DIREITOS DA MULHER - A EXTRAORDINÁRIA LUTA DE MALALAI JOYA

Quatro tentativas de assassinato,  ameaças de morte, insultos freqüentes – o mais repetido, “puta” – e agressões físicas dentro do parlamento afegão no qual exerce mandato de deputada desde 2005 não tem conseguido intimidar Malalai Joya.

Na postagem de ontem (02/03) falei sobre o processo de crescimento político das mulheres de Ruanda que dominam o Parlamento com 56% de participação. A situação do Afeganistão é completamente diferente. Sob a presidência de Hamid Karzai, violência doméstica, assassinatos e ataques com ácido estão em ascensão. Apesar disso, as mulheres não permanecem em silêncio: há porta-vozes, como Malalai Joya, eleita deputada em 2005 aos 27 anos – o que fez dela a representante mais jovem do Parlamento.

Joya passou uma parte da infância e da juventude em um campo de refugiados no Paquistão, mas depois pôde usufruir de uma boa educação e aprendeu inglês. Durante o governo dos talibãs, retornou à sua cidade natal, em Farah. Ocupou-se de um posto de saúde e da organização de cursos de alfabetização clandestinos para mulheres. Além disso, como observa a socióloga Carol Mann, “desde o começo de sua carreira política, ela provoca a fúria de seus colegas parlamentares ao criticar constantemente seu passado de chefes de guerra e suas atividades vinculadas ao tráfico de drogas e à militância islâmica incondicional. Incansável, ela também denuncia as políticas de Estado que violam os direitos humanos, em particular os das mulheres”.

Joya tem como principais inimigos os partidos reacionários e os fundamentalistas religiosos. Escapou de várias tentativas de assassinato e, em Cabul, foi agredida por parlamentares. “Eles podem me matar, mas não podem matar a voz das mulheres afegãs. Não estou sozinha”, declarou em 2007. Mulheres de burka, erguendo cartazes, manifestaram-lhe apoio em Farah, Jalalabad e Cabul. Em seguida, foi excluída do Parlamento após uma entrevista televisiva em que comparou a assembléia afegã a um zoológico.

A representante mais jovem e valente do Congresso afegão, não cala quando se trata de denunciar a violência que sofrem as mulheres do Afeganistão. “A legislação afegã é pior que um estábulo; a maioria dos parlamentares são responsáveis pela morte de milhares de pessoas e pelos maus tratos às mulheres” Malalai acusa os EUA de fazer vista grossa ante os despropósitos do governo de Hamid Karzai.

Paradoxalmente, a mesma burka contra a qual sempre lutou se converteu no único passaporte possível para andar pelas ruas de seu país sem ser reconhecida. “O que mais me preocupa é que se acontecer algo comigo, as mulheres e as pessoas pelas quais luto perderão a esperança. Podem matar-me, mas não esconder a verdade. O maior problema do Afeganistão é a falta de segurança. Se os EUA querem acabar com o Taliban devem pressionar o governo de Karzai que mude as leis e limpe o parlamento dos terroristas que cometem crimes contra seu próprio povo. Aliás tem que investir em educação. As pessoas se tornam terroristas porque são analfabetas e tem suas emoções manipuladas com facilidade.”


Malalai Joya recebe menina queimada com ácido
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