ADIANDO O FIM DO MUNDO

Os resultados científicos sobre a mudança climática global são contundentes. O clima do planeta já mudou e a velocidade do processo de mudança está aumentando. Mantido o atual padrão de desenvolvimento, as mudanças climáticas terão conseqüências graves, aumentando a probabilidade de catástrofes extremas, com profundas conseqüências para a economia, saúde, qualidade de vida e sustentabilidade dos ecossistemas naturais. Alguns cenários mostram que vastas regiões do planeta deverão se tornar inabitáveis ou muito inóspitas para a sobrevivência humana.

Três documentos recentes são leitura obrigatória para quem pensa no futuro do Brasil e do Planeta:


1.O Relatório Stern, publicado pelo governo inglês no final de 2006


2.o relatório do Painel Internacional de Mudanças Climáticas, publicado pelas Nações Unidas em fevereiro de 2007.


3.o relatório sobre a Caracterização do Clima Atual e Definição das Alterações Climáticas para o Território Brasileiro ao Longo do Século XXI, publicado pelo governo brasileiro em fevereiro de 2007.

Acrescente-se a esta lista o filme de Al Gore, Uma Verdade Inconveniente.

A síntese é que o aquecimento global tem sido agravado pela atividade humana e a escala do processo não tem precedente nos últimos 20 mil anos. O processo de mudança climática está diretamente relacionado com a quantidade de gases que causam efeito estufa que são produzidos pela ação do homem. Teoricamente, portanto, poderíamos conseguir diminuir a velocidade da mudança do clima se conseguíssemos diminuir a produção de fumaça que sai de nossos carros, fábricas, usinas termoelétricas e desmatamento. Em outras palavras poderíamos adiar o fim do mundo.

Sabemos que o grande vilão das mudanças climáticas são os EUA e a China responsáveis pela maior parte das emissões globais de gás carbônico. Entretanto devemos também enfrentar a realidade do Brasil ser a quarta maior fonte de gases efeito estufa do mundo, sendo que a principal responsável por isso é o desmatamento da Amazônia.

Os cenários mais sombrios apontam para um fenômeno chamado “die back” ou colapso total da floresta amazônica, com seu virtual desaparecimento e substituição por cerrados até 2050. Isso afetaria radicalmente a navegabilidade dos rios, a produção de peixes, a produtividade agropecuária, a qualidade de vida nas cidades e a sustentabilidade dos sistemas tradicionais da vida de nossos indígenas e ribeirinhos..

Controlar o desmatamento tem que interessar não só à sociedade amazonense como também ao país e ao mundo não apenas pelas suas conseqüências para o aquecimento global. Sem nossas florestas perderemos nossos rios, lagos e igarapés. Podemos imaginar como seria a vida no Amazonas? Seguramente muito pior para todos, ricos e pobres. Seria também muito pior para o Brasil e todo o planeta.


Temos que entender definitivamente que o planeta é um único corpo que interage e que uma infecção no dedo mindinho leva febre para todo o organismo. Assim também é o planeta.
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