PÁSCOA E OS DOGMAS CRISTÃOS

Santa Ceia de Leonardo da Vinci

O artigo sobre a Páscoa “Páscoa, um grito a favor da vida”, escrito por Geraldo Lyrio Rocha, mestre em Filosofia e atual presidente da CNBB, na Folha de São Paulo me levou a um momento de refleção. Achei de início contraditório a Igreja que prega contra o uso de preservativos, contra a pesquisa de células-tronco, contra o aborto em caso de risco de vida da mãe e por estupro, contra a união de pessoas do mesmo sexo, estar se pronunciando “a favor da vida”. Lembrei-me, todavia que a Igreja não é um corpo coeso, está dividida em ordens religiosas algumas mais conservadoras, outras nem tanto. Essa luta entre liberais e conservadores não é privilegio dos homens voltados às coisas terrenas, também faz parte do cotidiano dos que buscam a vida eterna no além.
Diz D. Geraldo a certa altura de seu artigo “Somos convidados a atualizar o sentido dessa festa (Páscoa) retomando o compromisso com o valor sagrado da existência humana e nos empenhando em melhorar a qualidade de vida de nosso povo”. Um discurso neutro que se apega aos dois lados: um lado conservador, espiritual, e outro mais liberal, voltado ao bem estar terreno. Uma tentativa de manter a Igreja palmilhando entre dois terrenos conflituosos. Acho que a Páscoa é sim um momento de reflexão, e seria um momento da Igreja Católica Romana rever alguns de seus dogmas. Aliás, o problema de qualquer dogma é justamente ser um dogma. O mundo atual não pode se dar ao luxo de ter dogmas. Dogmas eram válidos na Idade Média onde qualquer mudança nos costumes, na ciência, enfim em qualquer campo levavam mil anos para acontecer.
Bernardo
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