A DEMOCRACIA CUMPRE O PAPEL DE REPRESENTAR TODAS AS CLASSES SOCIAIS?



Há um eterno debate sobre a eficácia do sistema democrático. A democracia representativa através do sufrágio universal é realmente um instrumento eficaz de representação de todas as classes sociais?
Vamos analisar em termos de Brasil: temos uma classe dominante representada por industriais, banqueiros, proprietários rurais, enfim, são setores razoavelmente bem organizados, em sindicatos, partidos políticos e organizações várias. É uma classe majoritariamente conservadora e bastante preconceituosa, incapaz de aceitar a idéia de que uma maior distribuição de renda a tornaria muito mais rica do que é hoje. Prova dessa incapacidade é o grau de distribuição de renda do Brasil divulgado pelo IPEA.
De acordo com a pesquisa, 1% dos brasileiros mais ricos --1,7 milhão de pessoas-- detém uma renda equivalente a da parcela formada pelos 50% mais pobres (86,5 milhões de pessoas).(2005)
Logo abaixo está a nossa classe média ainda mais conservadora e preconceituosa, pois morre de medo de perder o ilusório status de classe média e o sonho de um dia virar patrão. Apesar disso é muito pequeno o engajamento político dessa classe.
Sua participação em organizações sindicais e políticas é muito pequeno e quando ocorre visa apenas obter os benefícios da categoria a que pertence sem nenhuma participação mais efetiva. Ao contrário prefere o anonimato na hora de qualquer reivindicação. Prefere delegar a outros a sua representação e se manter alienada e omissa.
Temos uma classe trabalhadora que eu chamaria de trabalhadores profissionais, também em grande parte preconceituosa e conservadora que sonha em ser classe média, bastante alienada e omissa em termos de participação política, que acredita dever ser dirigida por líderes carismáticos.
Finalmente temos a imensa massa de trabalhadores sem qualificação profissional, totalmente indiferentes a tudo que não seja a simples sobrevivência. Sua participação política é o voto, porque é obrigatório.

Por ironia são essas massas indiferentes, neutras e apáticas que dão sustentação ao sistema democrático, pelo seu número majoritário.
Pois bem, a democracia pode basear-se na igualdade de todos os cidadãos perante a lei e na participação política igualitária: cada cidadão um voto, mas só adquire significado e funciona organicamente quando os cidadãos pertencem a agremiações e atuam igualitariamente na defesa de seus interesses.
Quanto estamos longe disso?

7 comentários:

Telma Monteiro disse...

Olá, Bernardo!

Já adicionei tb este teu blog aos meus Favoritos. Gostei mt mesmo!As postagens sobre a água e sobre Angola, bem interessantes.
Abrç!

sevejocosilva disse...

Questionamento deveras oportuno o seu. O sistema - democrático - foi o melhor que conseguimos até hoje. No entanto, a forma de melhor aplicá-lo, ainda estamos muito longe de alcançá-la.
Esse jogo de interesses particulares de que você fala, é o responsável pelo salve-se quem puder. Ou seja, em todas as camadas, o individual prevalece sobre o coletivo.
O tema suscita tantas variáveis que o espaço fica pequeno e inadequado para tratá-las.
Parabenizo-o pelo texto e pela ilustração do mesmo.
Macacos com atitude.
Quem sabe, uma proposital sugestão.

Tais Luso disse...

Olá, Bernardo!

Esta Democracia que se instalou aqui, parece brincadeira, chegou na casa da mãe Joana com uma cara e mostrou outra. E se espaçou. Não era o que queríamos. Mas qual a classe social que quer uma democracia que não lhe beneficie? Quem não quer tirar sua casquinha?

Acho que para as coisas funcionarem - mais ou menos de acordo -, o povo teria de ser outro: esclarecido, educado e com espírito mais comunitário. Nosso povo não sabe de seus direitos. Não se informam junto aos órgãos competentes. Brigam por outras coisas.
Adorei esta macacada!

Bjs
Tais Luso

Carmo disse...

Boa noite Bernardo, é um prazer visitá-lo. Sempre com temas tão oportunos.
O homem é um ser sociável,há que assumir a nossa cidadania e lutar pelo nosso espaço na sociedade. Não nos podemos demitir das nossas responsabilidades enquanto cidadãos.

beijinhos e bom fim de semana

Graça Pereira disse...

Olá Bernardo!
Quer dizer...quem sustenta a democracia toda... são os quase "pé-rapados" que, com o seu voto..põe a macacada toda...no poleiro!!! Verdade??? Bem me parecia...
Beijo
Graça

saitica disse...

Esse eu conheço é o Chipa
Zé sou eu

Anônimo disse...

Ola Bernardo,
Entrei aqui pelos poemas do Mario Quintana e fui lendo um texto, outro e me encantando com tudo que lia.
Gostei do diálogo inteligente e crítico, Parabéns!!!
Já adicionei aos meu favoritos.
Abraços,
Sue Ann
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