TRATADO DE NAGOYA - BOM PARA O MUNDO MELHOR PARA O BRASIL

Quando se fala em Biodiversidade, se fala em preservação. A preservação já é algo que vale por si só. Mas na preservação existe um potencial que é menos discutido. Ela começa com um fato: somos péssimos inventores de remédios. A maioria deles é feita de substâncias químicas que descobrimos, não que inventamos. Para ficar só com dois exemplos, vamos com a mãe dos antibióticos e a mãe dos analgésicos. A penicilina, descoberta por acidente por Alexander Fleming em 1928, é produzido pelo fungo Penicillium notatum. Já a aspirina, que existe desde o século 19, é originária do salgueiro (não o morro ou a escola de samba, mas a planta).


Um levantamento feito por pesquisadores americanos em 2007 mostrou que 70% de todos os medicamentos introduzidos no mercado nos 25 anos anteriores eram derivados de produtos naturais. A floresta ainda fabrica drogas com mais eficiência que nós.

Estamos devastando a biodiversidade, extinguindo as espécies e os medicamentos que poderiam vir delas. Em cada hectare de floresta amazônica existem mais espécies de árvores que na Europa toda. Isso pode significar que em cada hectare de floresta destruída estamos perdendo para sempre remédios que poderiam salvar ou pelo menos melhorar a qualidade de milhões de vidas.

Estima-se que existem no planeta dezenas de milhões de espécies (incluindo-se aí os micróbios). Dessas, pouco mais de 1 milhão foram descritas pela ciência. Ou seja ainda há muita pesquisa a fazer.

Com a maior fonte de biodiversidade do mundo, na floresta Amazônica, poderíamos fazer dinheiro ao explorar esses recursos de forma sustentável. Nesse sentido o Protocolo de Nagoya é importante porque ele define basicamente que: os recursos genéticos presentes no território de cada país são pertencentes a ele e não podem ser explorados sem autorização.

Basicamente trata-se de uma declaração de guerra à biopirataria – a transferência dos recursos de um país para que sejam estudados e explorados por outros. Agora, para usar alguma coisa da Amazônia brasileira no exterior, será preciso pagar royalties ao governo brasileiro: a industria farmacêutica mundial fatura US$ 800 bilhões por ano.

Além do aspecto de recursos financeiros, o mais importante é a consciência de que cada espécie vegetal destruída pode significar o fim da possibilidade de derrotar um tipo de câncer ou outra doença qualquer.

Tínhamos o conceito de que preservar a vegetação era uma garantia de reter o aquecimento global, a preservação de espécies animais, a renovação da camada de oxigênio. A cada dia descobrimos que preservar significa muito mais. PRESERVAR É TUDO.

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