 milhões de pessoas passam fome no mundo, sem duvida se desperdiça, em média, em torno de 25 a 30% da produção mundial de alimentos.

Assim, por exemplo, na Europa se desperdiça centenas de quilos de comida por habitante ao ano, devido a inúmeros fatores: sobras de comida em residências e restaurantes, mal conservação ou mal armazenamento dos alimentos, produtos com validade vencida, etc. Ainda que em todos os paises europeus se produza este fenômeno, o recorde de ineficiência alimentícia alcança  seu máximo na Holanda com 54l Kg por habitante/ano seguida da Bélgica com 341 kg por habitante/ano, na Inglaterra 256, na Polônia 247, França e Espanha 136 Kg e por aí vai em todos os países europeus. Como não poderia deixar de ser, fora da Europa os EEUU lideram com mais de 1.000 kg/habitante/ano.

No Brasil, embora não tenha encontrado dados que dessem a quantidade média de Kg desperdiçado por habitante/ano, sabe-se com segurança que o desperdício esbarra nos 25 a 30% que é a média mundial.

Sem sombra de dúvidas o solo brasileiro é um dos maiores produtores de alimentos do mundo! Mas, infelizmente, apesar de toda essa riqueza, grande parte de todo o alimento acaba indo para o lixo. Cerca de 30% de tudo o que é produzido aqui é desperdiçado! Isso acaba contribuindo para o relatório anual da FAO, que contabilizou que um terço de todo o alimento produzido no mundo foi desperdiçado no ano de 2011.

O desperdício de alimento não acontece só quando o consumidor deixa a comida no prato. Esse problema pode começar logo na produção dos alimentos onde cerca de 10% do plantio
acaba sendo desperdiçado pelo mau manuseio ou uso de agrotóxicos na alimentação. Depois, quase metade dessa produção acaba indo para o lixo devido à má conservação de armazenamento e transporte. Quando chega para as grandes centrais de abastecimentos muita comida vai para o lixo pela má distribuição! Alias, quem já foi num fim de feira no domingo de manhã e não viu uma grande quantidade de alimentos jogados no lixo, até mesmo nas ruas? Daí, quando chega ao prato do consumidor, eles fazem questão de jogar de 10 a 20% do que deveriam consumir.

Essa quantidade de alimento desperdiçado aqui no Brasil daria para alimentar mais de 54.000.000 milhões de pessoas por dia!  Esse problema acaba sendo refletindo socialmente, financeiramente e ambientalmente, alarmando a necessidade de uma política pública para combater o desperdício de alimento.

Os alimentos mais desperdiçados no Brasil são as frutas, as hortaliças, as raízes e os tubérculos. 
 
Essa quantidade enorme jogada fora nos faz pensar que é em SP ou RJ, mas é em Manaus.
 

 

MUDANÇAS CLIMÁTICAS – ESTAMOS NO LIMITE DA META DE 2 GRAUS


 
Há três semanas chegou à imprensa um rascunho do que será o próximo relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) Trata-se de um documento preliminar, mas a mensagem é clara: o risco de provocar danos severos e irreversíveis ao clima é real e é urgente a necessidade de reduzir drasticamente  as emissões de gases de efeito estufa. Este alerta dos cientistas contrasta de forma brutal com a indiferença dos governos e grandes corporações que dominam o mercado global.
A versão final do documento está sendo discutida na sede da ONU em N. York hoje, 23 de setembro. Convocada por Ban Ki-moon, o encontro reuni lideres de governos e do setor privado para discutir medidas concretas orientadas para reduzir as emissões em ações de curto prazo.
O mundo carece atualmente de um quadro regulamentar sobre as alterações climáticas e o processo de negociações para alcançar compromissos políticos é um caos. A cúpula de N.York é, essencialmente, uma reunião para se conversar. A COP20 em dezembro em Lima só poderá avançar até um projeto para um novo tratado sobre mudanças climáticas. Terá que esperar até a COP21 em 2015 para ver que tipo de monstro emerge deste longo processo de compromisso e transações.
Os resultados do quinto relatório de avaliação do IPCC indicam que o aquecimento do sistema climático é um fenômeno indiscutível e algumas das mudanças observadas nas últimas seis décadas não tem precedente por milhares de anos. O aquecimento observado na atmosfera e oceanos; volume de gelo e a quantidade de neve caíram; o nível do mar subiu.
Estudos do IPCC mostram que as observações acima são correlacionados com o aumento da concentração de gases do efeito estufa (GEE) na atmosfera. O principal GEE é o dióxido de carbono (CO2) e vem principalmente dos combustíveis fosseis e processos industriais e, em menor grau, de desmatamento e alterações no uso da terra. O inventário de GEE inclui outros gases mais potentes em sua capacidade de reter a radiação infravermelha (como o metano) e, embora seja necessário reduzir essas emissões, o principal contribuinte para a mudança climática é o CO2.
O relatório afirma que se as emissões não forem reduzidas as conseqüências serão irreversíveis. Há ainda indícios de que elas estão crescendo mais rápido, e a capacidade de absorção de uma parte desse gás que até aqui é feito pela biosfera está se reduzindo. Alguns analistas dizem que não só estamos caminhando na direção errada como estamos fazendo isso rapidamente.
Talvez a descoberta mais surpreendente do relatório esteja relacionada com as reservas de hidrocarbonetos e seu destino final. Cerca de 80% dos combustíveis fósseis. Que são conhecidos por existir em várias formas, teria de permanecer onde está para o planeta não ultrapassar o limite de um aquecimento de 2 graus Celsius (em relação à temperatura média anterior à revolução industrial) Ou seja, quatro quintos das reservas de combustíveis fósseis teria que permanecer inexplorada.
A economia mundial adotou há muitas décadas um perfil de energia que é totalmente dependente de combustíveis fósseis. Mudar o perfil associado a essa infraestrutura é um processo caro e lento. Não vai precisar apenas de fontes alternativas de energia, também é preciso mudanças na forma de de transportar e consumir essa energia. Mas
as grandes empresas do setor de energia se comprometeram com esse perfil tecnológico e não estão preparadaspara mudar isso antes de amortizar seus investimentos. As mudanças devem ser introduzidas em uma longa lista de bens de consumo duráveis. E ainda há mais. Grandes empresas do setor de energia do mundo estão gastando bilhões
De dólares na exploração e extração de combustíveis fósseis. E se por um passe de mágica a decisão de deixar 80% das reservas intactas, essas empresas teriam que aceitar o cancelamento de milhares de milhões de dólares de ativos que são o valor dessas reservas. As ramificações de uma mudança radical na estrutura financeira dessas empresas são muito grandes e envolvem uma profunda transformação do sistema financeiro.
A resistência à mudança não vem apenas de uma infraestrutura rígida de produção e consumo de bens, também vem do setor financeiro. E se alguém pensa que o cancelamento de ativos é um simples exercício de contabilidade, lembrar o domínio do capital financeiro é a principal característica do atual estágio do capitalismo mundial.
Texto do economista Alejandro Nadal, conselheiro editorial do SINPermiso

BRASIL NÃO ASSINA DECLARAÇÃO PARA ZERAR DESMATAMENTO ATÉ 2030


 
O Brasil não assinou a “Declaração de Nova York sobre Florestas”, documento que foi apresentado na Cúpula do Clima, que acontece nesta terça-feira (23), na sede da Organização das Nações Unidas, em Nova York. A informação foi confirmada pelo Itamaraty no fim da tarde desta terça-feira.

A declaração prevê reduzir pela metade o desmatamento até 2020 e zerá-lo até 2030. Segundo a ONU, 150 parceiros assinaram o documento, incluindo 28 governos, 35 empresas, 16 grupos indígenas e 45 ONGs e grupos da sociedade civil.

A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, tinha dito nesta segunda-feira à agência Associated Press que o país não fora “convidado a se engajar no processo de preparação” da declaração. Em vez disso, segundo ela, o país recebeu uma cópia do texto da ONU, que pediu para aprová-lo sem a permissão de sugerir qualquer alteração.

“Infelizmente, não fomos consultados. Mas eu acho que é impossível pensar que pode ter uma iniciativa global para florestas sem o Brasil dentro. Não faz sentido”, disse ela nesta segunda.

O Itamaraty acrescentou que o documento não é da ONU, mas dos países que o assinaram, e que o texto necessitava de melhorias, por isso o Brasil optou por não assinar.

Para o coordenador do Greenpeace, Marcio Astrini, para o Brasil ser um modelo de desenvolvimento sustentável, o governo deveria não apenas ter assinado a declaração, como ter pressionado para que o documento fosse ainda mais ousado.

“Temos uma meta mais ousada, de zerar o desmatamento até 2020. O que não quer dizer que achamos esse acordo ruim. É uma medida que propõe a redução do desmatamento e toda proposta de redução é bem-vinda”, diz Astrini.

Ele observa que só o fato de esse documento ter sido elaborado e que alguns países tenham se comprometido a cumpri-lo e ajudar com recursos financeiros já é um progresso.

Sobre a não adesão do Brasil ao documento, o conselheiro-sênior de política ambiental do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (PNUD) Charles McNeill declarou que “houve esforços para chegar às pessoas do governo brasileiro, mas não houve resposta”. “Não havia vontade alguma de excluir o Brasil. É o país mais importante nesta área. Um esforço que envolve o Brasil é muito mais poderoso e impactante do que um que não envolve”, explica McNeil.
Fonte G1

REDUZ A CAPACIDADE DE ABSORÇÃO DE GÁS CARBONO PELA ATMOSFERA


Adicionar legenda
 
 
A  capacidade de absorção pela biosfera de parte dos gazes de efeito estufa pode estar entrando em colapso. O Boletim anual de Gases de Efeito Estufa, feito pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) indica uma redução na absorção desses gases pela biosfera e não foi pela redução das emissões que foram recordes em 2013.


A concentração de gases do efeito estufa na atmosfera atingiu níveis recordes em 2013, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM). Entre 2012 e o ano passado, a taxa de acúmulo de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera teve o crescimento mais rápido em um ano desde 1984. A OMM afirmou que o relatório ressalta a importância de um acordo mundial para limitar a emissões de gases do efeito estufa.
O Boletim anual de Gases do Efeito Estufa não mede a produção de emissões, mas registra a quantidade de gases que permanecem na atmosfera depois das interações com terra, ar e oceanos.
Cerca de metade das emissões acaba absorvida por mares, florestas e seres vivos.
Mesmo assim, a concentração de CO2 na atmosfera bateu 396 partes por milhão (ppm) em 2013, um aumento de quase 3ppm em comparação com o ano anterior.
O estudo também indica que o crescimento recorde do CO2 em 2013 não se deve apenas a mais emissões, mas a uma redução na capacidade de absorção de carbono pela biosfera.
A descoberta intrigou cientistas da OMM. A última vez que se constatou uma redução no nível de absorção da biosfera foi em 1998, quando houve um pico de queima de biomassa, aliado a um intenso El Niño.
“Já em 2013 não houve impactos óbvios na biosfera, portanto, é ainda mais preocupante”, disse o chefe da divisão de Pesquisa Atmosféria da OMM, Oksana Tarasova. “Não entendemos se isso é uma coisa temporária ou permanente, e isso é preocupante.”
Tarasova afirma que a descoberta pode indicar que a biosfera atingiu o seu limite, mas destaca que é impossível confirmá-lo no momento. Os dados compilados pela OMM cobrem os anos de 1990 a 2013 e mostram que gases como CO2, metano e óxido nitroso (N20), que sobrevivem na atmosfera por muitos anos, contribuíram para um aumento de 34% no aquecimento global.
No entanto, a temperatura global média não subiu paralelamente à elevação da concentração de CO2, o que levou muitos a afirmarem que o aquecimento global havia parado. “O sistema climático não é linear, não é simples. Não há necessariamente um reflexo da temperatura na atmosfera, mas se analisarmos o perfil de temperatura dos oceanos, vê-se que o calor está indo para os mares”, disse Oksana Tarasova.
O relatório também inclui pela primeira vez dados sobre a acidificação do mar provocada pelo dióxido de carbono. A OMM diz que diariamente os oceanos absorvem cerca de 4kg de CO2 por pessoa. Os pesquisadores acreditam que a atual taxa de acidificação seja a maior dos últimos 300 milhões de anos.
Diante das evidências, a OMM urge líderes mundiais a tomarem decisões contundentes sobre a política climática. Em 23 de setembro será realizado em Nova York um encontro extraordinário sobre o clima, convocado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
No fim do ano, a ONU promove a sua reunião anual sobre mudanças climáticas, desta vez em Lima, no Peru. A expectativa é que os dois encontros cheguem ao consenso necessário para um novo acordo climático mundial na reunião anual da ONU de 2015, em Paris.
No entanto, até o momento não se tem qualquer previsão de como transformar o acordo em algo legalmente vinculante, para que seja, de fato, efetivo.

SECAS, ONDAS DE CALOR, INUNDAÇÕES E CICLONES SÃO RESULTADO DO AQUECIMENTO GLOBAL, AFIRMA OMM.

Represa Cantareira - São Paulo

Os vários fenômenos climáticos extremos registrados em 2013 são “indicadores coerentes” da evolução climatica provocada pelo aquecimento global, afirma o relatório anual [WMO Annual Climate Statement Highlights Extreme Events] da Organização Meteorológica Mundial (OMM), divulgado nesta segunda-feira. Matéria da AFP.
A OMM, uma agência da ONU com sede em Genebra, destaca “o impacto considerável das secas, ondas de calor, inundações e ciclones tropicais”.
Também aponta 2013 como o “sexto lugar, empatado com 2007, entre os anos mais quentes já registrados, o que confirma a tendência de aquecimento observada a longo prazo”.
“O número de fenômenos extremos ocorridos em 2013 corresponde ao que era esperado neste contexto de mudança climática provocado por causas humanas”, afirma o documento.
A agência menciona especificamente fenômenos como o frio extremo na Europa e Estados Unidos, as cheias na Índia, Nepal, norte da China, Rússia, Europa central, Sudão e Somália, a neve no Oriente Médio e a forte seca no sul da China e no Brasil.
“Assistimos a chuvas mais abundantes, a ondas de calor mais intensas e ao agravamento dos danos provocados pelas tempestades e as inundações na costa, devido ao aumento do nível do mar. O tufão Haiyan, nas Filipinas, é uma trágica ilustração disto”, afirmou o secretário-geral da OMM, Michel Jarraud.
“O aquecimento global não está registrando nenhuma pausa”, disse, antes de destacar a aceleração do aquecimento dos oceanos, que alcançou níveis mais profundos.
“Mais de 90% do excesso de energia retido pelos gases de efeito estufa se encontra nos oceanos”, explicou Jarraud.
“Os gases do efeito estufa estão em um nível recorde, o que significa que nossa atmosfera e nossos oceanos continuarão em aquecimento nos próximos séculos”, alertou.
Após uma análise especial do calor recorde observado na Austrália no verão de 2013, a OMM afirma que os níveis “teriam sido quase impossíveis sem a influência dos gases que provocam o efeito estufa de origem humana. Isto demonstra que as mudanças climáticas geram um forte aumento da probabilidade de certos fenômenos extremos”.
A temperatura média na superfície do globo, incluindo terra emersa e oceanos, foi de 14,5 graus centígrados (C) em 2013, meio grau acima da média calculada para o período 1961-1990, e 0,03 grau C acima do registrado na década 2001-2010, afirma a OMM. Esta já é a década mais quente, segundo os registros.
O relatório afirma que no decorrer do século XXI foram registrados 13 dos 14 anos mais quentes, e que cada uma das três últimas décadas foi mais quente que a anterior.
Os cientistas alertam há muito tempo que cada vez há menos possibilidades de reduzir o aquecimento global a dois graus centígrados na comparação com os níveis prévios à revolução industrial, que é a meta da ONU.
No momento existe um escasso consenso internacional sobre a forma de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, resultantes da atividade industrial, dos transportes e da agricultura.
Alguns cientistas acreditam que a este ritmo, em 2100 a temperatura do planeta terá aumentado em quatro graus ou inclusive mais, o que provocará secas ainda mais graves, inundações, tempestades e fomes.
Represa da Cantareira - SP

HEROIS DE MARTE E SUAS FAÇANHAS

A "selfie" do Curiosity feita a partir de imagens obtidas com o instrumento MAHLI em abril e maio (NASA / JPL-Caltech / MSSS). Clique na imagem para a versão full.
Curiosity está em Marte a 2 anos  e 1 mes correto? Bem sim e não...depende do ponto de referencia. Pelo calendário ocidental terrestre, Curiosity desembarcou em Marte dia 05 de agosto de 2012 portanto está rodando por lá a 2 anos,1 mês e 17 dias. Mas se o ponto de referencia for Marte, lá um ano é de 686,9 dias, portanto o Curiosity está a 1 ano e 25 dias marcianos explorando o planeta vermelho. Clique na imagem para obter a versão full.
Agora é oficial, Opportunity da Nasa acumulou nesses
 
mais de 10 anos transitando pelo planeta vermelho 40,25 Km rodados



Mars Express
O principal objetivo da missão era o de pesquisar por água na superfície ou debaixo dela através do uso do aterrissador. Sete instrumentos a bordo do orbitador devem realizar uma série de pesquisas remotas a fim de estudar a atmosfera, a estrutura, a geologia e a composição de Marte.
Esperava-se que o aterrissador pudesse fornecer alguma informação sobre a possibilidade de Marte ter ou que venha a suportar formas de vida Vários dos instrumentos deste aterrissador, como o sistema de câmeras e alguns espectrômetros eram duplicatas da missão russa Mars 96, missão esta em que o foguete lançador falhou em pôr a sonda no espaço. A missão Mars 96 utilizou instrumentos e também foi financiada por vários países europeus.A estrutura básica desta sonda era baseada na sonda Rosetta da ESA na qual uma considerável quantidade de dinheiro foi gasto no seu desenvolvimento. Isto foi feito para reduzir o tempo de desenvolvimento e o custo da missão.
A sonda Mars Express deveria fornecer a capacidade de retransmitir dados de outros aterrissadores que venham a ser lançados por outras nações, como uma forma de integrar os esforços para a exploração de Marte.
Em 25 de dezembro de 2003, a sonda chegou a Marte e neste dia o aterrissador Beagle 2 entrou na atmosfera de Marte. Diversos contactos com o aterrissador falharam e ele foi considerado perdido em fevereiro de 2004.
Porém o orbitador opera normalmente, sendo anunciado em setembro de 2005, que a sonda entraria em sua fase estendida de dois anos, iniciando em Dezembro de 2005.


Odyssey tem servido como o principal meio de comunicação para os exploradores da NASA na superfície de Marte na última década, até a sonda Curiosity. Cerca de 85% das imagens e outros dados dos gêmeos Mars Exploration Rovers da NASA, Spirit e Opportunity, chegaram a Terra através do relé de comunicações por Odyssey. Odyssey continua a receber transmissões da sonda sobrevivente, Oportunidade, todos os dias. O orbitador ajudou a analisar locais de pouso em potencial para as sondas e realizou a mesma tarefa para a missão Phoenix, da Nasa, que pousou em Marte em maio de 2008. Odyssey auxiliou também a Mars Reconnaissance Orbiter, da Nasa, que chegou a Marte em Março de 2006.
A nave Mars Reconnaissance Orbiter foi lançada pela Nasa em agosto de 2005 e sua missão era encontrar água no planeta, poder localizar aquíferos subterrâneos. Essa nave foi equipada com lentes de uma maior resolução para obter imagens mais nítidas do planeta.
Com essas missões e todo esse investimento, Marte é hoje um planeta razoavelmente conhecido por nós e o será muito mais  ainda nos próximos anos. Temos uma visão de Marte melhor do que da Lua por exemplo, como está foto de um entardecer marciano tirada pelo Curiosity.





 

 
 


SONDA MAVEM JÁ ESTÁ EM ORBITA DE MARTE


Seus objetivos são estudar como o planeta perdeu sua atmosfera e a água que possuía. Dentro de 6 semanas os instrumentos da Sonda estarão aptos a iniciar os estudos que deverão se concluir até meados de novembro.
22.09.2014
 
Opportunity, Curiosity, Mars Express, Mars Odyssey y Mars Reconnaissance Orbiter agora tem uma nova companheira de viagem. Ela não tem câmaras e seguirá uma órbita realmente extrema, que a envolverá nas capas mais altas da atmosfera do planeta analisando de forma direta, algo longe da capacidade das veteranas, extraordinárias todas elas, porem com objetivos mais normais para o que se espera de uma sonda em órbita. Assim é a recém chegada cheia de energia e expectativas da juventude.
Sua chegada se deu tal como estava previsto com a ignição de seus impulsores durante 33 minutos que frearam a nave o suficiente para permitir que a gravidade marciana a capturasse de forma definitiva em uma órbita elíptica ainda por confirmar. A operação de colocar a sonda em órbita de Marte foi tão perfeita que tornou desnecessárias várias das correções de trajetórias previstas. Se a frenagem pela ignição dos impulsores houvesse falhado MAVEN seguiria seu caminho em direção ao Sol o que implicaria no fracasso da missão. Porém, novamente a experiência da NASA e do JPL com este tipo de operação fez com que tudo se desse sem falhas.
As próximas semanas serão intensas para MAVEN que ajustara sua órbita para começar a fase científica, colocará em plena atividade seus instrumentos científicos e se preparará não só para estudar Marte, como também, em uma oportunidade única para a astronomia, a chegada do cometa Siding Springs, observando como suas partículas interagem com a atmosfera do planeta. Depois chegará a hora de seus vôos próximos à superfície (5 previstos) apenas a 150 Km de altura na parte mais baixa de sua órbita para permitir a tomada de dados atmosféricos diretos, o ultimo objetivo de sua viagem, que deverá dar-se por volta de 8 de novembro: conhecer os motivos da perda de atmosfera de Marte, desde tempos aparentemente mais quentes e húmidos e saber qual foi o destino da água que um dia deixou o planeta.
Terminada suas missões elevará sua órbita e trabalhará principalmente como um laço de comunicação com as sondas da superfície, tantos as atuais como as futuras num espaço de tempo até que se acabe o combustível de seus propulsores que deverá levar cerca de 10 anos. Tudo isso porém faz parte do futuro. Agora vamos celebrar a nova sonda exploradora que alcançou seu objetivo inicial e se prepara para fazermos avançar um pouco mais nosso conhecimento sobre o Universo que nos rodeia.
 

MAR DE GELO DA ANTARTICA BATE RECORDE MÁXIMO E ISSO NÃO É BOM.



Pelo terceiro ano consecutivo, o gelo do mar em torno da Antartica estabeleceu um novo recorde. Sua extensão é a maior agora desde que as observações começaram no final dos anos 70, e os cientistas dizem que esse crescimento é em grande parte resultado da mudança climática.
O mar de gelo da Antártida derrete durante a primeira parte do ano, mas normalmente retorna novamente em setembro. A extensão de gelo quebrou o recorde no ano passado de acordo com um relatório da revista New Scientist. É a mais recente evidência de uma tendência pequena, mas significativa de crescimento de cerca de 1,5 por cento por década.
Mas antes que alguém comemore a morte do aquecimento global, note que o gelo em expansão não é necessariamente uma boa coisa. Na verdade, pode ser um sintoma de que o mundo está esquentando. A maior extensão do gelo no mar pode ser causado por mais derretimento de gelo, dizem pesquisadores da NOAA: "Suspeitamos que o aumento da presença de icebergs quebrados de plataformas de gelo e glaciares dentro do pacote de gelo marinho da Antártida é um dos principais contribuintes para uma tendência temporária, mas crescente de aumento no extensão de gelo marinho da Antártida.
New Scientist acrescenta outra razão possível:
O derretimento do gelo no continente antártico também pode ser responsável pelo aumento de mais gelo no mar, despejando água doce facilmente congelável para o oceano, diz Nerilie Abram, da Universidade Nacional Australiana, em Canberra.
O gelo do mar não é susceptível de continuar expandindo para sempre. Partes do continente estão se aquecendo em um ritmo impensável; ao longo do último meio século, os invernos, a oeste da Península Antártica ficaram mais quentes em 5,8 graus Celsius, essa é taxa de aquecimento conhecido mais rápida do globo. Por causa de mais gases de efeito estufa e uma perda de ozônio estratosférico (mesmo que este "buraco de ozônio" poderia curar em poucas décadas), a Antártica deve perder um quarto de sua extensão de gelo marinho e um terço de seu volume até 2100, de acordo com a  Austrália Antarctic Climate & Ecosystems Cooperative Research Center.
Que impacto tem isso sobre o clima? Bem, considere que a água do mar congelada desempenha um grande papel em desviar o calor solar: o gelo desvia mais de 80 por cento da radiação do sol, a água aberta apenas 7 por cento. O gelo do mar também isola o oceano de contato com o ar aquecido. Com menos dele por aí, é fácil ver como o processo de aquecimento atmosférico pode tornar-se amplificado, fundindo quantidades cada vez maiores de gelo.
O gelo do mar também  tem um papel na sobrevivência de muitas espécies de animais. Ele comporta o  krill, um componente-chave na dieta de várias espécies de baleias. O gelo também fornece habitats para a vida selvagem da Antártica e área de acasalamento para focas e pingüins imperador. E em uma reviravolta que pode vir como uma surpresa para as pessoas que vêem o continente como desprovido de material verde: o gelo funciona como uma superfície crescente de grandes quantidades de algas. Alga é tanto um promotor de seqüestro de carbono, morto ele arrasta carbono até o fundo do mar - e um componente  importante na cadeia alimentar do oceano. Escreve o Centro de Pesquisa Cooperativa:
A diminuição do gelo no mar vai resultar na redução da produção de algas com uma redução no tempo de primavera, com potencialmente dramático fluxo sobre os efeitos para as cadeias alimentares e estrutura dos ecossistemas marinhos. Isso pode incluir mudanças na distribuição de espécies e interações da cadeia alimentar.

ROSETTA NOS MANDA UMA "SELFIE"


 
Selfies de naves espaciais são sempre um deleite e este é duplamente impressionante: tomada pelo módulo Philae que está acoplado à Sonda Rosetta, da ESA, mostra um de seus espelhos solares brilhando sob a luz solar refletida enquanto se pode ver a distância o cometa 67/P.

Rosetta está em órbita do cometa a mais de um mês  e deverá enviar para pousar sobre ele o modulo Philae em novembro. Enquanto esse momento não chega ele nos brinda com maravilhosas fotos tanto do cometa como de si mesma.

FLORESTAS IRÃO CRESCER NO ARTICO DEVIDO AQUECIMENTO GLOBAL


A linha de árvores (verde) e a linha do clima ártico (laranja)
 
Numa investigação agora publicada na «Nature Climate Change» sugere-se que o aumento das temperaturas vai conduzir a um massivo incremento da cobertura vegetal do Ártico. Os cientistas apresentam novos modelos que projetam um aumento de 50 por cento durante as próximas décadas. Mostram, também, que este fenômeno vai acelerar o ritmo do aquecimento global.
“Esta redistribuição generalizada da vegetação no Ártico terá impactos que se irão repercutir em todo o ecossistema global”, diz Richard Pearson, autor principal do estudo e investigador do Museu Americano de História Natural para a Biodiversidade e a Conservação.
O crescimento das plantas nos ecossistemas do Ártico aumentaram nas últimas décadas, uma tendência que coincide com o aumento das temperaturas, que chega quase ao dobro da taxa global. Os cientistas desenvolveram modelos que predizem estatisticamente os tipos de plantas que podem crescer sob determinadas condições meteorológicas.
Embora contenham um certo grau de incerteza, este tipo de modelos são uma forma eficaz de estudar o Ártico, visto que o clima extremo limita a variedade de plantas que pode nascer. Por isso, este sistema é mais simples para estabelecer modelos, se comparado com outros para regiões como os trópicos, por exemplo.
Os modelos revelam o potencial de redistribuição massiva da vegetação no Ártico tendo em conta o clima futuro, com uma mudança prevista em metade da vegetação e um aumento massivo da cobertura arbórea.
Na Sibéria, por exemplo, as árvores poderão espalhar-se a centenas de quilômetros a norte da linha que atualmente as delimita. “Estes impactos estendem-se muito além da região do Ártico”, diz Peason.“Por exemplo, algumas espécies de aves migram sazonalmente de latitudes mais baixas na procura de determinados habitats de espaço aberto que lhes permitam fazer nidificar no solo”.
Os investigadores analisaram igualmente as respostas climáticas a múltiplas alterações ecológicas. Descobriram, por exemplo, que o efeito de albedo (relativo à quantidade de luz refletida) terá maior impacto sobre o clima. Quando o Sol incide na neve, a maior parte da radiação é refletida de volta ao espaço. Mas quando chega a uma zona escura ou coberta de árvores ou arbustos é mais absorvida, fazendo com que a temperatura na zona aumente. E isto tem relação com o aquecimento global, explicam os investigadores, quanto mais vegetação houver mais aquecimento se produzirá.
“Estudando a relação observada entre as plantas e o albedo, percebemos que as mudanças na distribuição da vegetação poderão provocar um aquecimento maior do que o previsto”, diz o co-autor Scott Goetz, do Woods Hole Research Center.
Artigo: Shifts in Arctic vegetation and associated feedbacks under climate change
Plantas e arbustos ocuparam parte da tundra ártica nas ultimas décadas
 
Vegetação se desenvolve em pleno clima artico
 
 
 
 
 

 

 

  

 

 

SONDAS CRUZAM O ESPAÇO EM BUSCA DE RESPOSTAS


 
Entre final do século 15 e inicio do século 16 naus cruzaram os oceanos então desconhecidos em busca de respostas. Haveria realmente outras terras a Oeste ou o mundo realmente se acabava num abismo? Hoje ocorre algo semelhante só que no espaço infinito, muito além do “mar oceano”. Numerosas sondas cruzam o espaço na busca de respostas. Marte irá receber dentro de dois dias a sonda MAVEN e  em 4 dias  a sonda Magalyaan. A sonda Rosetta está em órbita do cometa Churyumov e deverá pousar um módulo sobre ele em novembro. A sonda New Horizons está cada vez mais próxima de Plutão. A sonda Dawn está a caminho de Ceres, o planeta anão que domina o cinturão de asteroides.
Como ocorriam com as naus dos séculos 15 e 16 tais viagens apresentam grandes ameaças e riscos, como as grandes tempestades e as pestes que assolavam os navegantes. Isso ocorreu recentemente com a Sonda Dawn. Habitualmente viajando em silêncio (como entre os navegantes que durante meses não tinham como comunicar à Europa sua localização e situação), e só comunicando-se de forma periódica para reportar seu estado, no dia 11 de setembro deu um grande susto nos engenheiros da missão quando comprovaram que havia entrado de forma imprevista no “modo de segurança” e que o propulsor iônico que deveria estar em funcionamento se encontrava inativo. Foi necessário mudar o comando para outro motor de íons e um controlador eletrônico diferente para poder recuperar a propulsão. No dia 15 de setembro a sonda retornou a seu estado normal, mas esta alteração no plano de impulsão significou um mês de atraso para a missão que não chegara ao ponto previsto em 15 de abril de 2015, mas apenas em maio. Os engenheiros trabalham agora para reativar o motor danificado até o final do ano.
Não foi esse o único problema da sonda, também a antena principal para mandar sinais a Terra se danificou por uma partícula radioativa. Utiliza-se agora uma antena secundária onde os sinais de rádio levam 53 minutos para chegar a Terra e vice-versa.
Dawn é uma missão extremamente complexa, a única sonda capaz de entrar em órbita de um corpo celeste (Vesta em 2011), para desligar-se dele depois e seguir caminho rumo a um segundo e definitivo objetivo (Ceres), onde entrará de novo em órbita. Tudo isso é possível graças a seu sistema de propulsão iônico que lhe oferece uma capacidade de manobra que nenhuma outra nave tem atualmente.
 
O GIGANTESCO ASTERÓIDE VESTA
 
Vesta é um asteroide GIGANTE com cerca de 530 km de diâmetro e o segundo objeto de maior massa no Cinturão de Asteroides (os restos da explosão do planeta Maldek).
Telescópios terrestres e espaciais fotografaram esse antigo asteroide por mais de um século, mas eles não eram capazes de ver muitos detalhes da sua superfície.
Vesta (asteroide 4) foi o quarto asteroide, descoberto por Olbers (1807) e é o terceiro maior asteróide em tamanho, medindo entre 470 e 530 km em diâmetro.
Sua origem é localizada no Cinturão de Asteroides, região entre as órbitas de Marte e Júpiter, a 2,36 U.A. de distância do Sol.
A sonda Dawn (Aurora) orbitou Vesta durante um ano inteiro, tirando fotos cada vez mais de perto da “provavelmente mais antiga superfície primordial existente no sistema solar,” diz o investigador principal da sonda Dawn, Christopher Russell, da UCLA.
Em 18 de julho de 2011 a sonda Dawn enviou a primeira imagem de Vesta após o início da sua órbita ao redor do asteróide gigante.
 
Na sexta-feira, 15 de julho, Dawn se tornou a primeira sonda a entrar em órbita em torno de um objeto do cinturão de asteróides, que fica entre às órbitas de Marte e Júpiter.
A imagem obtida para fins de navegação mostra Vesta em maiores detalhes do que nunca antes. Quando Vesta capturou Dawn em sua órbita, havia aproximadamente 9.900 milhas (16.000 quilômetros) de distância entre a espaçonave e o asteroide. 
 
A importância desses estudos reside essencialmente no conjunto vasto de informações que eles nos podem fornecer no que respeita aos processos que se passaram na origem do sistema solar e nas fases iniciais da evolução planetária, antes do registo geológico que está disponível sobre a Terra e nos planetas siliciosos. O carácter primitivo, pouco ou nada alterado, dos condritos torna-os nas rochas fundamentais para o estudo do material primordial que formou os planetas e que nestes rapidamente evoluiu para diferentes fases. Registam ainda evidências de alguns processos astrofísicos que ocorreram antes da formação do sistema solar.
Sonda Dawn do programa Discovery da NASA lançada em 2007 para estudar os asteroides Ceres e Vesta.

 
 

DEFINIDA ÁREA DE POUSO DE MÓDULO DE ROSETTA


 
Finalmente conhecemos a região onde deverá pousar o módulo Philae da Sonda Rosetta  sobre o cometa 67P / Churyumov-Gerasimenko. O momento de pouso, tão aguardado pois entrará para os livros de história como a primeira vez em que pousaremos em um pequeno cometa de apenas 5 Km de diâmetro que está a mais de 400 milhões de Km da Terra se deslocando por algo tão gigantesco como o Sistema Solar a uma vertiginosa velocidade de mais de 55.000 km por hora, será em novembro. 
 
Há cinco áreas sendo estudadas para pouso, todas com vantagens e desvantagens. A denominada área "A" era a preferida por todos os técnicos já que implicava em pousar na “ponte” de matéria que parece unir as duas partes principais do cometa e com isso ter a possibilidade de tomar imagens panorâmicas realmente incríveis, mas dificilmente essa será a área ganhadora pelos perigos que representa para o fracasso da missão.
Buscando um equilíbrio entre valor científico e segurança a equipe optou pela zona “J”, que oferece um potencial científico único e menor risco ao menos em comparação com as outras 4 zonas. Se optou também que a zona “C” será a opção de reserva.
As imagens mais recentes do cometa nos mostram um mundo maravilhoso mas muito acidentado. "Nenhum dos pontos de aterrissagem  cumprem 100% dos requisitos operacionais mas o “J” é claramente a melhor solução", disse Stephan Ulamec, do Centro Aeroespacial Alemão. “Realizaremos a primeira análise do solo de um cometa, oque nos proporcionará  um conhecimento sem precedentes da sua composição, estrutura e da sua evolução".
Havia uma série de aspectos críticos que deviam ser superados para esta decisão. Tinha que se encontrar uma trajetória segura para colocar PHILAE na superfície e as ameaças da zona de aterrissagem  devem ser mínimas. Uma vez nela entravam em jogo outros fatores como o balanço entre horas de luz e noturnas.
Outro fator a ter em conta é que a descida sobre o cometa será passiva, separando-se Philae de Rosetta a velocidade entre 0,18 e 1,9 Km/h para ir descendo sob o efeito da tênue gravidade do cometa e só é possível predizer que a aterrissagem será dentro de uma elipse com várias centenas de metros de diâmetro. A área “J”  a maior parte  parece ter menos de 30 graus de inclinação o que reduz a possibilidade de Philae tombar quando tocar a superfície, também parece ter poucas pedras e recebe suficientes horas de luz para que possa recarregar as baterias.
Uma vez liberada de Rosetta e durante sua longa descida (que levará cerca de 7 horas para esta área) se tomarão imagens e se farão outras observações do entorno. No momento em que tocar a superfície do cometa a uma velocidade equivalente ao passo humano, usará arpões para fixar-se na superfície pois a gravidade do cometa é muito fraca. Tomará então uma panorâmica de 360 graus do lugar de aterrissagem para ajudar a determinar onde aterrissou. Tudo isso deverá ocorrer antes da metade de novembro já que posteriormente, com um cometa em atividade crescente, as opções de êxito se reduziriam.
 
Em seguida inicia-se a fase da ciência inicial na qual os instrumentos analizarão o plasma e o campo magnético, assim como as temperaturas superficiais e internas. Também perfurará a superfície e tomará amostras para analisá-las em laboratório de bordo.
O chefe do Projeto Rosetta Fred Jansen em uma conferência à imprensa disse que as possibilidades de êxito da operação são em torno de 70% o que na realidade é bastante baixo. Serão horas de alta tensão. Mesmo fracassando o fato de chegar até aqui estando Rosetta em órbita ao cometa e a tentativa de descida do modulo já é por si só um feito extraordinário. Só nos resta aguardar ansiosamente pelo resultado da missão em novembro.
ÁREA 'J' AMPLIADA