SOCIEDADE DE CONSUMO OU VIDA – NÃO HÁ LUGAR PARA AMBOS NO PLANETA.


Viver em um mundo com necessidades ilimitadas, com 20% da humanidade consumindo 86% de tudo o que é produzido no planeta, leva os dirigentes dos países a buscarem, como objetivo central, o crescimento econômico que possibilite a elevação do padrão de vida de suas populações.
Nos últimos anos, virou moda salientar o sucesso chinês. Segundo relatório do Instituto da Terra, comandado pelo economista Lester Brown, os chineses já alcançaram os americanos no consumo per capitã de carne suína e agora, concentram suas energias em aumentar o consumo de carne bovina. No entanto, para elevar o consumo per capitã na China, aos níveis do consumo médio americano, serão necessários 49 milhões de toneladas adicionais. Se tudo isso for produzido com gado confinado, ao estilo americano, seriam necessárias 343 milhões de toneladas anuais de grãos, um volume igual a toda a colheita dos Estados Unidos.
No mesmo raciocínio, apenas para citar mais dois exemplos: caso os dirigentes chineses quisessem elevar o consumo de carne de peixe aos níveis japoneses, toda a produção de pescado mundial teria de ser direcionada à China, e, caso desejassem obter o mesmo padrão de automóveis dos americanos, consumiriam sozinhos 10% a mais que todo o petróleo que se extrai atualmente.
Nesse ritmo, é muito pouco provável que o planeta possa repetir, nos países em desenvolvimento, o mesmo padrão de acumulação que prevaleceu até hoje nos países desenvolvidos, mesmo porque não se pode esquecer o outro bilhão de indianos e os demais 2 bilhões de pessoas que habitam os países em desenvolvimento.
Tal visão deve-se ao fato de os economistas tratarem o meio ambiente como um subsistema da economia e, dessa forma, como um sistema fechado e estático. No entanto é a economia que está contida no meio ambiente, e, conseqüentemente, não pode ser pensada como um processo estático, mas sim, dinâmico.
Assim, os princípios da ecologia devem fornecer o arcabouço teórico para que os “ecoeconomistas”  possam modelar uma nova economia que seja sustentável não só ambiental, como também socialmente.
Texto de Fabio Tadeu Araújo
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