ALIENADO FELIZ OU CONSCIENTE E ANGUSTIADO?


Que tempo sombrios estamos vivendo. Convivem, lado a lado, as maravilhas da tecnologia e do conhecimento com o caos e o obscurantismo de uma sociedade doente.
A cada dia nos assombramos com novas e terríveis doenças, crimes monstruosos contra crianças e velhos, genocídios, massacres. Vivemos um tempo em que os princípios e valores estão completamente às avessas.
A história humana é escrita com sangue e ternura, como duas forças em choque, onde ora predomina uma, ora a outra.
Nunca nossas crenças e valores estiveram tão evidentemente em cheque. A Igreja Católica se enlameia em posições dogmáticas totalmente sem sentido e com padres e bispos envolvidos em escândalos sexuais. As Igrejas Evangélicas não ficam atrás, enriquecendo e se transformando em empreendimentos comerciais onde Deus é apenas a marca do produto “salvação” vendida nos templos.
Na política então é um verdadeiro “mar de lama”, aliás, o que sempre foi, mas parece que nos últimos anos o nível desse mar tem aumentado e a lama está ficando cada dia mais fétida.
A educação está completamente falida, estamos entrando inevitavelmente numa nova Idade Média, período em que apenas um seleto grupo de aristocratas detinha o conhecimento.
E nas artes? Também acredito que estamos vivendo uma crise, além de uma crescente elitização da expressão artística. A arte popular, com raras exceções, passa por uma vulgarização apelativa em busca de sucesso comercial. Quem poderia melhor que eu analisar os rumos das artes no século XXI são minhas amigas Walleria em seu blog www.wallperlima.blogspot.com e Thais em seu blog www.thaislc.blospot.com .
Não sei se o homem encontrará um caminho mais firme e seguro sobre a Terra. Alias o próprio planeta corre o perigo de perecer em conseqüência dos desmandos ambientais causados pelo próprio homem.
Isso tudo é angustiante. Talvez fosse melhor ser um alienado feliz.

3 comentários:

wallper.lima disse...

Olá Bernardo! Não sabia da existência deste teu blog, gostei mto! Suas postagens estão 10.
Sobre esse desafio vou ter que me "armar", para poder falar...rsrsrs.
Devo dizer, que tdo que vc falou aqui, está perfeito... estamos vivendo um momento de banalização geral...onde o certo é errado, o errado é certo, e tudo está sendo nivelado por baixo.
Parabéns!
Abraços e já sou sua seguidora.
Waleria.

Efigênia Coutinho disse...

Gostei deste espaço cultural, serei uma seguidora para poder acompanhar e divulgar seu belo trabalho,
fica o convite para conhecer e seguir meus Blogs,
com admiração,
Efigênia Coutinho

Tais Luso de Carvalho disse...

Este texto tá na medida! Fecho com ele. A lama se espalhou a partir da estrutura familiar que também fica a desejar. E salve-se quem puder. A mídia faz seu alarde; muitas vezes sentimos que não temos como fugir de tantas informações que nos levam à indagações. Temos medo de tudo, e com certa razão vivemos meio que apavorados. Salvação? Não acredito, até gostaria de acreditar. Porém, como disseste, com esse lamaçal político acho que a coisa tende a piorar. Mostraste os caminhos trilhados até aqui: nossa história foi feita de duas maneiras: sangue e ternura. E assim somos nós, criaturas indecifráveis e misteriosas.

Quanto a arte... é um reflexo que nos mostra nossas próprias mudanças, basta olharmos Guernica, de Picasso, que nos mostra o bombardeio sofrido pela cidade espanhola, em 26 de abril de 1937. A arte nos mostra as fases pelas quais o mundo passou, relata os momentos de sofrimento, a evolução dos costumes em todas as épocas e sociedades como um todo.

Mostra o sublime e a loucura do ser humano. Diria que a arte é um relato de nossa história; através dela conhecemos a evolução do ser humano, retrata a sociedade em todas as épocas: nos mostra a religiosidade dos povos, suas futilidades, ingenuidade, evolução de técnicas, enfim, todos os movimentos que vieram a somar na arquitetura, na literatura e na música. Acho que é na arte que conseguimos preservar o que existe de mais puro no ser humano; na arte, poucos mentem. Apenas revelam seus dons, mesmo que sejam um pouco loucos. Porém aí, o homem não faz mal a ninguém. É nela que ele se supera.

Abraço, amigo.
Tais Luso