CERRADO BRASILEIRO: CONSEQUÊNCIAS DO DESMATAMENTO

O Cerrado brasileiro pode desaparecer daqui a no máximo 40 anos. Estudos recentes indicam que apenas cerca de 20% do Cerrado ainda possui a vegetação nativa em estado relativamente intacto.
O cerrado, escolhido para o avanço da monocultura, foi tomado primeiro pela soja e está sendo dominado pela cana para o etanol e pelo eucalipto para a celulose, entre outras culturas. Isso preocupa muito porque, embora seja de grande importância para o país e a América Latina, é um bioma desvalorizado pelo capital, tratado como área de exploração. Suas plantas funcionam como reservatório de água do nosso país. Se o cerrado for arrasado pela monocultura haverá desequilíbrio.
No cerrado o terreno em geral é plano, com vegetação frágil, tortuosa, pequena, não dificulta o trabalho das máquinas. O que não acontece na floresta, onde é mais complicado desmatar em pouco tempo para fazer campos de monocultura até perder de vista. O desmatamento do cerrado prejudica o sistema freático. A rama, a copa das plantas, tem o correspondente em raiz – que funciona como uma esponja, uma caixa d’água, alimentando o freático e a planta durante a estiagem. Se arrancá-la, o circuito da água deixa de ser vertical, em direção ao freático, e torná-se horizontal, causando erosão, assoreamento de córregos e rios.
Há várias alternativas à destruição da vegetação nativa que vão em direção oposta à chamada revolução verde (o plantio de eucaliptos em grandes extensões). Aparentemente  são bonitas as grandes extensões verdes que produzem o suficiente para alimentar o mundo, não é? Mas isso é um engano. A revolução verde foi pensada para substituir aquilo que existia antes, onde entra o trator que corrige a terra, aduba, põe calcário, semente, tudo de forma mecânica, pesada. Embora a cobertura seja verde, é na verdade um deserto verde. Esse modelo destrói o meio ambiente, acaba com as nascentes, leva à seca. Na Bacia do São Francisco, onde há plantação de eucalipto, ficaram secas 1500 pequenas vertentes que fluíam para o São Francisco.
Monocultura do Eucalípto

Há mil justificativas para a manutenção desse modelo de monoculturas, como a do eucalipto que destrói o bioma em troca de dinheiro, divisas. Mas não se buscam alternativas técnicas. Nós temos em Goiás, Tocantins, Bahia, Minas, grupos extrativistas organizados, que convivem com o cerrado sem destruí-lo. São todos desconsiderados. O que realmente interessa ao governo, bem como aos anteriores, é o agronegócio que passa por cima das pequenas propriedades mas não mata a fome, porque seu objetivo não é distribuir, mas concentrar o lucro. Está comprovado que 70% do alimento consumido no país vem de pequenos produtores.
Por que tem de prevalecer a lógica da superprodução? É necessário tudo isso que se busca? O conforto dos EUA pode ser aplicado a toda o planeta? Uma população de 7 bilhões de habitantes? Mas a terra é insuficiente para isso e é aí que tem algo errado. Como pensar num mundo e numa humanidade equilibrado e sustentáveis. Produzindo de acordo com a necessidade. Uma coisa é a necessidade em que todos participem. Outra é atender a um modelo super predador de determinados países de primeiro mundo. Então volto  à pergunta anterior. Não seria hora de questionar o modelo vigente?
Cerrado brasileiro -ameaçado de extinção

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