É PRECISO REDISCUTIR A POLÍTICA DE GERAÇÃO DE ENERGIA NUCLEAR



Entrevista com Luiz Pinguelli Rosa, publicado na revista Carta Capital nos leva a um bom momento de reflexão sobre a utilização da energia nuclear.
O desastre nuclear de Fukushima colocará a geração de energia por reatores atômicos em um “banco dos réus” da comunidade internacional. A Comunidade Europeia, os EUA e a China colocaram em quarentena seus planos nucleares. No Brasil, a discussão sobre a ampliação do programa para além de Angra 3 é “oportuna e indispensável”, na opinião do diretor do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Luiz Pinguelli Rosa. Mestre em Engenharia Nuclear, ele aponta o “equívoco original” no sistema de resfriamento da usina japonesa e diz que o motivo fundamental para um programa nuclear brasileiro é político:

CartaCapital: Qual é a gravidade da situação nuclear no Japão?
Luiz Pinguelli Rosa: Já são quatro os reatores de Fukushima acidentados. Todos romperam o prédio e o material radioativo saiu em parte. Já há pessoas afetadas na área próxima e há alguma radioatividade registrada em Tóquio.

CC: Em que pese a falta de mais informações claras, o senhor identificou algum erro possível nessa situação toda?
LPR: Houve um equívoco original. O ponto fraco foi o gerador de emergência, que não funcionou depois de ser atingido pela onda. Ora, bolas, esse gerador a diesel devia estar protegido contra ondas, num ambiente invulnerável. Isso é perfeitamente possível, geradores a diesel são peças simples. Agora, sabe-se há muitos anos que são pontos vulneráveis dos reatores. Máquinas desse tipo falham e os reatores, em caso de emergência, precisam da eletricidade. Foi uma falha grave deixá-los expostos à onda do mar. É claro que um tsunami é fenômeno raro, mas eles sabem que pode acontecer.

CC: Cabe alguma comparação com as usinas de Angra?
PR: Cabe a comparação, mas o reator de Angra é diferente daquele de Fukushima. Um é PWR, de água pressurizada. O de lá é BWR, de água fervente. O reator daqui tem alguma vantagem sobre o de lá. Mas também tem material radioativo e pode haver falha. Three Mile Island era um reator PWR e teve problemas sérios, inclusive uma explosão de hidrogênio dentro do prédio. A diferença é que o prédio de Three Mile Island resistiu à explosão, e o prédio de Fukushima, não.

CC: Qual é a diferença entre os prédios?

LPR: O de Three Mile Island era mais reforçado, mais parecido com o do nosso reator aqui. O PWR tem muita pressão dentro e usa um prédio mais reforçado. O de lá era uma tecnologia diferente.

CC: Mas houve vazamento de combustível em Three Mile Island, também, não?
LPR: Sim, mas para dentro do prédio. Ainda havia bastante contenção.

CC: E a comparação com Chernobyl?
LPR: Não, Chernobyl era uma tecnologia totalmente diferente. Foi um incêndio provocado por uma operação infeliz, o material radioativo queimou, o prédio desabou e uma quantidade gigantesca de material espalhou-se pelo Norte da Europa.

CC: O Japão deve rever sua política de geração de energia nuclear?
LPR: Claro, vai haver um debate enorme lá, com o susto que eles estão passando…

CC: A Alemanha também entrou na discussão e suspendeu algumas atividades…
LPR: A própria União Europeia teve uma reunião sobre isso. Não sei bem qual vai ser a decisão final, mas alguma revisão da energia nuclear vai haver. Ela pode ser absolvida, com alguns condicionantes.

CC: Quais?
LPR: Mudar a tecnologia, aprimorar. Já existe alguma coisa nessa direção, os chamados reatores avançados. Mas, por enquanto, só existe um deles em construção, na Finlândia.

CC: Qual é a diferença?
LPR: Ele permite a refrigeração sem bomba. É por convecção. Isso é uma vantagem, porque o problema em Fukushima foi justamente a falta de refrigeração. Por convecção, a água circula sozinha. A água quente sobe, a água fria desce. É o que acontece na casa da gente em um aparelho de ar refrigerado.

CC: O susto no Japão deu força à discussão sobre a necessidade ou não de energia nuclear no Brasil. É oportuno discutir isso agora?
LPR: Não é só oportuno, é indispensável. Não estou falando em desligar Angra 1 e Angra 2, mas é preciso discutir se haverá novos reatores além de Angra 3. É bastante questionável.

CC: O Brasil precisa de energia nuclear?
LPR: Não é indispensável. É uma escolha política por razões tecnológicas, por acesso à tecnologia nuclear. Desde o regime militar é assim. Não havia uma necessidade premente de energia nuclear. É um complemento, uma forma de gerar. Não é indispensável.

OBAMA : UM PRESIDENTE ANULADO PELO CONSERVADORISMO AMERICANO

Quando estourou a crise de 2007/2008, ela desabafou ao Presidente Lula no seu linguajar espontâneo e desabrido: “Que merda, nasci numa crise, vou morrer em outra”. Perto de completar 81 anos – veio ao mundo numa aldeia portuguesa em 24 de abril de 1930 - Maria da Conceição Tavares, felizmente, errou. Continua bem viva, com a língua tão afiada quanto o seu raciocínio, ambos notáveis e notados dentro e fora da academia e esquerda brasileira. A crise perdura, mas o Brasil, ressalta com um sorriso maroto, ao contrário dos desastres anteriores nos anos 90, ‘saiu-se bem desta vez.


A recuperação internacional, porém, será longa, adverte. “E dolorosa”. A razão principal é o congelamento do impasse econômico norte-americano, cujo pós-crise continua tutelado pelos interesses prevalecentes da alta finança em intercurso funcional com o moralismo republicano. ‘É um conservadorismo de bordel’, dispara Conceição que não se deixa contagiar pelo entusiasmo da mídia nativa com a visita do Presidente Barack Obama, que chega o país neste final de semana.

Obama, segundo ela, não consegue arrancar concessões do establishment americano. ‘Quase nada depende da vontade de Obama, ou dito melhor, a vontade de Obama quase não pesa nas questões cruciais. A sociedade norte-americana encontra-se congelada pelo bloco conservador, por cima e por baixo. Os republicanos mandam no Congresso; os bancos tem hegemonia econômica; a tecnocracia do Estado está acuada”. O entusiasmo inicial dos negros e dos jovens com o presidente, não tem contrapartida nas instâncias onde se decide o poder americano. “O que esse Obama de carne e osso poderia oferecer ao Brasil se não consegue concessões nem para si próprio?”, questiona e responde em seguida: ‘Ele vem cuidar dos interesses americanos. Petróleo, certamente. No mais, fará gestos de cortesia que cabem a um visitante educado’.

O desafio maior que essa discípula de Celso Furtado enxerga é controlar “a nuvem atômica de dinheiro podre” que escapou com a desregulação neoliberal – “e agora apodrece tudo o que toca”. A economista não compartilha do otimismo de Paul Krugman que enxerga na catástrofe japonesa um ponto de fuga capaz, talvez, de exercer na etapa da reconstrução o mesmo efeito reordenador que a Segunda Guerra teve sobre o capitalismo colapsado dos anos 30. “O quadro é tão complicado que dá margem a isso: supor que uma nuvem de dinheiro atômico poderá corrigir o estrago causado por uma nuvem nuclear verdadeira. Respeito Krugman, mas é mais que isso: trata-se de devolver o dinheiro contagioso para dentro do reator, ou seja, regular a banca. Não há atalho salvador’.

MARIA DA CONCEIÇÃO TAVARES

REATORES NUCLEARES - ENERGIA NUCLEAR NÃO É LIMPA NEM SEGURA.

Clique no esquema abaixo para visualizá-lo melhor:

Que garantias existem que uma usina núclear não pode se transformar em uma bomba atômica no momento em que acidentes fora de controle como no terremoto no Japão acontecem?
Normalmente, o sistema de segurança desliga automaticamente os reatores depois de tremores. Para que não permaneçam aquecidos, é preciso acionar um sistema de refrigeração. Por causa do tsunami, faltou eletricidade necessária para que isso acontecesse.


A água resfria os elementos combustíveis compostos de urânio enriquecido. Eles permanecem dentro de uma espécie de piscina. Resfriada, ela evita o acúmulo de vapor radiativo no vaso de contenção externo, feito de concreto. Se a água não for resfriada, válvulas liberam esse vapor, como forma de impedir uma pressão insuportável dentro da proteção externa e o superaquecimento dos elementos combustíveis.


A liberação controlada do vapor radioativo foi determinada pelo governo japonês, como medida de emergência para evitar o risco de um acidente maior.

A explosão do reator poderia provocar uma catástrofe nuclear.

"Depois de Chernobyl, não houve nenhum acidente importante. Isso deu aos engenheiros nucleares a certeza de que a tecnologia estava dominada. O acidente japonês vai destruir as esperanças de que a energia nuclear é uma energia limpa", disse o professor e físico nuclear José Goldemberg, é o pior acidente nuclear desde Chernobyl.

A CRISE DA ÁGUA NO MUNDO

Aproxima-se mais um dia mundial da água e novamente será pelo menos por um dia dado destaque a um problema que está levando o mundo a uma crise de dimensões inimagináveis.
Apenas 0,65% da água do planeta é potável. Os recursos hídricos são esgotáveis e estão sendo rapidamente poluidos. Mais de 1,2 bilhões de pessoas no mundo não tem acesso seguro à água potável.

Dois meninos sudaneses bebem água equipados com tubos de plástico fornecidos pelo Centro Carter para se precaverem contra as larvas de veiculação hídrica, que são responsáveis por doenças do verme da Guiné. O Programa já distribuiu milhões de tubos e reduziu a propagação desta doença debilitante em 70%


Soldados chineses examinam a água engarrafada após cidade de 3,8 milhões de moradores perderem o acesso à água potável. A falta de água leva ao pânico e os preços sobem.

Mais de 2 bilhões de pessoas no mundo dependem de poços d’água, como esses aldeões quenianos no Patê Island, dedicam inúmeras horas para coletar e transportar o valioso recurso.

A Índia com uma população de mais de 1,1 bilhões de habitantes está a caminho de ultrapassar a China como o país mais populoso do mundo. Apesar da economia do país crescer rapidamente, eles enfrentam problemas sérios com saneamento básico e água potável. O Banco Mundial estima que mais de 20% das doenças transmissíveis na Índia são relacionadas à água imunda.

Unidade de dessalinização na Espanha para tornar a água potável. O país possui 700 usinas de dessalinização para produzir 800 milhões de litros anuais.

No Brasil a desertificação já atinge 7 estados e 30 milhões de pessoas. Além do Nordeste, problema afeta áreas em Minas Gerais e Rio Grande do Sul, o que significa 15% do território brasileiro ou, 1,3 milhão de km2

Em São Paulo os Rios Tiête e Pinheiros acumulam atualmente 4,2 milhões de metros cúbicos de sedimentos, volume que corresponde a 350 mil caçambas de caminhão

AS MULHERES MAIS PODEROSAS DO MUNDO

Algumas mulheres no decorrer da História acumularam bastante poder e influência política. Quem não se lembra de Margaret Thatcher, a dama de ferro; Indira Gandhi e tantas outras. No mês da mulher relembro aqui as mulheres mais poderosas do século 21.
- UCRÂNIA: Yulia Timoshenko, primeira-ministra pela primeira vez de janeiro a setembro de 2005. Em dezembro de 2007, foi novamente designada chefe do governo.

- CROÁCIA: Jadranka Kosor é primeira-ministra desde julho de 2009.
LITUÂNIA: Dalia Grybauskaite, eleita em 18 de maio de 2009
- BANGLADESH: Cheija Hasina Wajed foi escolhida primeira-ministra em janeiro de 2009. Já havia exercido a função entre 1996 e 2001.
- ISLÂNDIA: Johanna Sigurdardottir, primeira-ministra desde fevereiro de 2009. Primeira mulher a chefiar o governo na Islândia.
- IRLANDA: Mary McAleese assumiu a presidência da República da Irlanda após vencer as eleições de outubro de 1997. Foi reeleita em outubro de 2004.
- ÍNDIA: Pratibha Patil, eleita em julho de 2007, primeira mulher a chegar à presidência na Índia.

- FINLÂNDIA: Primeira mulher a ocupar a presidência, Tarja Halonen foi eleita em fevereiro de 2000 e reeleita em janeiro de 2006.
- COSTA RICA: Laura Chinchilla foi eleita em fevereiro de 2010, primeira mulher a governar o país.


- ARGENTINA: Cristina Kirchner, eleita em outubro de 2007.
- ALEMANHA: Angela Merkel, eleita chanceler em novembro de 2005, foi a primeira mulher designada para o cargo no país, maior economia da Europa.
- BRASIL: Dilma Rousseff, eleita a primeira mulher presidenta do Brasil em outubro de 2010


DIREITOS DA MULHER - A EXTRAORDINÁRIA LUTA DE MALALAI JOYA

Quatro tentativas de assassinato,  ameaças de morte, insultos freqüentes – o mais repetido, “puta” – e agressões físicas dentro do parlamento afegão no qual exerce mandato de deputada desde 2005 não tem conseguido intimidar Malalai Joya.

Na postagem de ontem (02/03) falei sobre o processo de crescimento político das mulheres de Ruanda que dominam o Parlamento com 56% de participação. A situação do Afeganistão é completamente diferente. Sob a presidência de Hamid Karzai, violência doméstica, assassinatos e ataques com ácido estão em ascensão. Apesar disso, as mulheres não permanecem em silêncio: há porta-vozes, como Malalai Joya, eleita deputada em 2005 aos 27 anos – o que fez dela a representante mais jovem do Parlamento.

Joya passou uma parte da infância e da juventude em um campo de refugiados no Paquistão, mas depois pôde usufruir de uma boa educação e aprendeu inglês. Durante o governo dos talibãs, retornou à sua cidade natal, em Farah. Ocupou-se de um posto de saúde e da organização de cursos de alfabetização clandestinos para mulheres. Além disso, como observa a socióloga Carol Mann, “desde o começo de sua carreira política, ela provoca a fúria de seus colegas parlamentares ao criticar constantemente seu passado de chefes de guerra e suas atividades vinculadas ao tráfico de drogas e à militância islâmica incondicional. Incansável, ela também denuncia as políticas de Estado que violam os direitos humanos, em particular os das mulheres”.

Joya tem como principais inimigos os partidos reacionários e os fundamentalistas religiosos. Escapou de várias tentativas de assassinato e, em Cabul, foi agredida por parlamentares. “Eles podem me matar, mas não podem matar a voz das mulheres afegãs. Não estou sozinha”, declarou em 2007. Mulheres de burka, erguendo cartazes, manifestaram-lhe apoio em Farah, Jalalabad e Cabul. Em seguida, foi excluída do Parlamento após uma entrevista televisiva em que comparou a assembléia afegã a um zoológico.

A representante mais jovem e valente do Congresso afegão, não cala quando se trata de denunciar a violência que sofrem as mulheres do Afeganistão. “A legislação afegã é pior que um estábulo; a maioria dos parlamentares são responsáveis pela morte de milhares de pessoas e pelos maus tratos às mulheres” Malalai acusa os EUA de fazer vista grossa ante os despropósitos do governo de Hamid Karzai.

Paradoxalmente, a mesma burka contra a qual sempre lutou se converteu no único passaporte possível para andar pelas ruas de seu país sem ser reconhecida. “O que mais me preocupa é que se acontecer algo comigo, as mulheres e as pessoas pelas quais luto perderão a esperança. Podem matar-me, mas não esconder a verdade. O maior problema do Afeganistão é a falta de segurança. Se os EUA querem acabar com o Taliban devem pressionar o governo de Karzai que mude as leis e limpe o parlamento dos terroristas que cometem crimes contra seu próprio povo. Aliás tem que investir em educação. As pessoas se tornam terroristas porque são analfabetas e tem suas emoções manipuladas com facilidade.”


Malalai Joya recebe menina queimada com ácido

DIA INTERNACIONAL DA MULHER: O EXEMPLO AFRICANO


Ao considerar os melhores exemplos da presença feminina no mundo político, pensa-se automaticamente nos países escandinavos. Entretanto, o país que encabeça a lista com maior representação feminina no parlamento se encontra no coração da África: Ruanda.

Localizada em uma das regiões mais conflituosas da África, Ruanda é um pequeno país de terras férteis, com uma das densidades populacionais mais altas do mundo: aproximadamente 400 habitantes por quilômetro quadrado.
O país é um dos líderes em um fenômeno global que está repercutindo também na África: o fortalecimento da posição da mulher - um processo que na África foi realizado com surpreendente rapidez. Em duas décadas, a representação parlamentar das mulheres no continente cresceu de 6%, em 1988, a 18% atualmente.
No caso de Ruanda, esta cifra é recorde, com 56% de participação feminina no parlamento. A Suécia é o segundo país, com 47% de parlamentares mulheres. No Brasil, a participação feminina no Congresso Nacional não passa de 9%.

Desde as eleições gerais de 2008, elas representam 56,3% dos deputados: um recorde invejável até mesmo aos países escandinavos, campeões da paridade política na Europa. As ruandesas obtiveram o direito ao voto apenas em 1961, quando o país conquistou a independência. Em 1965, a primeira eleita assumiu seu posto no Parlamento, mas até os anos 1990 as mulheres estiveram praticamente ausentes do mundo político. Foi o genocídio dos Tutsi em 1994 que modificou esse cenário. “Quando muitos homens morreram ou ficaram incapazes de agir, as mulheres assumiram responsabilidades e mostraram que podiam estar à altura”, relembra Immaculée Ingabire, coordenadora da Coalização Nacional Contra a Violência Contra a Mulher. “Ainda que massivamente violadas, foram as ruandesas que tiraram o país do caos. Isso enfraqueceu o machismo tradicional”, acrescenta ela.
Ao longo do período pós-genocídio, as mulheres passaram a comandar quase um terço dos lares, ocuparam empregos antes reservados aos homens (em particular nos setores da construção civil e da mecânica), e aderiram massivamente aos partidos políticos. Participaram da elaboração da Constituição de 2001 e conseguiram inscrever nela um sistema de cotas que reserva às mulheres 30% dos postos em todos os órgãos decisórios, assim como o direito à herança. Exigiram também a criação de um Ministério de Gênero e da Condição Feminina e foram bem-sucedidas na implementação de Conselhos nacionais femininos, que constituem um exemplo de representação das mulheres em todos as esferas de poder, desde o bairro até o nível mais alto da nação. No governo, os Ministérios da Indústria, da Agricultura, das Relações Internacionais e da Energia estão a cargo de mulheres.

Trabalho precarizado

As dificuldades, contudo, persistem. Segundo um relatório oficial, “74% dos secretários-gerais dos Ministérios são homens, assim como 81% dos diretores e 67% dos funcionários. As mulheres predominam, sobretudo, nos cargos de assistência administrativa e secretariado”. Do mesmo modo, na iniciativa privada, “as mulheres permanecem majoritárias nas atividades precárias e mal remuneradas no setor informal […] e são proprietárias de apenas 18% das empresas”. Em relação à violência, a situação continua sombria: “Existe uma verdadeira vontade política, mas ainda é preciso fazer as mentalidades evoluírem e mostrar que a cultura não é imutável, que toda cultura é capaz de transformar suas tradições. Atualmente, viso às novas gerações”, diz Ingabire.