Claude Levi-Straus


O antropólogo francês Claude Levi-straus morreu na madrugada do último sábado para domingo, a menos de um mês de completar 101 anos.

Viveu seus últimos anos recluso em seu apartamento, fazendo raras aparições públicas. Em 2008, para celebrar seu centenário, diversas homenagens foram organizadas na França mas ele não compareceu a nenhuma. Foi o pai do Estruturalismo que tantos debates causou com outras correntes da antropologia, mas o que me leva a UM MOMENTO DE REFLEXÃO foio incomodo que lhe causou as limitações da velhice.
O processo de envelhecer era algo que parecia incomodá-lo profundamente. Sua incapacidade de escrever marcou profundamente seus últimos anos como ele mesmo comentou:
“Para mim hoje existe um “eu” real, que não é mais um quarto ou mesmo a metade de um homem, e um “eu” virtual, que conserva uma idéia do todo. O “eu” virtual prepara um projeto de livro, começa a organizá-lo em capítulos e diz ao “eu” real: ‘Agora é a sua vez de continuar’. E o “eu” real, que não consegue mais diz ao “eu “ virtual: ‘O problema é seu. Só você vê a totalidade’. Minha vida agora se passa em meio a esse diálogo muito estranho”, disse no seu aniversário de 90 anos.
Uma das últimas entrevistas do antropólogo foi concedida ao jornalista Didier Eribon no livro “De Pres et de Loin” (De longe e de Perto). Na ocasião ele demonstrou um sentimento de incompatibilidade com os tempos atuais. “Caminhamos para uma civilização em escala mundial. Nela, provavelmente, aparecerão as diferenças. Não pertenço mais a esse mundo. O mundo que eu conheci, o mundo que eu amei, tinha 1,5 bilhão de pessoas. O mundo atual tem 6 bilhões de humanos. Não é mais o meu.
Bernardo
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