EDUCAÇÃO, EDUCAÇÃO E EDUCAÇÃO


Comemoramos dois aniversários no mesmo dia 16 de julho. Nos Estados Unidos, os 40 anos da partida dos primeiros humanos em direção à Lua; no Brasil, o primeiro aniversário da sanção da Lei do Piso Salarial Nacional para os professores. Ao pisar o solo lunar, o primeiro astronauta disse que dava um pequeno passo para ele, mas um grande salto para a humanidade. De fato, para aquele passo ser dado, foram necessários séculos de educação e pesquisas científicas e tecnológicas.


Foram a ciência e a tecnologia norte-americanas que levaram os primeiros homens à Lua, em consequência de séculos de investimentos em educação. Enquanto os EUA investiam em educação desde os primeiros colonizadores, o Brasil seguiu na direção contrária. Quarenta anos depois da conquista da Lua e das viagens espaciais além do sistema solar, o Brasil ainda não tem suas crianças em escolas com a qualidade necessária. Em consequência, não tem um nível científico e tecnológico capaz de concorrer internacionalmente.

Só em 2008, décadas depois da conquista da Lua, o governo brasileiro criou um piso salarial para os professores e, mesmo assim, esse piso ainda não é cumprido, porque cinco governadores entraram na Justiça para que fosse declarado inconstitucional.

Pouco se fez pela educação no país desde a colonização. Aumentou-se o número de matrículas — mas não de frequência — conclusão, assistência, aprendizado e permanência. Foram criados fundos como o Fundef e o Fundeb, mas o investimento anual na escola pública continua de R$ 1,5 mil por aluno. Criou-se, há um ano, o piso, mas com o valor de R$ 950, quando deveria ser entre R$ 3 mil e R$ 4 mil, por mês. Foram construídas escolas, mas elas não foram equipadas — 20 mil delas nem luz e água têm. Nesses 40 anos, a economia brasileira saltou de um país pobre a uma potência com R$ 2,889 trilhões de renda nacional, mas o Brasil continuou como um dos últimos países do mundo em educação.

Nesse ritmo, vamos comemorar os 100 anos da chegada do homem à Lua antes de termos todas as nossas crianças em escolas bonitas, bem equipadas, que funcionem em horário integral e os professores entre as mais bem remuneradas e respeitadas categorias profissionais.

artigo do Sen. Cristovan Buarque, publicado no jornal Correio Braziliense em 25/7/2009
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