VERDADE INCONVENIENTE – O QUE OS VEICULOS VERDES ESCONDEM

Durante a semana passada, a fabricante de carros Nissan estreou nos Estados Unidos uma propaganda provocativa sobre o seu novo modelo, o Leaf, que é 100% elétrico. O vídeo, que dura um minuto, acompanha a jornada de um urso polar afetado pelo aquecimento global que viaja milhares de quilômetros para, literalmente, abraçar um dono do veículo que está disponível em pré-venda no país.




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O que a propaganda esconde


A agência publicitária responsável pelo anúncio não disse nem dá a entender que a produção de energia elétrica que abastece o carro vem de algum lugar, e polui bastante, ao menos nos Estados Unidos. “Lá, boa parte dessa energia é gerada em usinas termoelétricas, queimando carvão mineral”, afirma Francisco Nigro, engenheiro mecânico e pesquisador do desenvolvimento de motores que escreveu o artigo “O carro elétrico polui” na edição de julho da Galileu. Ou seja, o veículo elétrico não emite gases tóxicos, mas gera CO2 indiretamente e à distância através das usinas.
Para determinar as vantagens do carro elétrico, é preciso analisar a cadeia de fornecimento de energia elétrica e a eficiência do motor dos veículos comuns e elétricos. Rubens Dias, professor do departamento de Engenharia Elétrica da Unesp de Guaratinguetá , diz que o automóvel normal aproveita apenas 25% a 27% do combustível fóssil (o resto é transformado em gases tóxicos e calor). Já a eficiência das termoelétricas em produzir energia elétrica queimando carvão mineral pode chegar a 60%, valor que também é abatido em torno de 5% a 10% durante o caminho que traça até chegar à tomada do consumidor.

Resumindo: nenhuma forma de produzir energia e transformá-la em outra forma (movimento por exemplo) é gratuita, ou não danosa ao meio ambiente. O carro elétrico é uma ilusão, no sentido que continua sendo um transporte individual e gastador de inúmeras formas de energia. No atual estágio civilizatório somente o transporte coletivo é aceitável. Produzir energia para mover uma massa de mil quilos, com o único intuito de transportar 80 Kgs é uma estupidez, está na hora de rever estes parâmetros.
Outro dado interessante é o quanto uma propaganda se torna enganosa e camufla ou distorce a realidade. Tentar vender o transporte individual sob o rótulo verde como uma coisa tão boa que até a natureza agradece é tampar o sol com a peneira, o problema é que muita gente se emociona com isso e deixa de ver o outro lado.

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