CHIMPANZÉ CHORA A MORTE DE FILHOTE

O site do jornal britânico Daily Mail divulgou na segunda-feira a imagem de uma chimpanzé lamentando a morte do filhote de apenas 16 meses de idade. O registro foi feito por câmeras de cientistas do Instituto Max Planck de Psicolinguística, da Alemanha, que estudavam exatamente como os primatas enfrentam perdas.


A chimpanzé filmada carregou o corpo morto do filhote durante 24 horas, antes de largá-lo cuidadosamente no chão. A mãe continuou a observar e a tocar no corpo. Ela ainda levou outros chimpanzés para notarem o primata falecido.

Com forte relação com os filhotes, a fêmea de chimpanzé carrega a cria durante os dois primeiros anos e continua a amamentá-la até os seis anos de idade.

Os chimpanzés reagem à morte de forma parecida à humana. A conclusão é de James Anderson, do grupo de comportamento e evolução do departamento de psicologia da Universidade de Stirling, na Escócia.

"Vários fenômenos têm sido considerados como separadores entre o homem e as outras espécies, como a capacidade de raciocinar, de falar ou de utilizar ferramentas, além da consciência de si mesmo”, diz Anderson. “Mas a ciência mostrou que essas divisões são na realidade mais relativas. A consciência da morte é um desses fenômenos psicológicos atribuídos durante muito tempo somente aos humanos”, afirma.

Ainda segundo ele, “as observações que temos feito das reações de chimpanzés reagindo à perda de seu par ou em seus últimos momentos de vida indicam que são muito conscientes da morte e provavelmente de maneira muito mais desenvolvida do que se suspeitava”.

O trabalho descreve as últimas horas e a morte, no dia 7 de dezembro, de uma fêmea com mais de 50 anos, que vivia com um pequeno grupo desses primatas no Parque de Safári Blair Drummond, na Escócia. Tudo foi filmado. Nos dias que precederam à morte da fêmea, o grupo esteve muito silencioso e com a atenção centrada nela, especialmente em seu rosto, ressalta Anderson. Pouco antes de sua morte, os companheiros faziam muitas carícias na veterana moribunda.

Segundo os pesquisadores, após afastar-se por um tempo, Rosie, a filha mais velha de Pansy, com 20 anos, voltou e ficou a noita toda ao lado do corpo.

"Nos dias antes de Pansy morrer, os outros até alteraram sua rotina de sono para ficar perto dela, dormindo no chão em um compartimento onde normalmente eles não dormem”, contou Anderson ao site Discovery News.

Em um segundo estudo, o grupo dos cientistas Dora Biro, da Universidade de Oxford, e Tetsuro Matsuzawa, da Universidade de Kyoto, testemunhou nas florestas de Bossou, na Guiné, um longo ritual funerário de duas mães chimpanzés, Jire e Vuavua, que velaram os cadáveres de dois filhotes por 68 dias.


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