O PODER DA PALAVRA


Por Aldson Miná

Quantas vezes já ouvimos a ameaça "quem fala o que quer, ouve o que não quer?” E quantas e quantas vezes ignoramos essa regrinha básica da convivência civilizada?

Betty Milan, em recente artigo em Veja, diz o óbvio: que a vida não é fácil e se torna impossível quando dizemos o que não deve ser dito. Prossegue com esta jóia de mandamento do viver bem - é preciso que aprendamos a escutar o que dizemos. Não estamos aqui discutindo questões semânticas.

A palavra, sem aludir à Palavra, de poder incontestável, pode ser o que o vulgo chama de faca de dois gumes. E bem afiada. Não importa se falada, escrita, televisada, irradiada ou mandada pelos ares por meio de MSN, Orkut e outros modismos do gênero na Internet, inclusive certos comentários infames nos sites de notícias...

Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas lembra Betty, diz através de um personagem que "viver é perigoso". Façamos a substituição de "viver" por "falar" e constataremos que a periculosidade do ato de abrir a boca e falar sem pensar é também enorme. Implica quase sempre em mal-entendido, inimizade, mancha na reputação de pessoas ilibadas, perda do respeito dos amigos e até, suprema punição, a perda desses amigos.

Até na novela das oito (leia-se nove e dez, mais ou menos), local insuspeito para ser considerado fonte de cultura, vez por outra um personagem diz que as palavras tem força e que depois de lançadas ao vento, fica difícil controlar ou anular seus efeitos. Aí é se jogar num poço sem fundo de insabores, com consequências imprevisíveis.

Vale, por outro lado, lembrar a força incrível das mágicas palavrinhas bom dia, com licença, obrigado, por favor...

Estamos cansados de saber que a palavra tanto pode servir para unir, consolar, curar e fazer nascer o amor quanto para desunir, prejudicar, desesperar e dar fim ao amor... Por que então essa insistência mórbida de deixar a boca agir sem sincronismo com o cérebro?
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