GELEIRAS DERRETEM À TAXA MAIS RÁPIDA DA HISTÓRIA


 
Há décadas, cientistas do mundo todo procuram analisar com alguma precisão o derretimento de calotas polares causado pelo aquecimento global. Quanto gelo derreteu? Em que ritmo isso vem ocorrendo? Onde, exatamente, o fenômeno é mais grave?
Infelizmente, a grande variedade de métodos tornou a conciliação das informações quase impossível. Contudo, apesar das dificuldades, uma equipe de cientistas conseguiu obter dados precisos a partir dessas análises – e os resultados foram divulgados essa semana.
De acordo com o estudo, os mantos de gelo da Groenlândia e da Antártida estão perdendo massa em um ritmo pelo menos três vezes maior do que acontecia nos anos 1990. Além disso, desde 1992, o derretimento desse gelo contribuiu para uma elevação de 11 milímetros no nível dos oceanos.
“Conforme o clima esquenta, nós perdemos mais massa, e as perdas serão maiores no final do século”, alerta Ian Joughin, um dos autores da pesquisa. “A partir de qualquer registro de 20 anos, e deste em especial, não podemos extrapolar. Mas podemos ver que a tendência cresce, e que é algo com que devemos ficar preocupados”.
Os dados do estudo são consideravelmente mais precisos do que os do relatório climático do IPCC (sigla em inglês para “Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas”) de 2007, que rendeu o Prêmio Nobel da Paz aos autores. Para chegar a essas informações, 47 cientistas de 26 instituições analisaram dados coletados durante 50 anos por 10 satélites diferentes.

 Precisão necessária

Estudos anteriores feitos sobre o derretimento dos mantos de gelo da Antártida e da Groenlândia tiveram resultados muito variados, o que dificultava a elaboração de modelos climáticos precisos.
Para obter informações concretas, a equipe correlacionou dados obtidos a partir dos mesmos locais e nas mesmas épocas, além de descartar resultados que não pudessem ser checados por comparação. Além disso, os pesquisadores usaram física nuclear para examinar alterações em rochas da Antártida, vendo quanto tempo elas passaram expostas ao sol ou sob o gelo. Satélites foram indispensáveis para a coleta de dados, e o estudo reforçou a importância dessa tecnologia.
Ainda assim, muitas variáveis permanecem pouco compreendidas, como a física das geleiras, ondas e circulação marinha, por exemplo. Cientistas do clima querem mais (e melhores) dados sobre o derretimento de geleiras para aprimorar seus modelos.
“Economistas podem dizer que o mercado de ações deverá estar em alta em 2100, mas não podem fazer previsões precisas, e também não podem simplesmente pegar um período de 20 anos, extrapolar e pensar que terão a resposta certa”, compara Joughin. Seja como for, as evidências que temos sobre o aumento do nível dos oceanos estão mais sólidas do que nunca.
Do Hypescience
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