RAZÕES DA BÍBLIA - REGRAS ALIMENTARES HEBRAICAS

Os judeus não comem carne de porco. Por quê? É um assunto muito interessante de ser analisado, pois ao estudarmos a origem dessa proibição nos remetemos à compreensão de muitos outros , digamos, preconceitos que afligem a todo o mundo acidental mesmo entre outros povos e outras religiões. Então vejamos: A proibição de comer algumas carnes está na Bíblia, nas leis de Moisés, mais especificamente no Levítico e no Deuteronômio. A classificação dos animais em autorizados e proibidos é apresentada por Moises como parte da revelação que Deus lhe fez no Sinai. As espécies que devem ser evitadas são chamadas de impuras.


Os critérios para distinguir os animais puros referem-se principalmente aos órgãos de locomoção: as patas para os animais terrestres e as barbatanas para os aquáticos. Os animais terrestres desprovidos de patas são considerados impuros: “todo o réptil que anda de rastros sobre a terra é imundo, não se comerá” (Lev11, 41). Assim só são comestíveis os animais que tem órgãos de locomoção. Mas dentre estes nem todos são comestíveis segundo a Bíblia. Nos capítulos que tratam das espécies puras e impuras, essas são divididas em três grupos segundo o meio em que vivem: terra, água e ar. Na concepção hebraica os animais terrestres são feitos para andar e tem patas para isso, os peixes têm barbatanas para nadar, os pássaros asas para voar. Assim, cada espécie pertence a um único elemento, foi daí que ela saiu, e é aí que ela deve viver, deslocando-se com os órgãos previstos para esse elemento. O animal impuro é aquele que não respeita os planos de Deus. Se, por exemplo, animais marinhos se deslocam sobre patas, como os crustáceos, devem ser proscritos, pois vivem na água com órgãos terrestres. Pássaros que passam mais tempo na água do que no ar como gaivota, cisne, pelicano também são impuros. Na terra, animais que rastejam como a tartaruga, lagarto da areia e o camaleão também são impuros, devem ser proscritos da alimentação humana.

Mas e o porco? O porco é um animal terrestre que se desloca no chão com patas totalmente normais. Tem o casco partido em duas unhas, característico dos animais puros. A Bíblia reconhece isso mas há um porém: ele não rumina. (Lev 11, 7). Deus concede uma alimentação muito precisa aos animais que acabou de criar: a relva verde. Os carnívoros não foram previstos no reino de Deus. São os mais impuros entre os animais impuros. Os bovinos e os ovinos com toda certeza, só comem ervas, mastigam-na de novo depois de tê-la engolido. Duplamente herbívoros eles são duplamente puros. Os suínos por sua vez não ruminam, são herbívoros e também carnívoros: são onívoros.

A lei de Moisés exposta nos cinco primeiros livros da Bíblia, seção que a tradição judaica chama justamente de a Lei (a Tora) funda-se sobre a idéia essencial de que a abolição das distinções é um mal. Um animal que oscila entre duas categorias não pode ser consumido. Eles foram criados “cada um segundo sua espécie”. Os que pertencem a duas espécies têm a marca de uma intervenção do Mal na Criação. Se o homem consumisse esses seres mistos seria cúmplice do mal. Também não é permitido lavrar atrelando um boi e um asno juntos. Um campo deve ser de trigo ou de cevada não pode ter os dois. Um homem pode usar uma roupa de lã ou de linho, mas não uma mistura dos dois. Um ser humano é homem ou mulher, não pode ser um e se comportar como o outro, ser “hibrido”. A proibição se estende até as roupas. “Uma mulher não usará um artigo masculino e o homem não vestirá roupas de mulher (Lev 19, 19)

Assim, somos forçosamente levados a um momento de reflexão que inicialmente nos remete
à rigidez de uma sociedade baseada em dogmas. Uma sociedade em que tudo foi determinado, no momento da criação, pela sabedoria divina. E o porco, evidentemente se sentiria muito mais seguro se o mundo todo fosse judeu, assim como a vaca reina feliz na Índia.

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