BUSCAMOS UM MUNDO MELHOR




Brexit. Trump. Mudança climática. O sistema financeiro. Autoritarismo. Pode continuar a lista, todos os itens darão angústia e ansiedade. A situação do mundo te incomoda, mas o que poderá você, um indivíduo minúsculo e irrelevante perdido no poderoso sistema, fazer para mudar qualquer coisa? Como você pode fazer a diferença?
Bem, acontece que há muitas maneiras de se engajar politicamente — se você quiser, todo santo dia. Aqui estão quatro delas.

1. SEJA UM PRODUTOR REFLEXIVO
Nosso emprego acaba sendo nossa maior contribuição à sociedade em termos de capacidade produtiva. Nós passamos décadas trabalhando em um setor específico para empregadores específicos, e produzimos um determinado resultado. Alguns desses empregos são neutros, outros são danosos, e vários deles são benéficos.
ue tal parar para pensar se o seu trabalho é dedicado à coisas éticas, tanto do ponto de vista político quanto do econômico? Seu potencial criativo é absorvido pela propaganda? Sua engenhosidade é usada para projetar armas? Sua oratória está vendida ao lance mais alto de um leilão? O processo produtivo com que você contribui é dedicado à justiça? Ao conhecimento? Ou ao lucro puro e simples? Quem se beneficia do seu trabalho?

2. SEJA UM CONSUMIDOR CONSIENTE
Ao longo de nossa vida nós damos muito dinheiro para muitas pessoas por meio das nossas compras. Alguns produtos que nos alcançam foram feitos por trabalhadores em boas condições de vida, ou por empresas de baixo impacto ambiental.
Nós estamos em dívida com os responsáveis por celulares. Eles contém minerais que podem vir de áreas de conflito como o Congo, onde o estupro é arma de guerra e a mineração é controlada por milícias que usam crianças de soldados.
Partes da indústria da moda usam trabalho infantil, e não podemos nos esquecer que boa parte do plástico que consumimos vem do petróleo, uma indústria que ajuda a abastecer conflitos armados no Oriente Médio. Tudo que nós compramos tem uma história e um custo social, ambiental e político. Isso vai muito além do preço.

3. SEJA UM CIDADÃO ATIVO
É óbvio que podemos usar os canais políticos abertos oficialmente para sermos cidadãos ativos. De petições a eleições, estão ao nosso alcance campanhas políticas, sindicatos e até cartas para nossos representantes. Alguns irão até considerar como tática a desobediência civil. Tanto Gandhi quanto as sufragistas foram reconhecidos como heróis por políticos estabelecidos anos depois.
Mas nós também podemos nos tornar receptores mais conscientes de mensagens políticas. Entender os princípios da comunicação política para não cair em truques. Há a teoria do estabelecimento de pautas (agenda setting), da espiral do silêncio e a teoria do cultivo, entre outras. As táticas do marketing político são eficientes para ganhar votos — afinal, Trump é uma marca. E não é difícil identificá-las depois que nós descobrimos como elas funcionam.

4. SEJA UMA PESSOA DE PRINCÍPIOS
Pense na conversa que ouviu na rua, ou no que o seu tio disse em um almoço de família, ou no insulto racista ou misógino que você flagrou no ônibus. Você pode deixar por isso mesmo ou pode intervir. É claro, uma intervenção frutífera precisa ser sensível e cuidadosa. Mas se alguém diz algo que te incomoda, quem sai ganhando se você não reage? Se alguém é movido por medos, porque não ouvir e discutir, se mantendo fiel a seus princípios?
Nós vivemos em comunidades. A maior parte das pessoas é bem normal. Algumas terão visões políticas opostas às suas. Porque não conversar com eles sobre o assunto educada e respeitosamente, criando empatia e considerando soluções conjuntas? Isso te ajudará a desenvolver seu próprio pensamento.

Texto extraído da Revista Galileu. 

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