GOOGLE E FACEBOOK SÃO OS CONCORRENTES DOS JORNAIS


Os veículos tradicionais de imprensa devem passar a preocupar-se mais com a concorrência de sites como o Google e o Facebook do que com seus tradicionais rivais.

É assim que pensa o jornalista espanhol Juan Luis Cebrián, 66, fundador do El País e presidente do Grupo Prisa, que, além do jornal, é dono da Santillana, grupo editorial ao qual pertence a brasileira Moderna.

Os jornais nasceram no começo do século 19, com a Revolução Industrial e a democracia representativa. Formam parte do establishment e das instituições da democracia moderna. Se alguém leva a Folha ou o Estado de S. Paulo debaixo do braço, está se identificando com algo. Um jornal é uma bandeira, de certa maneira. E na internet não há bandeiras. Jornal é uma concepção do mundo. Da primeira página à última está oferecendo uma visão sobre o que acontece. Está explicando a realidade aos usuários. Na rede não há intermediários. Na internet, é comum que o protagonista de uma notícia seja aquele que a conte. O relato das revoluções do norte da África foi feito por aqueles que as fizeram. O mesmo sistema para convocá-las foi usado para conta-las, por meio do Twitter.

Os diários já não dão notícias. Todo mundo já sabe as notícias quando vai ler os jornais. Os jornais explicam, fazem análises, debatem. O competidor da Folha não é o Estado de S. Paulo, é o Google, o Facebook, estes são nossos competidores reais. E não queremos admitir porque não sabemos como competir com eles.

A rede é algo que se constrói a partir da experiência dos usuários. O Twitter, por exemplo. Jack Dorsey nunca imaginou que ele se tornaria um sistema de transmissão de notícias ou para convocar grandes manifestações. Dorsey inventou o Twitter porque gostava de fazer mapas e não sabia como colocar as pessoas nos mapas que fazia. O Facebook não nasceu para ser uma rede social. Provavelmente Mark Zuckerberg não teorizou a ideia de uma rede social. Enquanto o Google nasceu com a intenção de ser um buscador mais potente, nada mais. O que determinou a transformação desses sites foi o uso que as pessoas fizeram deles. Não foi a decisão dos que desenharam os programas que determinou seu destino, mas sim a experiência dos usuários que construíram essa força na internet. A pergunta mais importante é “um jornal pode migrar para a rede?”. Até agora a resposta tem sido negativa. Não houve veículo que foi capaz de fazer essa migração. O problema está no fato de que um jornal na internet não é um jornal, é uma outra coisa. Sou radical nesse sentido, inclusive quando falamos da credibilidade das marcas. Até agora nenhuma das marcas tradicionais da imprensa escrita foi capaz de migrar para as operações virtuais com sucesso.

Texto extraído do site Observatório da Imprensa
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